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“É preciso ter amor e carinho por tudo que se faz na vida”, disse Manoel Xavier de Araújo ao iniciar a entrevista. Hoje, aos 87 anos, ele transborda alegria em falar dos seus 50 anos de dedicação à Igreja da Paraíba na missão do diaconato permanente.

Aos 13 anos de idade decidiu ingressar no Seminário Salesiano da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Queria entender o divino, queria compreender alguns mistérios da vida. Aos 20 anos, curioso e estudioso, decidiu pedir ao seu Prior um tempo: um período sabático de um ano, uma experiência fora dos muros do seminário, pois só assim, poderia entender se realmente queria seguir a vocação sacerdotal. “Pedi essa experiência para conhecer a realidade do mundo, pois um dos meus grandes desejos era estar em missão na África, era estar em missão em outros países, e eu acreditava que só assim iria decidir se queria ser padre ou não”, explica o diácono.

Decidiu nesse ano sabático ingressar no exército. Foi transferido para Fernando de Noronha (PE) e, tempos depois, foi alocado na cidade de João Pessoa. “Eu não conhecia nada aqui, era muito envergonhado e já estava percebendo toda a responsabilidade de servir ao exército do meu país”, relata. Em uma noite de festa na praça que ficava em frente ao seu dormitório, ele saiu para passear e lá conheceu sua esposa, Rosa Maria. No outro dia enquanto acompanhava com o olhar a procissão de São José que passava próximo ao quartel, ela o avistou e foi conversar com ele. Descobriram que eram conterrâneos e logo se apaixonaram.

Em janeiro de 1954, ele seguia para Natal com o objetivo de pedir ao seu Prior mais um ano sabático, mas recebeu a negativa e o ultimato de, caso não se apresentasse até o dia 5 de fevereiro a sua vaga seria preenchida. Decidiu então noivar e casar e, três anos depois, participou de um curso para Professor de Ensino Religioso, por indicação do Arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires. Após finalizar o curso, Dom José o chamou para uma conversa. “Ele foi logo me dizendo que estava abrindo no seminário vagas para ordenar diáconos permanentes, que eram homens casados que serviriam na Igreja e que eu era seu primeiro candidato a participar dessa turma”, lembra o diácono. “Eram 16 colegas, todos homens acima dos 50 anos e só tinha eu jovem, com 27. Muitos não queriam minha participação, mas Dom José confiava e acreditava em mim”, recorda saudoso.

Manoel Xavier de Araujo é um dos primeiros diáconos ordenados do Brasil e o primeiro do Estado da Paraíba. Foi considerado por Dom José Maria Pires o diácono missionário, que tinha a missão de preparar áreas pastorais para se tornarem paróquias. Rangel, Cristo, Várzea Nova, todas essas áreas foram preparadas pela coragem, pela fé e pelo amor que tinha ao serviço diaconal. “Em Aparecida, no bairro do Cristo, eu cobria uma área de 26 comunidades, conhecendo a vida e a fé de cada um, porque eu acredito que é preciso ter humildade para esse trabalho que requer amor e carinho por cada pessoa que você conhece”, afirma Manoel.

 

“Enquanto tiver voz e energia, servirei ao Senhor”




O Diácono Manoel Xavier celebrou 50 anos de Ordenação Diaconal no dia 11 de janeiro de 2020, na Paróquia São Francisco das Chagas, que fica no Bairro do Rangel em João Pessoa, onde realizou sua primeira missão como diácono. Ele recorda de todos que o auxiliaram nessa caminhada, como amigos queridos de todas as áreas pastorais e paróquias por onde passou, além dos frades franciscanos que o apoiaram em sua caminhada pastoral. “Precisamos ser gratos àqueles que nos deram a mão, precisamos também ser perseverantes, pois é a perseverança o centro de nossa caminhada na fé. Enquanto eu tiver voz e energia, estou oferecendo meu serviço as obras do Senhor”, concluiu.

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O Sacramento da Eucaristia, juntamente com os outros sacramentos que iniciam a vida cristã, Batismo e Crisma, constituem a origem da própria vida da Igreja. A Igreja não vive sem a Eucaristia. Esta “constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-Se Pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos”(Papa Francisco). A Eucaristia sempre nos põe diante da Misericórdia, ou melhor, coloca-nos para dentro do lado aberto do Senhor na cruz. Aqui nos encontramos diante do maior ato de caridade visto pelos homens e mulheres, “a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem” (Papa Emérito Bento XVI).

 

O último sínodo realizado pela Igreja, o da Amazônia, reafirmou que a Eucaristia é o grande sacramento que opera a unidade da Igreja (Cf. Exortação Pós-sinodal Querida Amazônia, n. 91). A unidade da Igreja é fortemente um fruto da comunhão que fazemos com Deus e com os nossos irmãos. Chamamos facilmente a Eucaristia de comunhão, e não é errado chamá-la assim. Mas que tipo de comunhão esse sacramento exige? O Papa Francisco em uma de suas catequeses sobre os sacramentos, afirmou que fazer comunhão significa participar da mesa eucarística que prontamente, mediante nossa fé e por graça do Espírito Santo, nos conforma a Cristo de maneira singular e profunda. Ele ainda diz que o fim dessa comunhão, em plena comunhão com o Pai, nos levará ao banquete do céu, juntamente com todos os santos. A Eucaristia é o alimento que nos fala das coisas futuras, mas também nos fala da caridade que gera unidade ainda neste mundo.

 

O nosso serviço de caridade junto aos pobres e necessitados, sinal da unidade querida pelo Senhor, é consequência bendita da Eucaristia que celebramos em nossas Igrejas e Capelas. Quando perdemos tempo com divisões, deixamos de evangelizar os pobres, deixamos de estar próximos a estes.

