Irmãs Diocesanas. Quem menos merece, mais merece!

”Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos,
mas, sim, os pecadores ao arrependimento” Mc 2:17.

Em se tratando da Misericórdia de Deus, eis a fórmula: Quem menos merece, mais merece!
Isso é a lógica do Amor Misericordioso de Deus que São Paulo deve ter descoberto, pois foi capaz de
dizer: “Se me glorio, me glorio de minhas fraquezas… Porque, quando estou fraco, então, sou forte”
(II Cor 12, 9-10). Tanto sofremos enquanto religiosos por não conseguirmos ser capazes de oferecer
a fidelidade perfeita ao Senhor, entristecemos nossos corações diariamente diante de nossas quedas
e fragilidades, o que, claro, deve nos ser útil à contrição de nossos pecados, mas, no entanto, tantas
vezes não conseguimos utilizar para nos fazer crescer em humildade, em compaixão.

Perceber-nos frágeis e errantes podem gerar em nós dois impulsos: ou nos desesperamos,
entristecendo-nos e enchendo nosso coração de culpa que não passa da vaidade e orgulhos feridos,
o que só nos faz querer abandonar a caminhada para nos fazer ir em busca de algo em que sejamos
bons de verdade e assim não termos que lidar constantemente com os insucessos de nossa condição,
porque na verdade, vivemos com um constante medo da rejeição. Ou ao contrário, a percepção de
nossos limites e fragilidades deve gerar em nós uma contrição perfeita, aquela que alcança a
humildade e a dependência de Deus, nos fazendo crescer e que ainda nos torna mais sensíveis e
compassivos diante das fragilidades dos irmãos. Nós é quem determinamos o efeito que queremos!

Essa é a grande questão: como tenho, afinal, lidado com minhas imperfeições e limites? A
misericórdia de Deus redireciona tudo em nós, ela é capaz de dar sempre mais perdão e paz para
aqueles que entenderam que a fidelidade é construída pela luta, pelo “bom combate”, por “guardar
a fé”, que se não fosse tão assaltada não teria necessidade de sermos exortados pelo Apóstolo Paulo
a tão bem guardá-la.

Amar Jesus é guardar sua Palavra (Jo 14,23), e isso não significa não errar, mas sim torná-la
nossa vida, isso implica o ajuste diário de nossa vida e diante de nossas falhas e quedas mantê-la
como combustível em nosso coração, pois o Senhor veio para o que está doente, não para o são (Mc
2:17). Sejamos, portanto, capazes de entender o valor de reconhecer nossas fraquezas como ímã que
atrai até nós o Amor Misericordioso de Deus, pois “foi ainda quando éramos pecadores…” (Rom 5,
6), que sua infinita Bondade sacrificou-se por Amor de nós, para nos dá a vida e vida em abundância.
Não esperou Ele que merecêssemos Seu Amor, mas foi nossa indignidade, porque exatamente,
somos fracos e doentes e não merecemos que nos Amou, e nos deu em Seu Amor a dignidade!

A ação da Misericórdia em nosso coração e nossa vida também gera em nós sensibilidade,
verdadeira compaixão com as fraquezas de nossos irmãos, começaremos daí a estender a mão para
levantar, perdoar, aceitar e acolher com mais facilidade, quanto mais reconhecermos nossas
fraquezas diante de Deus e nos sentirmos amados e sustentados por Ele, menos forças teremos para
julgar e atirar pedras. Aprenderemos a oferecer esta Misericórdia da qual experimentamos dia após
dia, e tornaremos muito mais suave os fardos que nossos irmãos carregam por suas imperfeições.

