Artigos do Bispo, Destaque

O Sacramento da Eucaristia, juntamente com os outros sacramentos que iniciam a vida cristã, Batismo e Crisma, constituem a origem da própria vida da Igreja. A Igreja não vive sem a Eucaristia. Esta “constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-Se Pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos”(Papa Francisco). A Eucaristia sempre nos põe diante da Misericórdia, ou melhor, coloca-nos para dentro do lado aberto do Senhor na cruz. Aqui nos encontramos diante do maior ato de caridade visto pelos homens e mulheres, “a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem” (Papa Emérito Bento XVI).

 

O último sínodo realizado pela Igreja, o da Amazônia, reafirmou que a Eucaristia é o grande sacramento que opera a unidade da Igreja (Cf. Exortação Pós-sinodal Querida Amazônia, n. 91). A unidade da Igreja é fortemente um fruto da comunhão que fazemos com Deus e com os nossos irmãos. Chamamos facilmente a Eucaristia de comunhão, e não é errado chamá-la assim. Mas que tipo de comunhão esse sacramento exige? O Papa Francisco em uma de suas catequeses sobre os sacramentos, afirmou que fazer comunhão significa participar da mesa eucarística que prontamente, mediante nossa fé e por graça do Espírito Santo, nos conforma a Cristo de maneira singular e profunda. Ele ainda diz que o fim dessa comunhão, em plena comunhão com o Pai, nos levará ao banquete do céu, juntamente com todos os santos. A Eucaristia é o alimento que nos fala das coisas futuras, mas também nos fala da caridade que gera unidade ainda neste mundo.

 

O nosso serviço de caridade junto aos pobres e necessitados, sinal da unidade querida pelo Senhor, é consequência bendita da Eucaristia que celebramos em nossas Igrejas e Capelas. Quando perdemos tempo com divisões, deixamos de evangelizar os pobres, deixamos de estar próximos a estes.

 

E o que fazer para que o nosso povo conheça mais sobre a importância da Eucaristia? “A melhor catequese sobre a Eucaristia é a própria Eucaristia bem celebrada” (Sacramentum Caritatis, n. 64). A doutrina cristã não é um amontoado de regras antiquíssimas, mas trata de uma Pessoa, de uma experiência real com a Pessoa de Jesus Cristo. Quando participamos ativamente da Missa, que não significa fazer coisas ou assumir funções dentro dela, o nosso coração realmente ancora-se no Senhor. Somos banhados pela Sua Misericórdia e passamos a ter em conta no coração e no convívio aqueles que são os nossos irmãos: os mais necessitados, os pobres, os prediletos do Senhor. Que a Virgem Santíssima, a Mulher Eucarística, nos ajude a comungar a vida do Senhor em consonância com as necessidades dos mais pobres, como Ela fez ao correr ao encontro de sua prima Isabel (CFf. Lc 1,39). A verdadeira comunhão eucarística nos coloca apressadamente a caminho dos outros!

 

Dom Frei Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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Destaque, Notícias

Neste dia 6 de fevereiro, faz 106 anos que a então Diocese da Paraíba foi elevada à Sede Metropolitana, ou seja, tornou-se Arquidiocese. Aproveitamos a data para explicar a diferença entre Diocese, Arquidiocese e relembrar que a ArquiPB não corresponde a todo Estado.

 

PROVÍNCIA / DIOCESE / ARQUIDIOCESE

 

De forma muito prática, pode-se dizer que Arquidiocese é Sede de uma Província. As Províncias são um grupo de Dioceses e uma Arquidiocese e não necessariamente correspondem à mesma área geográfica de um Estado. Por exemplo: no Nordeste, exceto na Bahia, cada Estado é uma Província Eclesiástica. Mas no RJ, por exemplo, existem 2 Províncias. Em São Paulo, são 6 Províncias Eclesiásticas. Na Bahia, 3. Esta divisão leva em consideração o território e a densidade populacional. O objetivo dessa divisão é meramente pastoral: promover uma ação comum por parte de Dioceses vizinhas e favorecer eficazmente a mútua relação entre os Bispos, fomentando a evangelização. Um conjunto de Províncias forma um Regional.