 

E o que fazer para que o nosso povo conheça mais sobre a importância da Eucaristia? “A melhor catequese sobre a Eucaristia é a própria Eucaristia bem celebrada” (Sacramentum Caritatis, n. 64). A doutrina cristã não é um amontoado de regras antiquíssimas, mas trata de uma Pessoa, de uma experiência real com a Pessoa de Jesus Cristo. Quando participamos ativamente da Missa, que não significa fazer coisas ou assumir funções dentro dela, o nosso coração realmente ancora-se no Senhor. Somos banhados pela Sua Misericórdia e passamos a ter em conta no coração e no convívio aqueles que são os nossos irmãos: os mais necessitados, os pobres, os prediletos do Senhor. Que a Virgem Santíssima, a Mulher Eucarística, nos ajude a comungar a vida do Senhor em consonância com as necessidades dos mais pobres, como Ela fez ao correr ao encontro de sua prima Isabel (CFf. Lc 1,39). A verdadeira comunhão eucarística nos coloca apressadamente a caminho dos outros!

 

Dom Frei Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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 “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: ‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.’ (Mt 4,16-17). Estas são palavras do Evangelho que expressam muito bem a missão de Jesus: salvar o homem das escuridões de todos os tempos! Existe dentro de cada um de nós uma Galileia dos pagãos que precisa conhecer o anúncio do Reino de Deus. Aquela, para os evangelistas, não é somente um lugar periférico da geografia palestina, ela também simboliza os corações humanos que necessitam conhecer o amor de Deus que ilumina e aquece.

 

Aos pagãos de todos os tempos foi anunciado uma boa nova: as trevas viram uma grande luz (Cf. Is 8,23 – 9,1). A luz de Cristo não conhece barreiras, sua pregação revela que o Reino de Deus está sempre próximo a quem se abre generosamente a Ele. Essa proximidade coloca-nos diante de uma exigência amorosa: a conversão. A conversão é sempre o primeiro momento de um grande chamado. O Senhor não só ilumina as nossas trevas, mas chama-nos para o serviço da Igreja no mundo: “’Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram”(Mt 4,19-20). O chamado de Deus sempre comporta uma partida. Devemos deixar nossas seguranças e apoios, e na Palavra Dele, apoiar-nos se e construir um novo tempo em nossas vidas.

 

As nossas enfermidades nunca devem ser barreiras que impeçam o seguimento do Senhor. Se Ele nos chamou, Ele também nos dará a graça para segui-Lo, e muitas vezes, esse seguimento deverá ser imediato, sem meias palavras. Para o Papa Francisco, “Qualquer renúncia cristã só tem sentido à luz da alegria e da festa do encontro com Jesus Cristo.” O Reino de Deus é este encontro que alegra, é uma Pessoa: Jesus. E Ele está a nos chamar constantemente, chama-nos para o bom testemunho na família e nos ambientes de trabalhos. Que a Virgem Maria, a grande evangelizadora, nos ajude a compreender que o Evangelho sempre nos leva à missão!

Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap
Arcebispo da Paraíba

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Foi em 2011, no interior da Paraíba, que Joana (nome fictício), aos 22 anos, descobriu estar infectada com HIV. Seu esposo adoeceu e, no hospital da cidade, foi diagnosticado como soropositivo após realizar o exame sorológico. A médica solicitou a Joana que ela e a filha do casal também realizassem o teste. Para a menina foi negativo, mas, para Joana, foi positivo. “Meu mundo desabou, né? Eu era leiga, não entendia nada da doença. Pra mim era uma sentença de morte, e eu estava com os dias contados”, conta.

Joana é apenas um dos milhares de casos de infecção por HIV no Brasil. O HIV é uma IST, ou seja, uma Infecção Sexualmente Transmissível. Sendo assim, a principal forma de contágio é a via sexual. No caso do HIV, a infecção é causada por um vírus denominado vírus da imunodeficiência humana. O diagnóstico do HIV é feito por meio de testes. Existem diferentes tipos de testes de HIV disponíveis, como o auto-teste, os exames laboratoriais e os testes laboratoriais remotos.

A AIDS é o estágio mais avançado da infecção pelo HIV e surge quando a pessoa apresenta infecções oportunistas (que se aproveitam da fraqueza do organismo, como tuberculose e pneumonia) devido à baixa imunidade ocasionada pelo vírus. Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, 982.129 casos de AIDS foram detectados no Brasil, de 1980 a junho de 2018, sendo 24% jovens de 15 a 24 anos. 
 

Foto divulgação: Casa de Convivência João Paulo II

Há três anos Joana começou a frequentar as atividades da Casa de Convivência João Paulo II, que fica localizada no Hospital Padre Zé, em João Pessoa, e funciona desde 1999. Ligado à Ação Social Arquidiocesana (ASA), o espaço presta assistência a pessoas que vivem com HIV em situação de vulnerabilidade, que vêm de longe e precisam fazer tratamento no Hospital Clementino Fraga e Hospital Universitário. 

   Arquivo pessoal: Goretti Duarte

Goretti Duarte é coordenadora da Casa há 15 anos e conta que, nesse tempo de trabalho, um dos maiores desafios é vencer o preconceito. “Muitos soropositivos ainda se escondem da família, da sociedade e até da própria ajuda. Eu sempre digo que elas e eles precisam sair desse esconderijo, já que a vida não acaba porque você descobriu essa infecção. Pelo contrário, a vida continua e precisa ser vivida de maneira integral e digna, onde essa pessoa seja amada, acolhida por sua família e pela sociedade”, afirma. 

Joana convive com o vírus HIV há 9 anos e nunca conseguiu contar para sua família, tendo receio de como eles passariam a enxergá-la. Morou na região Centro-Oeste algum tempo e lá desencadeou uma crise de ansiedade e depressão, após ser demitida por ser soropositiva. “Eu trabalhava como empregada doméstica e a mãe da minha patroa era enfermeira num hospital que tratava de pessoas com HIV/AIDS. Ela me viu fazendo exames de rotina e quando cheguei ao trabalho à tarde, ela e a filha me demitiram por ser soropositiva. A justificativa foi que ela tinha uma criança pequena e que eu manuseava com faca na cozinha e por isso eu não poderia trabalhar mais lá. Foi aí onde desencadeou meu processo depressivo. Foi muito forte pra mim na época. Até comida pra minha filha eu não queria fazer, porque achava que ia matá-la”, desabafa. 
                                         

Atividades

 

 

Além da acomodação, a Casa de Convivência oferece atividades culturais, atendimento psicológico, acompanhamento de assistentes sociais para entender sobre seus direitos, atividades manuais como produção de peças artesanais com material reciclável, trabalhos de minijardins com cactos e plantas suculentas e fabricação de uma série de medicamentos com plantas medicinais. Cursos e oficinas profissionalizantes também são realizadas ao longo do ano. 