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). Felizes
são os pequeninos a quem o Pai quis revelar o Seu Filho, o Seu Amor! E quem encontra o colo desse
Bom Pastor, que é pura Misericórdia e é capaz de deixar as 99 ovelhas para ir ao encontro de nós,
ovelhas tontas que vivemos nos perdendo, é verdadeiramente feliz e nele confia. Quem menos
merece, mais merece! Não devemos nos esquecer jamais disso, porque o demônio quando nos
espreita e leva pela tentação ao pecado quer que perdamos tão somente o colo do Pastor, que
decidamos nós abandoná-lo, pois o demônio sabe que Ele jamais abandonaria… sejamos espertos,
lutemos com toda nossa força para não cair, e se por desventura chegarmos a cair, aproveitemos pra
ir ao encontro desse Bom Pastor que nos espera com seu Lado aberto, com o Seu Coração como
abrigo, cura e perdão, e que por meio do sacramento da reconciliação nos perdoa e ainda nos
alimenta para que retornemos à caminhada ainda mais fortes, seguros e felizes! Assim
conseguiremos como São Paulo exclamar a alegria de sermos fracos, pois aprendemos em nossas
fraquezas fazer-nos fortes e reconciliados conosco e com o Pai da Misericórdia também nos
tornaremos o que Ele é.

“Misericordiosos como o Pai”

O Instituto das Irmãs Diocesanas do Divino Coração é um Instituto de Vida Apostólica cujo Carisma é “Ser Elo entre as ovelhas e o Bom Pastor” tendo como grande inspiração a figura de Maria nas Bodas de Caná, que foi Elo de aliança entre Jesus e o povo, estando atenta e disponível às necessidades do povo. O Coração de Jesus Bom Pastor é o Patrono das Irmãs, sentido e única riqueza. A Espiritualidade Diocesana as faz estarem inseridas na Igreja, com o Povo de Deus, sendo apoio diante das necessidades das Dioceses, Paróquias, Pastorais e Movimentos. São Irmãs da Igreja! Neste ano de 2023, entraram no Ano Jubilar de 10 anos de Fundação do Carisma tendo como berço a Arquidiocese da Paraíba, a qual hoje ofertam-se, oferecem suas orações e sacrifícios diários. Ser Irmã Diocesana é Graça e Missão!

Somente queres que eu te siga…

“Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (lc 14, 26-27).

Seguir o Senhor é caminhar após Ele, carregando a Cruz do sacrifício da nossa
vontade, de nossos sonhos e até mesmo de nossa visão. É tão claro esse desejo de Jesus: de
que apenas O sigamos e quanto tempo ainda perdemos de avançar nesse caminho
preocupados demasiadamente com tantas coisas, com as incertezas, com as respostas que
exigimos possuir para poder andar.

Ora, quem caminha atrás de alguém não precisa ver o caminho, precisa apenas
confiar, logo, podemos perceber que nossos estacionamentos no seguimento do Senhor, no
cumprimento de sua vontade, não são por falta de visão, mas por falta tantas vezes de
confiarmos naquele que vai a nossa frente e que não só caminha, mas, é O caminho! Ele deve
ser a certeza de que não nos perderemos. É preciso confiar, Por que então insistimos em
querer saber o caminho se Ele próprio só deseja que nós o sigamos?

Devemos dedicar nosso tempo em fazer crescer nossa confiança, afinal nos garante
o salmista “É feliz quem a Deus se confia” (sl 1). Podemos largar para trás o medo de errar e
a ânsia de conhecer a Vontade de Deus, o foco é segui-Lo! Dediquemo-nos ao que Ele mesmo
se dedicou: “Eu vim não para fazer a minha vontade, mas a Vontade daquele que me enviou”
(Jo 6, 38). Se nos atentarmos bem a esse texto, Jesus não fala que veio “conhecer”, mas que
veio “fazer” a Vontade do Pai. Outrossim possamos nós também como Ele nos preocuparmos
com o cumprimento de sua Vontade.