 

A Arquidiocese da Paraíba está no Regional Nordeste 2, formado pelas Províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Ao todo, são 17 Dioceses e 4 Arquidioceses

As Arquidioceses são as Sedes das Províncias e os Bispos recebem o título de Arcebispos. Os Arcebispos não são “chefes” dos demais Bispos, mas eles têm a missão de, como Metropolitas, convocar as reuniões da Província, funções jurídicas no caso de afastamento do Bispo de uma Diocese, promover ações comuns entre os Bispos / Dioceses da Província, etc.

 

ARQUIDIOCESE DA PARAÍBA, MAS NÃO DE TODO O ESTADO

 

É muito comum as pessoas acharem que a Arquidiocese da Paraíba é a Igreja Católica do Estado da Paraíba. Esta confusão acontece, claro, por causa do nome da Igreja Particular (Igreja Particular = Diocese ou Arquidiocese). “Corriqueiramente recebemos solicitações de informações de Paróquias que são do sertão, do cariri, do agreste… As pessoas buscam pela Arquidiocese da Paraíba achando que respondemos por todo Estado. Aí temos que explicar sempre que essas paróquias são de outras Dioceses e nós não temos jurisdição sobre elas”, explica Polyanna Gomes, que trabalha no Setor de Comunicação.

 

A Arquidiocese da Paraíba recebeu este nome porque, na época da sua criação, a cidade de João Pessoa se chamava Parahyba do Norte. A Diocese da Paraíba foi criada em abril de 1892 e foi elevada à Arquidiocese em 6 de fevereiro de 1914. Parahyba do Norte passou a se chamar João Pessoa em setembro de 1930, mas o nome da Arquidiocese se manteve.

 

Também em 6 de fevereiro de 1914, quando a Arquidiocese foi elevada, foi criada a Diocese de Cajazeiras. Em 1949 foi criada a Diocese de Campina Grande e 10 anos depois, em 1959, foi criada a Diocese de Patos. A última divisão aconteceu com a criação da Diocese de Guarabira em 1980. Portanto, a Igreja Católica na Paraíba tem 4 Dioceses e 1 Arquidiocese, 4 Bispos e 1 Arcebispo, que respondem por suas respectivas regiões.

 

ARQUIPB EM NÚMEROS

 

A Arquidiocese da Paraíba corresponde à cidade de João Pessoa e mais 33 municípios, totalizando uma população estimada em 1.596.00 habitantes, de acordo com o último senso do IBGE.  Atualmente são 94 Paróquias, 3 Áreas Pastorais (quase Paróquias), 1 Reitoria e 9 Santuários. Para melhor atuação pastoral, a Arquidiocese é dividida em 9 Foranias, que dividem o território por região: Agreste, Centro, Litoral, Praia Norte, Praia Sul, Urbana Sul, Vale do Mamanguape e Várzea.

 

O clero é numeroso. Hoje a Arquidiocese conta com 134 padres diocesanos (formados nos seminários diocesanos) e 40 padres religiosos (formados em congregações. Ex: franciscanos, salesianos…). Além disso, hoje existem 48 Diáconos Permanentes e também cerca de 200 religiosas.

 

Nestes 106 anos de Arquidiocese, já passaram pelo governo eclesial Dom Adaucto Henriques, Dom Moisés Coelho, Dom Mário Vilas-Boas, Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Carvalheira e Dom Aldo Pagotto. Atualmente, Dom Manoel Delson, franciscano capuchinho, conduz o pastoreio da Arquidiocese, que tem como Padroeira Nossa Senhora das Neves, comemorada no dia 5 de agosto, data que marca também o aniversário da capital João Pessoa.

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