A participação nos cursos, as atividades culturais e o suporte psicológico foram transformando a vida de Joana. “Eu fui me reerguendo, me renovando como mulher, como pessoa, como mãe. Porque eu me sentia uma fracasso. Eu procurei acreditar em mim e dizer: não vai ser uma sorologia que vai me impossibilitar. O HIV existe mas não é uma sentença de morte. O que nos mata aos poucos é o preconceito. Eu percebi na terapia que para além do preconceito das pessoas, existia o preconceito em mim. Quando eu tratei o preconceito que estava aqui, na minha cabeça, eu mudei a visão”. E concluiu sorrindo: “Eu me aceitei. Hoje sou uma pessoa feliz e realizada e quero ir além em todos os sentidos: profissional, pessoal, emocional. E esse suporte todo tenho na casa de convivência, tenho essa acolhida e esse amor”.  

São sete pessoas que se dedicam a acolher, auxiliar e dar esperança aos mais de duzentos cadastrados na Casa de Convivência João Paulo II, que conta com mais de 20 leitos para acomodação das pessoas que realizam tratamento nos hospitais da capital. “Os leitos são destinadas às pessoas que vem de outras cidades, porque eles precisam ficar uns dias em João Pessoa para a realização de consultas e exames e gastariam de quatro a oito horas de viagem para retornar as suas casas”, destaca Goretti.

Campanha Dezembro Vermelho

A campanha Dezembro Vermelho tem o objetivo de conscientizar a população sobre uma das doenças que mais matam no mundo. O principal intuito da campanha é informar sobre sintomas, perigos e formas de contágio e prevenção da AIDS, além de combater o olhar preconceituoso sobre os portadores da doença. Em 1987, a ONU criou esta campanha e, em 1991, a fitinha vermelha surgiu com artistas de Nova York, para lembrar a luta contra a AIDS e transmitir compreensão, solidariedade e apoio aos portadores do vírus HIV. No Brasil, o projeto foi adotado em 1988, pelo Ministério da Saúde.

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Como é tradição, o Vaticano divulgou na manhã deste dia 24 de janeiro, dia de são Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, a mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nesta 54ª mensagem, o Papa refere-se às narrativas edificantes, convocando os comunicadores às boas histórias, aquelas “que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos”. O Dia Mundial das Comunicações Sociais é comemorado no domingo da Ascensão do Senhor, que este ano será no dia 24 de maio.

 

Confira a mensagem na íntegra:

 

“Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história

 

Desejo dedicar a Mensagem deste ano ao tema da narração, pois, para não nos perdermos, penso que precisamos de respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destruam; histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade duma narração humana, que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros.

 

  1. Tecer histórias

O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como a temos de alimento. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção, ou simples notícia, influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. As narrativas marcam-nos, plasmam as nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos.

 

O homem não só é o único ser que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade (cf. Gn 3, 21), mas também o único que tem necessidade de narrar-se a si mesmo, «revestir-se» de histórias para guardar a própria vida. Não tecemos apenas roupa, mas também histórias: de facto, servimo-nos da capacidade humana de «tecer» quer para os tecidos, quer para os textos. As histórias de todos os tempos têm um «tear» comum: a estrutura prevê «heróis» – mesmo do dia-a-dia – que, para encalçar um sonho, enfrentam situações difíceis, combatem o mal movidos por uma força que os torna corajosos, a força do amor. Mergulhando dentro das histórias, podemos voltar a encontrar razões heroicas para enfrentar os desafios da vida.

 

O homem é um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal.

 

  1. Nem todas as histórias são boas

«Se comeres, tornar-te-ás como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentação da serpente introduz, na trama da história, um nó difícil de desfazer. «Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…»: sussurra ainda hoje a quem se fia do chamado «mentiroso» (cf. Jo 9, 44), para atingir os seus fins. Quantas histórias nos narcotizam, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir. Quase não nos damos conta de quão ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumimos. Frequentemente, nos «teares» da comunicação, em vez de narrações construtivas, que solidificam os laços sociais e o tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando se misturam informações não verificadas, repetem discursos banais e falsamente persuasivos, percutem com proclamações de ódio, está-se, não a tecer a história humana, mas a despojar o homem da sua dignidade.

 

Mas, enquanto as histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque nutre a vida.

 

Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o deepfake), precisamos de sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessitamos de coragem para rejeitar as falsas e depravadas. Ocorre paciência e discernimento para descobrirmos histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia.

 

  1. História das histórias

A Sagrada Escritura é uma História de histórias. Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, mostra-nos um Deus que é simultaneamente criador e narrador: de facto, pronuncia a sua Palavra e as coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste seu narrar, chama à vida as coisas e, no apogeu, cria o homem e a mulher como seus livres interlocutores, geradores de história juntamente com Ele. Temos um Salmo onde a criatura se conta ao Criador: «Tu modelaste as entranhas do meu ser e teceste-me no seio de minha mãe. Dou-Te graças por me teres feito uma maravilha estupenda (…). Quando os meus ossos estavam a ser formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, recamado nas profundezas da terra, nada disso Te era oculto» (Sal 139/138, 13-15). Não nascemos perfeitos, mas necessitamos de ser constantemente «tecidos» e «recamados». A vida foi-nos dada como convite a continuar a tecer a «maravilha estupenda» que somos.

 

Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus. Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu.