E como então saberemos o que fazer, o que realizar, como cumprir? “Como se dará
isso?” disse a Virgem Maria no anúncio do Anjo sobre a Vontade de Deus pra sua vida, e é
perceptível como no texto de Lucas o Anjo não vai esmiuçar o que deverá fazer a Virgem
Maria nessa longa e dura caminhada de ser a Mãe do Salvador. Como pode então Maria não
se perturbar, não errar e ainda responder indubitavelmente “eis aqui a serva do Senhor, façase em mim segundo a Vossa Palavra? O segredo está na Unidade! Disse Jesus: “Eu e o Pai
somos um” (Jo 10, 30). Maria fez-se uma com o seu Senhor, uniu-se intimamente a Sua
Palavra, guardava-a em paz em seu coração, seu Coração e o dele eram um só, o que desejava
o Senhor, realizava Maria. Eram um! Ou não cremos que é imaculado o seu Coração, assim
como o dele?

Entretanto, nós, quando entramos em um Processo Vocacional por exemplo,
queremos mais descobrir que realizar, quando Maria, nesse mesmo processo, se dispôs tão
somente a realizar. O discernimento vem à medida que nos dispusermos a realizar. E são
essas expressões do ensinamento Mariano: “eis aqui”, “faça”, que devem reger o nosso
processo vocacional e toda nossa vida Cristã, porque na verdade o que importa é que O
sigamos! De outro modo acabaremos caminhando em círculos em volta de nós mesmos, em
volta de nossas próprias especulações, medos e curiosidades.
Lancemo-nos!

Quando o Evangelista narra a Vocação/Chamado dos Apóstolos relata a força do
Senhor que chama e a força de quem foi chamado que se lança a segui-Lo, não existe
interrogações, diálogos, nem mesmo muito tempo, eles IMEDIATAMENTE O seguiram.
Vejamos Mateus, que abandona a bancada de impostos e se lança a segui-Lo sem olhar pra
trás ou no relato de quando resolvem interrogar Jesus diante do chamado que é respondido
com outro chamado: “Vinde e vede”, ou seja, apenas quero que tu me sigas.

Por conseguinte, a Vida Consagrada é uma vida de seguimento, de um eterno lançarse atrás do Caminho, da Verdade e da Vida e é isso que nos assegura a Eternidade, estamos
aqui na temporalidade, mas caminhamos seguindo a Vida, portanto não poderá nem mesmo
a morte nos separar dela. Caminhemos, pois, felizes e seguros!

Qual riqueza pode haver em deixar tudo, sacrificar tudo, perder mesmo a condução
e direção de nosso caminhar? Foi também o questionamento de Pedro: “Nós deixamos tudo
e te seguimos; o que será, pois, de nós?” (Mt 19, 27). Ora, os mesmos questionamentos que
nos invadem são os do coração de Pedro, estamos mesmo seguros? Valerá mesmo a pena?
Haverá justa recompensa, diante do que estamos oferecendo? Não poderíamos ser mais
bem-sucedidos em outra vida? E, claro, que assim como a nós Jesus não deixou Pedro sem
resposta: “Todo aquele que abandonar a sua casa, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos e terras por
minha causa, receberá em recompensa cem vezes mais, e terá a vida eterna”. Nós podemos
esperar o que mais? Que maior riqueza poderia nos ser oferecida ou poderíamos conquistar
com nossas próprias mãos? Ganhamos o cêntuplo, seu Coração, e a Vida Eterna! Seu Amor é
100 vezes mais que qualquer amor que abandonamos por Ele.

Somente queres que eu te siga… Que essa verdade tire de nós o medo e nos encha
de vigor e valentia para caminhar atrás dele sendo quem somos, com nossas cruzes e lutas,
que tanto nos purificam para melhor encaixarmos nossos pés em suas pegadas de Amor! Que
seja também esse o motivo da nossa alegria. Somos ricos, escolhidos e separados por Jesus
para ser no mundo Mensagem do Amor do seu Sacratíssimo Coração que regenera,
transforma, dá a vida e salva!

“Onde há Consagrado há Alegria”
Vivat Cor Iesu!

