Homilia de Dom Delson na Missa Crismal


 30/03/2018 - Clique e leia o texto!

Missa dos Santos Óleos
Arquidiocese da Paraíba/2018

Deus olha para cada padre, cada diácono, com um olhar especial: Deus vê o padre como via Davi: “Encontrei David, meu servo,/e ungi-o com óleo santo”. Deus olha para cada ministro como seu ungido, como seu filho.

Saudação:
Saúdo fraternalmente os queridos Bispos eméritos: Dom José González (Cajazeiras) e Dom Fernando Panico (Crato),

Ao Clero da Arquidiocese da Paraíba, sacerdotes religiosos, sacerdotes de Comunidades Novas, sacerdotes hóspedes,

Pe. Luiz Júnior, Vigário Geral,
Coordenador de Pastoral: Mons. Ivônio,
Chanceler: Pe. Luiz José,
Ecônomo: Mons. Nereudo,

Vigários forâneos:
Membros do Conselho Presbiteral,
Reitor do Seminário Nossa Senhora da Conceição: Pe. Luiz Carlos Machado,
Reitor do Propedêutico e mestre de Cerimônia: Pe. Erionaldo,
Párocos, Administradores Paroquiais, Vigários Paroquiais, Capelães responsáveis por Pastorais, Movimentos e Serviços...,
Diáconos Permanentes que atuam em duas frentes: família/profissão e Igreja, e os Diáconos provisórios,
Religiosas e Religiosos,
Autoridades,
Seminaristas,
Leigos e Leigas,
Amados irmãos e irmãs,

Nesta Quinta-feira Santa, uno-me a todos os irmãos presbíteros, reconhecendo o grande dom que cada um é para a nossa Arquidiocese e para toda a Igreja. Hoje, nesta celebração, percebemos a visibilidade dos maravilhosos dons de Deus para sua Igreja, os sacerdotes. Cada padre é um dom muito especial de Deus para a Igreja. E eu, como Arcebispo, sou grato a Deus pelo vosso sacerdócio e pelo generoso ministério, exercido com tanta entrega e espírito eclesial. O meu ministério episcopal é exercido eficazmente com a ajuda de todos vós, padres da Arquidiocese, e os religiosos e os hóspedes.

Estamos criando as Foranias e nomeando os respectivos Vigários Forâneos. Eles me ajudarão no cuidado pastoral que devemos ter para com todas as paróquias. Estando eles mais pertos das paróquias da Forania, podem fazer os primeiros contatos e tomar medidas permitidas para a condução das pastorais e para enfrentar eventuais problemas ou dificuldades, que fazem parte da lida humana das comunidades cristãs. Agradeço-lhes a disposição em contribuir com a Arquidiocese e principalmente comigo. Peço aos padres das respectivas Foranias que os acolham como vigários do Arcebispo. A palavra Vigário quer dizer justamente isso: fazer as vezes de... estar no lugar de... Eles me representam nas Foranias.

Agora me dirijo a todos os padres! Deus age nos seus ministros! Os ministros agem em nome de Deus quando exercem o ministério e cuidam com fé do legado de Nosso Senhor Jesus Cristo, anunciando a Palavra de Deus e apascentando o povo com a cordialidade de Pastor. Hoje, com alegria, vós renovais os compromissos sacerdotais. Isso significa que todos vós continuais servindo alegremente à Igreja de Jesus, que está em João Pessoa, na Arquidiocese da Paraíba. Deus que vos ungiu, vos conserve neste serviço da edificação do seu Reino.

Os textos sagrados desta liturgia (Isaías e Lucas) falam da unção: “o Espírito do Senhor me ungiu e enviou-me para evangelizar os pobres”. O espírito prepara o sacerdote para evangelizar os pobres, os oprimidos, os prisioneiros, os feridos, os sedentos de Deus. De certo modo, todos os homens e mulheres, em certos momentos da vida, passam por circunstâncias de pobreza, de opressão, sofrimento, aprisionamento, às vezes pelos próprios pecados. O Padre é ungido para anunciar o evangelho que salva, cura, perdoa e liberta aqueles que vivem oprimidos. Ele, em nome de Deus, cura as feridas do coração e da alma.