 

O título desta Mensagem é tirado do livro do Êxodo, narrativa bíblica fundamental que nos faz ver Deus a intervir na história do seu povo. Com efeito, quando os filhos de Israel, escravizados, clamam por Ele, Deus ouve e recorda-Se: «Deus recordou-Se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e reconheceu-os» (Ex 2, 24-25). Da memória de Deus brota a libertação da opressão, que se verifica através de sinais e prodígios. E aqui o Senhor dá a Moisés o sentido de todos estes sinais: «Para que possas contar e fixar na memória do teu filho e do filho do teu filho (…) os meus sinais que Eu realizei no meio deles. E vós conhecereis que Eu sou o Senhor» (Ex 10, 2). A experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-Se presente. O Deus da vida comunica-Se, narrando a vida.

 

O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida: tal narração entra na vida de quem a escuta e transforma-a.

 

Também os Evangelhos – não por acaso – são narrações. Enquanto nos informam acerca de Jesus, «performam-nos»[1] à imagem de Jesus, configuram-nos a Ele: o Evangelho pede ao leitor que participe da mesma fé para partilhar da mesma vida. O Evangelho de João diz-nos que o Narrador por excelência – o Verbo, a Palavra – fez-Se narração: «O Filho unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem O contou» (1, 18). Usei o termo «contou», porque o original exeghésato tanto se pode traduzir «revelou» como «contou». Deus teceu-Se pessoalmente com a nossa humanidade, dando-nos assim uma nova maneira de tecer as nossas histórias.

 

  1. Uma história que se renova

A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus Se fez história, toda a história humana é, de certo modo, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou.

 

Vós «sois uma carta de Cristo – escrevia São Paulo aos Coríntios –, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações» (2 Cor 3, 3). O Espírito Santo, o amor de Deus, escreve em nós. E, escrevendo dentro de nós, fixa em nós o bem, recorda-no-lo. De fato, recordar significa levar ao coração, «escrever» no coração. Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo a mais esquecida, mesmo aquela que parece escrita em linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra-prima, tornando-se um apêndice de Evangelho. Assim as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, os Noivos prometidos (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias, que têm representado admiravelmente o encontro entre a liberdade de Deus e a do homem. Cada um de nós conhece várias histórias que perfumam de Evangelho: testemunham o Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser partilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios.

 

  1. Uma história que nos renova

Em cada grande história, entra em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos a Escritura, as histórias dos Santos e outros textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo fica livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador. Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história: ainda que permaneça inalterada a crónica dos factos, mudam o sentido e a perspetiva. Narrarmo-nos ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cozendo as ruturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!

 

Com o olhar do Narrador – o único que tem o ponto de vista final –, aproximamo-nos depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores juntamente connosco da história de hoje. Sim, porque ninguém é mero figurante no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço.

 

Por isso, não se trata de seguir as lógicas do «mentiroso», nem de fazer ou fazer-se publicidade, mas de fazer memória daquilo que somos aos olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito escreve nos corações, revelar a cada um que a sua história contém maravilhas estupendas. Para o conseguirmos fazer, confiemo-nos a uma Mulher que teceu a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – teceu conjuntamente tudo o que Lhe acontecia. De facto, a Virgem Maria tudo guardou, meditando-o no seu coração (cf. Lc 2, 19). Peçamos-Lhe ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com a força suave do amor:

 

Ó Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus. Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história. Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos.

 

Roma, em São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2020.

[Franciscus]

 

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O Setor de Animação Bíblico-Catequética da Arquidiocese da Paraíba promove o “Janeiro com a Catequese”. O objetivo é proporcionar momentos de formação para catequistas de todas as etapas da iniciação cristã através de 7 cursos. O “Janeiro com a Catequese” acontece em parceria com a Paulus, Paulinas e Colégio Lourdinas. Para cada curso, o participante investe o valor de R$ 15,00, que ajudará a manter as despesas das atividades. Para participar, é necessária a inscrição através do formulário online.

Confira abaixo o curso e seu respectivo assessor, local e horário de realização:

1- Curso para catequistas iniciantes

Dias: 6 a 10 de janeiro, das 19h às 22h

Local: Colégio Lourdinas

Assessores: Pe. Marcílio e Euclides Franklin;

2- Celebrações da Iniciação Cristã (RICA)

Dias: 6 a 10 de janeiro, das 19h às 22h

Local: Colégio Lourdinas

Assessor: Marcelo Barros;

3- A Catequese a Luz da História da Igreja

Dias: 13 a 17 de janeiro, das 8h30 às 12h

Local: Livraria Paulus

Assessor: Pe. Jorge Ivan;

4- Pedagogia Catequética

Dias: 13 a 17 de janeiro, das 13h às 17h30

Local: Livraria Paulinas

Assessor: Pe. Roberto Coura;

5- Curso para Catequistas Iniciantes

Dias: 20 a 24 de janeiro, das 8h30 às 12h

Local: Livraria Paulinas

Assessor: Euclides Franklin;

6- Celebrações da Iniciação Cristã (RICA)

Dias: 20 a 24 de janeiro, das 13h às 17h30

Local: Livraria Paulus

Assessor: Euclides Franklin;

7- A Bíblia na Catequese

Dias: 27 a 31 de janeiro, das 13h às 17h30

Local: Livraria Paulinas

Assessor: Pe. Marcílio e Diácono Jorcemar.

Outras informações: 98833-4267 (Euclides)

link de inscrição: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScnnKh_rX21qyMEv-66OdmRaK9bRkYbekKv2r09HGglNzUeSQ/viewform

OBS. Cada curso só se realizará se atingir o mínimo de 20 inscrições. O Pagamento da inscrição é efetuado no dia do curso.

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Neste dia 6 de fevereiro, faz 106 anos que a então Diocese da Paraíba foi elevada à Sede Metropolitana, ou seja, tornou-se Arquidiocese. Aproveitamos a data para explicar a diferença entre Diocese, Arquidiocese e relembrar que a ArquiPB não corresponde a todo Estado.