O Instituto das Irmãs Diocesanas do Divino Coração é um Instituto de Vida Apostólica cujo Carisma é “Ser Elo entre as ovelhas e o Bom Pastor” tendo como grande inspiração a figura de Maria nas Bodas de Caná, que foi Elo de aliança entre Jesus e o povo, estando atenta e disponível às necessidades do povo. O Coração de Jesus Bom Pastor é o Patrono das Irmãs, sentido e única riqueza. A Espiritualidade Diocesana as faz estarem inseridas na Igreja, com o Povo de Deus, sendo apoio diante das necessidades das Dioceses, Paróquias, Pastorais e Movimentos. São Irmãs da Igreja! Neste ano de 2023, entraram no Ano Jubilar de 10 anos de Fundação do Carisma tendo como berço a Arquidiocese da Paraíba, a qual hoje ofertam-se, oferecem suas orações e sacrifícios diários. Ser Irmã Diocesana é Graça e Missão!

Tudo é secundário Irmãs Diocesanas.

Madre Isis Stela dos Santos.

No mistério da vida Consagrada, a vida de Oração é como âncora, que deve nos
prender em Deus e impedir que as correntezas nos arrastem nos levando para
longe de sua Vontade! Na maioria das vezes um Consagrado não desiste da sua
caminhada porque quer deixar Jesus, sempre alega circunstâncias que não o
permitem continuar no seguimento, no entanto, o que pouco se percebe é como
se chegou as tais circunstâncias… cada minuto que perdemos diante de Jesus é
como uma inquietude adquirida que aos poucos e somada a outras vão nos
levando ao caos da frustação, desânimo, confusão e por fim da desistência.
Na vida que abraçamos precisamos ter muito cuidado para que o ativismo não
se torne a grande causa de estarmos falhando na vida de Oração! Quanto temos
nos dedicado a contemplação? Quanto temos nos dedicado a não fazer nada
para deixar que Ele faça algo em nós? Sim, o nosso ativismo pode até parecer
útil por edificar a muitos ao nosso redor, mas muitas vezes acaba sacrificando
a melhor parte que escolhemos e abraçamos em nossa vida consagrada. É
necessário estar com Jesus!

Lembremos de São João Paulo II, como priorizava a Oração, como se demorava
nas capelas em Adoração, tanto que era necessário que fossem fechadas quando
ele fosse passar pelos corredores para que ele não acabasse entrando e perdendo
seus compromissos de Papa! Ele nos ensinou muito bem que tudo precisa ser
secundário! Tudo precisa vir depois de nossa hora preciosa, a hora de estar com
Jesus, hora santa que nos santifica.

Tudo precisa ser secundário! Talvez essa seja a grande conversão que
precisamos! Em primeiro lugar deve estar o Coração Eucarístico de Jesus, nosso
Senhor e Amor. Já rezei hoje? Já meditei a Palavra hoje? Já abasteci meu
espírito? Essas devem ser as maiores preocupações de nossas almas, caso
contrário, todo resto do que fizermos no dia será inútil. O que fazemos nada se
torna se não o consagrarmos antes a Quem de fato tudo faz!

Tudo deve ser secundário e talvez o nosso maior pecado seja esse, colocar a
oração como secundária, deixar o nosso momento com Jesus para depois, para
o fim, para quando for possível, fazê-la mal, vive-la pensando no que temos
para fazer depois… Só conseguiremos ser castos, pobres e obedientes se
estivermos cheios daquele que de fato é Casto, Pobre e Obedientíssimo. Se O
deixamos por secundário, acabamos nos enchendo de nós mesmos ou pior nos
enchendo do mundo e assim nos tornando o que o mundo é.

Tudo precisa esperar. Tudo pode esperar! Afinal, é isso que nos torna separados
do mundo, é isso que indivisa nosso coração. Mesmo as almas podem esperar,
mesmos os pobres podem esperar, pois dizia Santa Madre Teresa de Calcutá às
suas irmãs que se não rezassem não deviam ir ao encontro dos pobres porque
não teriam o que oferecer a eles. Quando era questionada de como realizava
tantas obras de caridade aos pobres sempre respondia dizendo: “Sou apenas um
mulher que reza”. Por isso, nossa prioridade precisa ser estar com Jesus, ou
acabaremos nos perdendo no meio de feitos infecundos e frustrantes.