No nosso tempo, são tantos os que sentem o peso dessa opressão e buscam em Deus a força para sua libertação. Hoje, são muitos os que experimentam o gosto amargo da tristeza do pecado. O pecado oprime, entristece e escraviza nos vícios. A Palavra de Deus liberta! “Hoje, esta Escritura se cumpre!”. No ministério de cada um de vós, esta escritura de Isaías e Lucas se cumpre! Com a oração sacerdotal, o Senhor Jesus faz sua Palavra se cumprir, através das bênçãos libertadoras, das orientações que levam à conversão, do perdão que sara as feridas da alma, da Eucaristia que fortalece e cura tantos males do corpo e da alma. O padre é instrumento da graça divina que chega a cada membro da comunidade cristã. Este Evangelho cumpre-se, realiza-se hoje nas vossas pessoas, caros sacerdotes. O texto do Apocalipse refere-se à bênção divina de Deus Pai, do Espírito e de Cristo. “O Cristo fez de nós um reino de sacerdotes para o seu Deus e Pai” (V 6). Quer dizer, a grande bênção divina para o povo é Cristo mesmo e aqueles que Ele confiou a missão de continuar, neste mundo, a sua obra, o reino de sacerdotes a serviço de Deus, o Pai de todos.

João fala de um reino sacerdotal, isto é, um reino cuja particularidade é de ser constituído de sacerdotes. Tal é a especificidade do povo de Deus criado por Cristo através do Batismo: não uma nação como as outras, mas um povo de sacerdotes que serve aquele que foi crucificado (Ap 1, 7; Zac 12, 10). Um povo consagrado não para exercitar o poder, a dominação, mas para ser portador da salvação de Deus que, quando é proclamado, coloca às claras o pecado do homem (cf. Ap 1, 8). Revela no tempo a misericórdia e o perdão de Deus, porque o pecado é colocado em luz por aquele que foi crucificado por nós.

Hoje, vemos tantas expressões de ódio, de vingança, que não víamos em tempos passados. Nas redes sociais, vemos tantas manifestações de racismo, de intolerância religiosa, de ódio às pessoas, ideologias várias que relativizam os preceitos divinos.

O caminho da paz passa pelas vias do perdão e da reconciliação. Um coração rancoroso não pode receber Deus... Quem só exprime ódio, vingança, não pode superar a violência como nos pede a Campanha da Fraternidade deste ano. Somos irmãos! Por que a violência contra o irmão? Toda violência vai contra o 5° Mandamento divino: não matar! A via do amor é a única que é capaz de evitar a onda crescente da violência. Sejamos pregadores e testemunhas do amor de Deus, que rejeitou todo tipo de violência preferindo oferecer a própria vida para nos salvar e mostrar como se constrói o Reino de Amor.

Também vejo como o povo tem fé na pessoa do sacerdote! De um modo geral, o povo confia e procura o sacerdote para receber as graças divinas. O povo sabe que o padre é um ungido do Senhor! Temos sentido o quanto o sacerdote é procurado para ministrar os sacramentos e orientar os que vivem tantas situações amargas e pesadas. O Sacerdote é servo de Deus para o povo. Prega a Palavra de Deus, ministra os Sacramentos (hoje, óleos sacramentais são abençoados para isso), santifica o povo e o apascenta com a responsabilidade de Pastor e cuida, através das pastorais sociais, da vida e da proteção das pessoas. Deus seja louvado!

Mas o sacerdote é humano, é gente. O padre cansa, adoece, envelhece, perde, às vezes, a motivação, fica sufocado com os problemas tantos que, muitas vezes, não sabe como agir e enfrenta as limitações pessoais e as pressões da comunidade.