 

PROVÍNCIA / DIOCESE / ARQUIDIOCESE

 

De forma muito prática, pode-se dizer que Arquidiocese é Sede de uma Província. As Províncias são um grupo de Dioceses e uma Arquidiocese e não necessariamente correspondem à mesma área geográfica de um Estado. Por exemplo: no Nordeste, exceto na Bahia, cada Estado é uma Província Eclesiástica. Mas no RJ, por exemplo, existem 2 Províncias. Em São Paulo, são 6 Províncias Eclesiásticas. Na Bahia, 3. Esta divisão leva em consideração o território e a densidade populacional. O objetivo dessa divisão é meramente pastoral: promover uma ação comum por parte de Dioceses vizinhas e favorecer eficazmente a mútua relação entre os Bispos, fomentando a evangelização. Um conjunto de Províncias forma um Regional.

 

A Arquidiocese da Paraíba está no Regional Nordeste 2, formado pelas Províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Ao todo, são 17 Dioceses e 4 Arquidioceses

As Arquidioceses são as Sedes das Províncias e os Bispos recebem o título de Arcebispos. Os Arcebispos não são “chefes” dos demais Bispos, mas eles têm a missão de, como Metropolitas, convocar as reuniões da Província, funções jurídicas no caso de afastamento do Bispo de uma Diocese, promover ações comuns entre os Bispos / Dioceses da Província, etc.

 

ARQUIDIOCESE DA PARAÍBA, MAS NÃO DE TODO O ESTADO

 

É muito comum as pessoas acharem que a Arquidiocese da Paraíba é a Igreja Católica do Estado da Paraíba. Esta confusão acontece, claro, por causa do nome da Igreja Particular (Igreja Particular = Diocese ou Arquidiocese). “Corriqueiramente recebemos solicitações de informações de Paróquias que são do sertão, do cariri, do agreste… As pessoas buscam pela Arquidiocese da Paraíba achando que respondemos por todo Estado. Aí temos que explicar sempre que essas paróquias são de outras Dioceses e nós não temos jurisdição sobre elas”, explica Polyanna Gomes, que trabalha no Setor de Comunicação.

 

A Arquidiocese da Paraíba recebeu este nome porque, na época da sua criação, a cidade de João Pessoa se chamava Parahyba do Norte. A Diocese da Paraíba foi criada em abril de 1892 e foi elevada à Arquidiocese em 6 de fevereiro de 1914. Parahyba do Norte passou a se chamar João Pessoa em setembro de 1930, mas o nome da Arquidiocese se manteve.

 

Também em 6 de fevereiro de 1914, quando a Arquidiocese foi elevada, foi criada a Diocese de Cajazeiras. Em 1949 foi criada a Diocese de Campina Grande e 10 anos depois, em 1959, foi criada a Diocese de Patos. A última divisão aconteceu com a criação da Diocese de Guarabira em 1980. Portanto, a Igreja Católica na Paraíba tem 4 Dioceses e 1 Arquidiocese, 4 Bispos e 1 Arcebispo, que respondem por suas respectivas regiões.

 

ARQUIPB EM NÚMEROS

 

A Arquidiocese da Paraíba corresponde à cidade de João Pessoa e mais 33 municípios, totalizando uma população estimada em 1.596.00 habitantes, de acordo com o último senso do IBGE.  Atualmente são 94 Paróquias, 3 Áreas Pastorais (quase Paróquias), 1 Reitoria e 9 Santuários. Para melhor atuação pastoral, a Arquidiocese é dividida em 9 Foranias, que dividem o território por região: Agreste, Centro, Litoral, Praia Norte, Praia Sul, Urbana Sul, Vale do Mamanguape e Várzea.

 

O clero é numeroso. Hoje a Arquidiocese conta com 134 padres diocesanos (formados nos seminários diocesanos) e 40 padres religiosos (formados em congregações. Ex: franciscanos, salesianos…). Além disso, hoje existem 48 Diáconos Permanentes e também cerca de 200 religiosas.

 

Nestes 106 anos de Arquidiocese, já passaram pelo governo eclesial Dom Adaucto Henriques, Dom Moisés Coelho, Dom Mário Vilas-Boas, Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Carvalheira e Dom Aldo Pagotto. Atualmente, Dom Manoel Delson, franciscano capuchinho, conduz o pastoreio da Arquidiocese, que tem como Padroeira Nossa Senhora das Neves, comemorada no dia 5 de agosto, data que marca também o aniversário da capital João Pessoa.

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O Regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB NE2) lançou o livro especial da Campanha da Fraternidade (CF) 2020. A publicação reúne em um único exemplar a Via-sacra e um resumo do Texto-base, além de apresentar quatro roteiros para encontros de oração e uma lista de cantos apropriados para a Quaresma deste ano.

Elaborado pela Equipe Permanente de Campanhas da CNBB NE2, em parceria com a Ação Social Arquidiocesana da Paraíba (ASA), o subsídio pode ser adquirido nas cúrias diocesanas ou nas paróquias em Alagoas, na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.

No texto de apresentação do material, o presidente da CNBB NE2 e bispo referencial para as Campanhas, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, destaca a importância cada vez maior do livro das CFs para as Igrejas particulares do Regional, sobretudo, neste tempo em que o “cansaço pastoral também bateu à nossa porta”.

“A Campanha da Fraternidade quer explicitar e concretizar nosso itinerário de conversão, redescobrindo o irmão sofredor. Desejamos que a comunidade faça um excelente uso [desse livro]”, afirmou dom Paulo Jackson, que também é bispo da Diocese de Garanhuns (PE).

Quaresma no Brasil

A Campanha da Fraternidade é vivenciada há 56 anos pelos católicos brasileiros de modo especial durante o período da Quaresma, que este ano tem início no dia 26 de fevereiro (Quarta-feira de Cinzas) e se estende até o dia 5 de abril (Domingo de Ramos). O objetivo da Igreja no Brasil é despertar a solidariedade dos fiéis em relação a um ou vários problemas concretos que afetem a sociedade, propondo o debate e buscando soluções.

