Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap
A Ressurreição de Cristo, nossa Páscoa, não apenas remiu os pecados da humanidade e nos abriu as portas da salvação — ela nos comunica a verdadeira paz. Ao ressuscitar, Jesus Cristo, nosso Senhor, restaura em nós a dignidade humana, tantas vezes ferida pelo pecado, e pacifica o coração inquieto do homem. Ao devolver-nos essa dignidade, também nos envia: somos chamados a reconhecê-la e promovê-la no outro, por meio de gestos concretos, trilhando o caminho seguro da caridade, que é fonte de paz duradoura.
A Páscoa é, antes de tudo, o supremo ato de amor de Deus pela humanidade. É entrega total. Cristo morre na Cruz, vence a morte e, ressuscitado, comunica-nos, pelo seu Espírito Santo, a esperança que não decepciona, a dignidade que nos reergue e a paz que o mundo não pode dar.
É o Espírito do Ressuscitado que nos fortalece e imprime em nossas almas um ardente desejo de cuidar dos que mais precisam. A Cruz e a Ressurreição não são apenas mistérios a serem contemplados, mas uma realidade que nos envia: nelas reconhecemos a Misericórdia de Deus e ouvimos o chamado a servir o Cristo presente no próximo, sobretudo naquele que sofre, pois não há paz verdadeira sem caridade.
Como nos recorda o Papa Leão XIV: “À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar.” Essa exortação ilumina o sentido profundo da Ressurreição: Cristo nos dá a sua paz e nos envia como construtores dela no mundo.
Nesse caminho, o empenho na caridade se apresenta como estrada segura que nos conduz ao céu. Amar concretamente, servir com generosidade e sair de si em direção ao outro é já viver a paz do Ressuscitado no tempo presente. Assim, somos chamados a plantar no mundo a esperança do Evangelho de Cristo Ressuscitado, tornando-nos sinais vivos de que o amor é mais forte que a morte.
Assim, celebrar a Páscoa é assumir um compromisso concreto com a vida nova que Cristo nos oferece. Não basta reconhecer a dignidade restaurada em nós; é preciso torná-la visível no cuidado com os mais frágeis, na promoção da justiça e na vivência cotidiana da caridade. Onde há indiferença, somos chamados a semear compaixão; onde há divisão, a construir pontes; onde há dor, a levar consolo — e assim fazer florescer a paz.
Que a luz do Ressuscitado nos transforme profundamente e nos faça testemunhas vivas de sua vitória. Renovados por sua graça, sejamos instrumentos de paz em meio às inquietações do mundo, certos de que a vida venceu a morte e de que o amor de Deus continua a agir, silenciosa e poderosamente, na história.
