Seguir a luz do Senhor

Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz,OFMCap

Na Epifania do Senhor, a Igreja proclama com alegria que Deus se manifesta ao mundo e deixa-se encontrar por todos os povos. Após o nascimento de Jesus, essa presença salvadora torna-se visível e luminosa: uma estrela guiou os Reis Magos até a pobreza de Belém: “Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2,2). O Senhor pode ser reconhecido até pelos que vêm de longe; e a perturbação de Herodes, que por vezes também se aloja em nosso interior, cede lugar à alegria do amor de Deus, que continuamente deseja envolver-nos, libertando-nos dos medos e das falsas seguranças.

A Epifania do Senhor revela-nos que Deus é luz e que nos quer vivendo nessa luz: “Ergue-te, Jerusalém, e resplandece, porque chegou a tua luz, e a glória do Senhor se levanta sobre ti” (Is 60,1). O caminho percorrido pelos Magos do Oriente propõe-nos uma procissão que ainda hoje avança: a procissão de homens e mulheres que encontraram Jesus, a Luz do mundo. Como recorda o Papa Francisco: “Para encontrar Jesus, é preciso planejar um itinerário diferente, tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde. E perseverar nele. Os Magos, tendo encontrado Jesus, voltaram por outro caminho, diferente do de Herodes, distinto do caminho do mundo.”

Mas o que buscavam, afinal, os Magos? Seria apenas a curiosidade diante do destino de uma estrela? Eles vão à frente dessa grande procissão que nos precede; inauguraram o caminho dos povos pagãos rumo a Cristo. Buscavam algo mais profundo. Não eram apenas homens de ciência, nem desejavam acumular conhecimento. Seus corações ansiavam pelo encontro com o amor na verdade. Seguiram a estrela de suas vidas; aquela luz santa e vigorosa que se acendeu na noite do Natal e passou a brilhar para eles, irradiando-se para toda a terra.

O Senhor tornou visível o Seu amor, antes escondido na simplicidade da manjedoura de Belém, para que fosse anunciado a todos os pecadores. Jesus é o Sol que surgiu no horizonte da história para iluminar a existência pessoal de cada um de nós. Em nosso coração há sempre um anseio pela verdade; mesmo quando nos deixamos iludir pelas trevas do pecado, nascemos para encontrar o Senhor. Ele é a luz perene que desponta no caminho da nossa vida.

O amor do Senhor não se esconde. É verdade que se manifesta de modo silencioso, mas é irresistível. Neste tempo luminoso do Natal do Seu Filho, Deus deseja dissipar as trevas de nossas vidas e presentear-nos com o Seu próprio amor, um amor perfeito e desinteressado. Que Nossa Senhora nos ajude a amar, a cada dia, o Senhor. O amor a Deus exige conversão. Eis o caminho dos Magos do Oriente!