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu” (ecle
3,1), mas tudo pode esperar! Insisto, tudo pode ser feito depois, por mais
urgente que seja. O Amado escondido sob o véu do Sacramento, a nossa vida
de oração, precisa ser nossa preferência de todos os dias, nosso primeiro olhar,
nossa primeira comunicação, intuição, esforço, cuidado, preocupação, devem
ser sempre Ele! Todo resto deve ser secundário, e é isso que harmoniza até
mesmo nossa vida Fraterna. Se adorarmos mais nós iremos contemplar mais
frutos, assim pensava São João Paulo II que se não tivesse muitos
compromissos dizia ter que adorar 1 hora, mas se tivesse muitos compromissos
então teria que adorar mais, dizia que ia precisar adorar 3 horas!

Não podemos ser missionários sem antes sermos contemplativos, precisamos e
primeiro ouvir a mensagem do Amor e só depois é que poderemos anuncia-la.
É necessário primeiro nos enchermos de Deus para depois leva-lo aos corações.
Nossa missão não é prioridade, nem deve jamais ser. Nossa missão é
consequência de nossa vida encontrada no altar do Senhor, encontrada em seu
Amor que nos preenche e nos lança ao encontro de seus pequeninos, de suas
ovelhas desencontradas que caminham a nossa espera… Se invertemos essa
ordem, tudo se transforma em desordem, frustação e não veremos jamais frutos.

Se muito O amamos e o amamos com prioridade não nos cansaremos…
“descansaremos no Amor” como dizia Santa Madre Teresa em sua biografia.
Tudo deve ser secundário em nossa vida, tudo passa, tudo se refaz. Por isso,
amemos a Jesus com PRIORIDADE! Nada deve estar acima daquele que nos
desposou e nos fez seus. Somos pertença de Deus!

O Instituto das Irmãs Diocesanas do Divino Coração é um Instituto de Vida Apostólica cujo Carisma é “Ser Elo entre as ovelhas e o Bom Pastor” tendo como grande inspiração a figura de Maria nas Bodas de Caná, que foi Elo de aliança entre Jesus e o povo, estando atenta e disponível às necessidades do povo. O Coração de Jesus Bom Pastor é o Patrono das Irmãs, sentido e única riqueza. A Espiritualidade Diocesana as faz estarem inseridas na Igreja, com o Povo de Deus, sendo apoio diante das necessidades das Dioceses, Paróquias, Pastorais e Movimentos. São Irmãs da Igreja! Neste ano de 2023, entraram no Ano Jubilar de 10 anos de Fundação do Carisma tendo como berço a Arquidiocese da Paraíba, a qual hoje ofertam-se, oferecem suas orações e sacrifícios diários. Ser Irmã Diocesana é Graça e Missão!

Seguir é configurar-se

A chamada de Jesus para segui-Lo é o que certamente inquieta a vida de
tantos jovens, homens e mulheres, despertando neles o desejo de resposta, mas
também faz surgir diversos questionamentos e indagações sobre tal caminho a se seguir.
Jesus em sua vida pública foi sempre acompanhado de grandes multidões, sempre
arrastava pessoas que por motivos diferentes queriam ouvir sua Palavra, receber
milagres, assistir as curas e até perseguidores que tentavam pegá-lo em contradição a
lei judaica. Nesse contexto, diz Jesus: “Eu sou o Bom Pastor” (Jo 10, 14), numa linguagem
bíblica, pastor pressupõe a mais extrema ternura e compaixão, a terna misericórdia do
coração de Deus pelo seu povo e é assim que Jesus se revela e ilumina aqueles que são
chamados a continuar a missão de apascentar as suas ovelhas. Revelando sua identidade
compassiva e sua missão de pastoreio Jesus também nos convida a uma intimidade.
Seguir Jesus requer intimidade: relação estreita, convívio próximo, assim como foram
com seus apóstolos que Ele formou.