Este ano a campanha tem como tema “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (LC 10,33-34). O cartaz e todo material gráfico remete à figura de Santa Dulce dos Pobres, que foi canonizada no dia 13 de outubro, no Vaticano, pelo Papa Francisco.

Fonte: CNBB NE2

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Estão abertas as inscrições para a Assembleia Formativa de Diáconos, Aspirantes e Esposas promovida pela Comissão Regional dos Diáconos (CRD) da CNBB NE2. Para participar, os interessados devem baixar a ficha de inscrição, preenchê-la e depois enviar junto com o comprovante de pagamento para o e-mail diaconoolagoa@hotmail.com ou pelo WahtsApp (81) 99719-2000 até o próximo dia 30.

 

Para diáconos e aspirantes o investimento é de R$250, para as esposas R$220. O valor deve ser enviado para a conta bancária em nome de Arnaldo Martins de Miranda, titular do CPF 092.722.594-87. O banco é Caixa Econômica Federal, agência 2708, conta 00004196, operação 013.

 

A Assembleia Formativa de Diáconos, Aspirantes e Esposas será realizada no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca (PB), entre os dias 14 e 16 de fevereiro. Inspirado no Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que este ano acontecerá dentro do Regional, o encontro terá como tema “Pão em todas as mesas” e lema “Repartiam o pão com alegria e não havia necessitados entre eles. (At 2,46)”.

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Na noite desta terça-feira, dia 14, Dom Manoel Delson presidiu a Santa Missa onde foram ordenados os dois novos sacerdotes da Arquidiocese: Pe. Manoel Viana e Pe. João Paulo Ricarte. A celebração aconteceu na Catedral Basílica de Nossa das Neves e contou com a presença de padres, seminaristas, familiares e amigos dos neossacerdotes.

 

“É sempre uma alegria e renova o nosso ministério quando vemos irmãos entregando sua vida à Igreja. A oração da comunidade, dos familiares e dos presbíteros chega ao coração de Deus, que mantém viva a vocação”, diz Dom Manoel Delson.




A primeira Missa presidida pelo Pe. Manoel Viana será na próxima quinta-feira, dia 16, na Paróqia São Pedro e São Paulo, no bairro Tibiri II, em Santa Rita, às 19h30. Já Pe. João Paulo preside a celebração na sexta, dia 17, no bairro Alto dos Populares, também em Santa Rita, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus.



Fotos: Rose Félix e Clecinaldo Cruz

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A Igreja Nossa Senhora de Nazaré, que fica localizada na Praia do Poço, em Cabedelo, celebra 100 anos de sua construção no mês de janeiro. Será realizado um novenário de 3 a 12 de janeiro de 2020, com celebração eucarística todas as noites às 19h.  

No dia 11 de janeiro, ás 8h, será realizada uma carreata com a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, saindo da Igreja São Francisco no Centro de João Pessoa e percorrendo as principais avenidas da Capital. Já no dia 12 de janeiro, às 7h, a Missa será presidida pelo Arcebispo da Paraíba Dom Manoel Delson e, logo após a Missa, haverá uma procissão marítima saindo da Praia do Poço em direção a Areia Vermelha.

Ainda dentro das celebrações do Jubileu dos 100 anos, no dia 7 de janeiro de 2020, a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré celebra 1 ano de sua criação.

HISTÓRIA

A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré tem um valor histórico para a Arquidiocese e para o Estado da Paraíba, pois ela é um segmento de uma outra construção importante, a Igreja do Almagre, construída no Século XVII com incentivo da coroa de Portugal, situada as margens da Praia de Ponta de Campina, em Cabedelo. Preocupados com a deterioração da igreja e possivelmente da Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, no ano de 1920, os fiéis realizaram uma procissão levando a imagem para a recém construída Capela de Nazaré, na Praia do Poço. A Capela ficou alguns anos sem realizar celebrações, mas depois passou a pertencer a uma Paróquia local e retomou sua história, suas celebrações e seus fiéis. Em 7 de janeiro de 2019, o Arcebispo Dom Manoel Delson criou a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, nomeando como pároco o Padre Lucivaldo Eugênio Gomes de Souza.

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Viajar para a Capital da Paraíba pode incluir mais roteiros do que o belo litoral e suas praias. O Centro Histórico de João Pessoa é um dos locais que todo visitante deve procurar conhecer. A terceira cidade constituída mais antiga do Brasil tem sua história contada nos belos monumentos arquitetônicos e religiosos. As Igrejas do Centro de João Pessoa destacam todo o valor de patrimônio histórico e cultural da Capital.

 

Sob a proteção de Nossa Senhora das Neves, a Capital Paraibana encontra sua fé e religiosidade representada por seus complexos arquitetônicos, que trazem do barroco ao ecletismo. Destacam-se a Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, o Conjunto Barroco Franciscano da Paraíba, Complexo Carmelita, Mosteiro Beneditino e a Igreja da Misericórdia, fechando um belíssimo contexto de igrejas históricas no Centro da Capital.

 

 

O Centro Cultural São Francisco é uma das principais visitas no centro histórico de João Pessoa. É o mais importante conjunto de arte barroca da Paraíba, que começou a ser erguido em 1589 e concluído no final do século XVIII. O CCSF é aberto para visitação de segunda a sexta, das 9h às 16h30, e no sábado, das 9h às 14h30. É cobrada uma taxa de visitação de R$ 8,00 (inteira) e R$ 4,00 (meia). A visita é acompanhada por guias que falam os idiomas português, inglês e espanhol. Este complexo arquitetônico inclui a Igreja de São Francisco, Convento de Santo Antônio, a Capela da Ordem Terceira de São Francisco, a Capela de São Benedito, a Capela Dourada e o Claustro. Neste local encontra-se o acervo de arte sacra, arte popular, memorial arquidiocesano e o memórial dos arcebispos. Nas terças e sextas, o CCSF realiza concertos de música clássica para os visitantes, das 10h às 12h.

