Catedral, Neves e Penha: um pouco da história da devoção Mariana na ArquiPB

O Rio Sanhauá foi a “porta de entrada” dos colonizadores aqui nas terras que hoje conhecemos como João Pessoa. Foi no alto da colina, local que foi para os portugueses um ponto de conquista territorial, que foi construída a igreja dedicada à Nossa Senhora das Neves, hoje nossa Catedral Basílica. Era o costume dos portugueses dedicar suas conquistas ao santo do dia e, mesmo não tendo uma devoção no Brasil, eles acharam que este seria o momento de trazer a devoção a Santa Maria Maior às novas terras, já que o marco da conquista foi o dia 05 de agosto. Assim nasceu a devoção àquela que se tornou, também, a padroeira de todo estado da Paraíba.

Catedral e Rio Sanhauá – Foto: Arquivo ArquiPB

A história da construção da Basílica, a primeira imagem e as primeiras procissões estão registradas em obras literárias e nos livros de tombo desta Igreja Particular. O assessor cultural da Arquidiocese, o professor Augusto Moraes, explica que muitas incógnitas formam o quebra-cabeça da desta história. “Nem os historiadores mais antigos relatam sobre a existência da primeira imagem de N. Sra das Neves. Pelo tempo histórico, estudiosos sustentam a tese de que não havia ainda, no Brasil, imagem de Santa Maria Maior, então a primeira imagem teria sido, portanto, uma tela”. Augusto também fala sobre as várias etapas da construção da igreja que hoje é a Catedral. “A primeira construção foi uma igreja pequena e de taipa (…). Cerca de 40 anos depois, a estrutura já bem deteriorada, uma nova igreja foi construída e marca a invasão holandesa no território. Já no final do século XVII, início do século XVIII, vem a construção da terceira igreja, já com a estrutura que perdura até ao dias atuais”.

As primeiras manifestações populares, com festas organizadas pelo povo (quermesse) são datadas já a partir do século XIX. Antes deste período, há registro de realização de novenas, pois era um costume português para celebração do santo padroeiro. O Mons. Robson Oliveira, pároco da Catedral, relata o carinho das pessoas com a Catedral e com a padroeira. “A Catedral é um elo do povo com a sua Igreja. Representa a unidade do nosso povo católico. É o lugar de onde o arcebispo faz seus pronunciamentos e onde o povo vem festejar a sua devoção à mãe de Deus”. Ele relata as mudanças na forma de festejar N. Sra das Neves. “A festa já foi um palco para pessoas abastardas da cidade. Houve um tempo que a festa das Neves servia para famílias ricas se exibirem, exibir suas filhas em um cenário que não lembra em nada o que vivemos hoje, graças a Deus. A festa das Neves hoje é do povo, das pessoas de todas as classes, todas as cores, todas as idades. A festa tem o seu rito litúrgico e tem o brilho da tradição popular, com festa de rua onde as pessoas se confraternizam em torno da devoção à nossa padroeira”, relata.

NOSSA SENHORA DA PENHA

Outra devoção muito forte na Paraíba é a devoção à Nossa Senhora da Penha. A tradicional romaria, conhecida em todo Estado, reúne centenas de milhares de pessoas e já existe há mais de 200 anos. Mons. Nereudo Freire, reitor do Santuário da Penha, conta como se deu o início desta devoção aqui na Paraíba. “Em 1762 um grupo de navegadores portugueses ficou à deriva no barco, próximo à praia do Aratu (hoje Praia da Penha). Na aflição, eles pediram a intercessão de Nossa Senhora e prometeram, caso conseguissem escapar com vida, construir uma capela para ela. Em 1763 eles construíram a capelinha no alto do morro, dedicada à Nossa Senhora da Penha, em um local de passagem, onde muitas pessoas transitavam diariamente. Era uma capela pequena, simples e, em frente a ela, havia um grande terraço. Com o passar do tempo, as pessoas criaram o hábito de parar na capela para fazer uma rápida oração e, no terraço, era costume fazer a partilha de alimentos, de lanches. Era como um momento de confraternização rápida entre tantos trabalhadores que ali passavam rotineiramente”.

Capela Antiga de N. Sra da Penha. Foto: Roberval Borba

Com o tempo, eram tantas pessoas devotas, que começaram a ser realizadas procissões populares com a imagem da capela. Atualmente, a capela ainda existe, é um local muito visitado e, em frente, foi construída uma igreja maior para abrigar o volume de fieis, que foi aumentando ano após ano até chegar à procissão que conhecemos hoje, o maior evento religioso do Estado. O Santuário da Penha recebe visitantes devotos diariamente e hoje conta com melhor estrutura para acolher a todos.

+ no podcast:
a história da devoção mariana
desde a Igreja primitiva e a devoção
a Nossa Senhora das Neves e
a Nossa Senhora da Penha na Paraíba.

E mais: Detalhes históricos e relatos de fé

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