Entretanto, seguir Jesus tem seus desafios, implica planejamento, não é
algo impulsivo ainda que exija prontidão. Quando Jesus se direciona as multidões no
evangelho vai colocando as exigências desse seguimento, “Se alguém vem a mim, mas
não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs
e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não
caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,25-33), ou seja, há de fato
critérios para tal seguimento, e Ele continua dizendo ser necessário planejamento, é
preciso calcular se estamos realmente dispostos, se iniciando tal processo, seremos
mesmo capazes de continuar a luta… Afinal, seguir Jesus é configurar-se!

O objetivo do seguimento é a identificação com Jesus Cristo, nosso Bom
Pastor e essa identificação é o que chamamos de configuração, pois não se trata apenas
de se identificar com a Pessoa de Jesus Cristo ou de se sentir atraído por Ele, mas, de
uma configuração plena no assumir sua vida, como nos diz o apóstolo Paulo: “e já não
sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20), essa é a santidade que somos
chamados a assumir em nossa vida consagrada.

Buscar a configuração com o seu Coração manso e humilde é assumir sua
vida, sua vida de pastor e missionário, que é inquieto em dar sua vida pelas ovelhas.
Configurar-se a Ele: este é o caminho. Ele é o caminho! Nos discípulos de Emaús vemos
também o mistério desta configuração que se desperta no encontro com o ressuscitado
que se apresenta no caminho e faz arder o coração com sua Palavra, mas que se
compreende no partir do pão, na oferta, no fazer-se alimento nos impele a ir ao encontro
e inquieta a anunciar, nos faz missionários. Assemelhados a Ele teremos sempre os pés a caminho, afinal Ele é aquele que não se cansa, que é capaz de deixar as 99 e ir ao encontro da que se perdeu, jamais se acomoda no redil, é inquieto no amor, cheio de uma compaixão que é inquietante.

No entanto, seguir Jesus como um processo de configuração é trabalho
árduo que requer entusiasmo e perseverança, somos demasiadamente levados à
estacionar, não nos acomodemos. Nosso chamado à santidade nos convida a assumir a
fisionomia de Jesus, imprimindo em nós seus sentimentos, a santidade do seu coração,
e nos tornarmos cada vez mais parecidos com Ele e isso deve começar já, não se pode
esperar. Santa Teresinha já dizia: só temos hoje, assumir em nós a sua vida, nos
parecermos com ele isso é se configurar, isto é seguir! Deve ser essa nossa maior
preocupação vocacional, viver na intimidade de Jesus Bom Pastor nos configurando cada
dia mais a Ele, assumindo sua vida, sua compaixão, sua missão. É nessa relação que deve
ser nutrida a caridade pastoral que é a virtude que anima e guia a vida espiritual e
missionária diocesana.

O Instituto das Irmãs Diocesanas do Divino Coração é um Instituto de Vida Apostólica cujo Carisma é “Ser Elo entre as ovelhas e o Bom Pastor” tendo como grande inspiração a figura de Maria nas Bodas de Caná, que foi Elo de aliança entre Jesus e o povo, estando atenta e disponível às necessidades do povo. O Coração de Jesus Bom Pastor é o Patrono das Irmãs, sentido e única riqueza. A Espiritualidade Diocesana as faz estarem inseridas na Igreja, com o Povo de Deus, sendo apoio diante das necessidades das Dioceses, Paróquias, Pastorais e Movimentos. São Irmãs da Igreja! Neste ano de 2023, entraram no Ano Jubilar de 10 anos de Fundação do Carisma tendo como berço a Arquidiocese da Paraíba, a qual hoje ofertam-se, oferecem suas orações e sacrifícios diários. Ser Irmã Diocesana é Graça e Missão!