 

 

O Mosteiro de São Bento é um conjunto em estilo barroco, construído pelos monges Beneditinos que teve sua construção iniciada no século XVII e concluído em 1761. Formado pelo mosteiro e a Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat, este patrimônio é considerado um dos mais importantes do nordeste. O mosteiro é aberto para visitação das 6h às 14h, de segunda a sexta. Durante a semana ocorre missas às 7h30.

 

 

A Igreja de Nossa Senhora das Neves, hoje Catedral Basílica, fica localizada na Praça Dom Ulrico, marco zero da capital. A atual igreja foi sagrada em 1894, porém a construção da primeira capela aconteceu em 1586 em estrutura de taipa, pelos primeiros colonizadores da Paraíba como forma de homenagear Nossa Senhora das Neves. Depois, aconteceram duas grandes reformas: uma no século XVII e outra na metade do século XVIII.  A Catedral fica aberta para visitação de segunda a sexta, das 9h às 14h, com missas ao meio-dia. Aos sábados, ocorre missa às 18h e, aos domingos, às 6h, 9h, e 18h.

 

 

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, localizada na Praça Dom Adauto, compreende um conjunto arquitetônico construído pelos carmelitas, composto pela Igreja de Nossa Senhora do Carmo, pelo Palácio Episcopal (antigo Convento Carmelitano e atual sede da Arquidiocese da Paraíba), ambos construídos no século XVIII, e pela Igreja de Santa Teresa de Jesus da Ordem Terceira do Carmo, também datada do século XVIII. A Igreja do Carmo fica aberta à visitação de segunda a sábado das 14h às 17h30.

 

 

A Igreja da Misericórdia fica localizada na Av. Duque de Caxias e é uma das mais antigas da cidade de João Pessoa, que teve a conclusão da sua construção em 1612. Atualmente é a única que possui sua fachada original, bem como boa parte do seu interior. A fachada mostra os traços maneiristas, sem os adornos e ostentações do barroco. A Igreja fica aberta para visitação de segunda a sexta, das 8h às 17h. No penúltimo sábado acontece a Missa celebrada em inglês.

 

 

A Igreja de São Frei Pedro Gonçalves a atual estrutura arquitetônica desta igreja é datada da primeira metade do século XX com influência eclética. Porém, a primeira capela construída neste local data do século XVII.  A edificação é parte integrante do conjunto arquitetônico disposto no largo homônimo. O prédio passou por uma restauração em 2000. O diferencial está na sua localização, próxima ao Rio Sanhauá, e nas ruínas soterradas embaixo da igreja, visível ao público e referente à primeira capela. É aberta para visitação de segunda a sábado, das 9h às 12h, e fica localizada ao lado da Praça Antenor Navarro, próximo de outro famoso ponto turístico da cidade: o Hotel Globo.

 

A Capital Paraibana se transforma, ao longo dos dias, para melhor acolher seu povo e seus visitantes. A hospitalidade, a riqueza de sua natureza, a beleza de suas praias e a fé de sua população escrevem mais uma página de sua história, onde a alegria e o amor fazem morada.

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A sede das Pontifícias Obras Missionárias, em Brasília, recebe durante toda esta semana, de 27 a 31 de janeiro, assessores e assessoras da Infância e Adolescência Missionárias (IAM), que participam do I Curso de Multiplicadores das IAM. A formação busca capacitar esses assessores para preparar novos facilitadores e multiplicadores em suas regiões. “Nosso desafio é fazer esse objetivo se concretizar, realizando essa formação integral com as temáticas que condizem à missão e à obra da infância e adolescência missionárias, de modo que estes agentes formem os novos assessores do seu Estado e multipliquem a obra em sua região”, explica a Ir. Patrícia Souza, Secretária Nacional da IAM.

 

Neste curso estão participando 40 assessores de todas as regiões do país que, até sexta-feira (31), estudam e refletem temas referentes ao carisma e a organização da IAM, além de aprofundar os processos formativos, espiritualidade e missão dos grupos. A Paraíba está sendo representada pelos Coordenadores Estaduais da IAM: Leonardo Sousa, da Diocese de Guarabira, e Ricardo Cavalcanti, da Arquidiocese da Paraíba. “Nesse momento recebemos uma semente e começamos a sonhar com os frutos. Quando retornarmos à Paraíba, iremos plantar essa semente nos novos articuladores e assessores que terão sua formação iniciada a partir do próximo mês”, afirma Leonardo.



A formação faz parte das ações do eixo pensado e planejado na assembleia nacional da IAM de dezembro de 2017. Cada Estado inscreveu dois assessores, que buscam aprofundar as temáticas do subsídio para multiplicadores lançado em 2018. “Foi um encontro muito esperado por todos que participam e assessoram os grupos de Infância e Adolescência Missionárias. Esse encontro vem para reorganizar, reestruturar e formar melhor todos os assessores e assessoras que tem a missão de conduzir grupos da IAM pelo país, tornando Jesus conhecido e amado em suas áreas de atuação. Muitas novidades estão chegando para nossa Arquidiocese da Paraíba e também para todas as dioceses do nosso Estado”, disse Ricardo.

Comunicação ArquiPB

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O I Congresso Missionário Nacional e a V Missão Sem Fronteiras, que ocorrem na cidade de Planaltina, no Distrito Federal, está reunindo mais de 200 jovens desde a última quarta-feira (15) e vai até o domingo (19). Os eventos buscam fortalecer a comunhão e a identidade das juventudes missionárias católicas do país. O Congresso tem como tema: “Batizados e enviados: as juventudes em missão no mundo”.