O próprio Papa fala do cansaço dos sacerdotes. Diz ele: “Sabeis quantas vezes penso nisto, no cansaço de todos vós? Penso muito e rezo com frequência, especialmente quando sou eu que estou cansado. Rezo por vós que trabalhais no meio do povo fiel de Deus, que vos foi confiado; e muitos o fazem em lugares demasiado isolados e perigosos. E o nosso cansaço, queridos sacerdotes, é como o incenso que sobe silenciosamente ao Céu (cf. Sl 141/140, 2; Ap 8, 3-4). O nosso cansaço eleva-se diretamente ao coração do Pai”. Rezo, eu, com o Papa Francisco, pelos padres, para que este seu cansaço seja um incenso agradável a Deus.

O evangelho desta liturgia indica-nos a missão do sacerdote: “levar a Boa-Nova aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e a cura aos cegos, dar a liberdade aos oprimidos e proclamar o ano de graça do Senhor”. O profeta Isaías diz também cuidar daqueles que têm o coração despedaçado e consolar os aflitos.

“Os compromissos mencionados por Jesus envolvem a nossa capacidade de compaixão: são compromissos nos quais o nosso coração estremece e se comove. Alegramo-nos com os noivos que vão casar; rimos com a criança que trazem para batizar; acompanhamos os jovens que se preparam para o matrimónio e para ser família; entristecemo-nos com quem recebe a extrema-unção no leito do hospital; choramos com os que enterram uma pessoa querida... Tantas emoções! Se tivermos o coração aberto, estas emoções e tanto carinho cansam o coração do pastor. Para nós, sacerdotes, as histórias do nosso povo não são um noticiário: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu coração; e o nosso, sofrendo com eles, vai-se desgastando, divide-se em mil pedaços, compadece-se e parece até ser comido pelas pessoas: tomai, comei. Esta é a palavra que o sacerdote de Jesus sussurra sem cessar, quando está a cuidar do seu povo fiel: tomai e comei, tomai e bebei... E, assim, a nossa vida sacerdotal vai-se doando no serviço, na proximidade ao povo fiel de Deus, etc., o que sempre, sempre cansa” (Papa Francisco).

“O seguimento de Jesus é levado pelo próprio Senhor para que nos sintamos no direito de ser e viver ‘alegres’, ‘satisfeitos’, ‘sem medo nem culpa’ e, assim, tenhamos a coragem de sair e ir, ‘a todas as periferias até aos confins do mundo’, levar esta Boa-Nova aos mais abandonados, sabendo que ‘Ele estará sempre conosco até o fim dos tempos’. E, por favor, peçamos a graça de aprender a estar cansados, mas com um cansaço bom!” (Papa Francisco).

A todos os padres da Arquidiocese da Paraíba, os religiosos que aqui servem: Franciscanos, Capuchinhos, Conventuais, Carmelitas, Carmelitas Descalços, Jesuítas, Salesianos, Vicentinos, Combonianos, Dehonianos - Sagrado Coração de Jesus, a minha gratidão pela generosidade de cada um pelo Serviço prestado e tanta doação. Com o dom do ministério sacerdotal de cada um de vós, vamos conseguir levar adiante a missão imensa de assistir ao Povo de Deus que está nesta região da Arquidiocese da Paraíba.

Nossa Senhora da Neves, nossa Padroeira, assista e acompanhe cada um na sua luta por corresponder à missão particular, recebida do Senhor Jesus. Deixem-se acompanhar por nossa Senhora e “façam tudo o que Jesus vos disser”. Amém!


Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

Contatos

  •  Endereço: Palácio do Carmo - Praça Dom Adauto, s/n
    Centro - João Pessoa (PB)
  •  Fone:(83) 3133-1000
  •  E-mail: curia@arquidiocesepb.org.br

Mídias Sociais

Facebook Instagram

© Mitra Arquidiocesana da Paraíba – Todos os direitos reservados