 

O Estado da Paraíba está sendo representado por quatro jovens, dois da Arquidiocese da Paraíba, um da Diocese de Patos e um da Diocese de Cajazeiras. Rayanne Pessoa, que representa a Arquidiocese da Paraíba e é atualmente a Coordenadora Arquidiocesana da Juventude Missionária, falou das expectativas desse I Congresso Missionário. “Estamos em grande entusiasmo para essa partilha de testemunhos que acontecerá nesses dias de congresso. Esse ano a JM completa seus quinze anos e isso já é mais do que motivo para celebrar. Nós da Paraíba ainda estamos iniciando e por isso ainda não temos tantos grupos no nosso Estado, mas esperamos que esse congresso acenda essa consciência missionária na juventude paraibana para enviarmos cada vez mais jovens em missão pelo nosso Estado e pelo país”, afirma.




O Pe. Maurício Jardim, que é diretor das Pontifícias Obras Missionárias, em sua fala de abertura do evento, frisou que é importante durante esse Congresso, “desencadear processos de formação integral, de acompanhamento às juventudes, de articulação, missão e espiritualidade”. O Congresso segue até o domingo, dia 19, onde às 9h, ocorrerá a missa de encerramento presidida por Dom Sérgio da Rocha, bispo da Arquidiocese de Brasília.

 

V MISSÃO SEM FRONTEIRAS



O projeto Missão Sem Fronteiras busca fortalecer o diálogo e a interação entre os jovens missionários de todo o Brasil. Nas últimas quatro edições o Missão Sem Fronteiras escolheu uma realidade do país para que as JMs pudessem realizar visitas, formações e oficinas. Durante o I Congresso Missionário, as atividades do projeto acontecem nas comunidades locais de Planaltina, no sábado (18) e no domingo (19). A Paraíba sempre teve a média de três representantes no projeto Missão Sem Fronteiras, participando desde a segunda edição. “Estamos sempre convidando os jovens de nosso Estado para viver o carisma missionário com amor, coragem e esperança, sendo esse jovem missionário em saída que é a verdadeira natureza da Igreja”, completa Rayanne Pessoa.

Comunicação ArquiPB com Assessoria das POM

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O tempo litúrgico do Natal encerra-se com a celebração solene do Batismo do Senhor. O Menino Jesus adorado pelos Magos do Oriente na manjedoura de Belém, agora encontramo-Lo adulto, deixando-Se batizar por João no Rio Jordão (Cf Mt 3,13). O céu se abre quando Jesus, ao receber o Batismo, sai das águas. O Espírito Santo desce sobre ele na forma de pomba e uma voz se faz escutar: “Este é meu filho muito amado, no Qual pus toda minha complacência” (Cf Mt 3,17). O Batismo do Senhor torna público o Seu serviço em favor dos homens. O Senhor não pode mais se esconder na vida simples de Nazaré, chegou o tempo de cumprir os desígnios salvíficos do Pai.

 

A partir do Batismo, Jesus se revela aos homens não como um homem importante, mas como o Cristo, o ungido do Pai. Esta unção diz respeito a nossa condição pecadora. O Senhor deixa-Se batizar com os pecadores porque Sua missão é nos levantar. “Deus quis salvar-nos indo Ele mesmo até ao fundo do abismo da morte, para que cada homem, mesmo quem tão em baixo que já não vê o céu,  possa encontrar a Mão de Deus à qual se agarrar e subir das trevas para ver novamente a Luz para qual ele é feito” (Papa Bento XVI). Mas o sacramento do Batismo, destinado a todos os homens e mulheres, não apaga somente os nossos pecados, ele tem a finalidade de nos fazer filhos de Deus. Tornamo-nos filhos no único Filho de Deus. O céu se abre a nós e passamos a ter acesso à vida verdadeira e plena que só Deus pode nos oferecer no Seu Filho.

 

O Batismo é o primeiro dom que Deus concede a quem deixa de ser criatura e passa a se tornar Seu filho. Nas águas batismais, passamos a pertencer ao Senhor, tornamo-nos também filhos da Igreja de Cristo. Portanto, tomar consciência das graças que decorrem do nosso Batismo é também uma grande oportunidade de gratidão a Deus. Ele não nos deixou entregues às garras da morte e do pecado, mas quis estar conosco, fez-se vizinho de nossas quedas para nos levantar; e não importa o tamanho da queda, do quão baixo venhamos a sucumbir, Ele vai em nossa direção. O Batismo tornou-nos próximos e filhos de Deus! Tamanha graça não merecemos, mas Ele quis Se unir à nossa humanidade, simplesmente movido pelo amor, porque nos ama!

Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap
Arcebispo da Paraíba

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De quinta até este sábado, reuniões e ações públicas movimentam as agendas da Pastoral de Rua e do Movimento da População de Rua de João Pessoa.  As ações marcam o início das atividades do Movimento, criado no último dia 7 de janeiro e composto apenas por pessoas que vivem esta realidade da falta de moradia.

 

Os dois grupos promoveram reuniões com setores públicos como o Centro Pop, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, Defensoria Pública e o grupo Rede, composto por psicólogos e assistentes sociais. No sábado, a Pastoral de Rua promove mais uma manhã no Mosteiro de São Bento, com alimentação, atendimentos de saúde, jurídico, estético e momentos de oração.




O objetivo das reuniões da Pastoral e do Movimento é o avanço das políticas públicas para as pessoas em situação de rua. “Queremos organizar esta população para, juntos, reivindicarmos junto às instituições governamentais, o desenvolvimento de políticas públicas que garantam o que prevê a Constituição, que é moradia, emprego e renda para todos os cidadãos”, explica Massilon Gonzaga, coordenador da Pastoral de rua da Arquidiocese da Paraíba.

 

“A população de rua reconhece e agradece as ações de caridade. Essa população tem fome e a sopa distribuída é fundamental pra sobrevivência. Mas o Movimento existe porque precisamos ir além. A caridade é pontual, mas os direitos não. Essa população precisa ter consciência dos seus direitos e ter como lutar por eles, por isso existimos. E a Pastoral de rua foi fundamental para chegarmos aqui”, comenta Vanilson Torres: Secretário regional do Movimento Nacional da População de Rua, que está em João Pessoa participando das atividades.

Comunicação ArquiPB

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