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50 anos de Diaconato: uma vida dedicada à Igreja

“É preciso ter amor e carinho por tudo que se faz na vida”, disse Manoel Xavier de Araújo ao iniciar a entrevista. Hoje, aos 87 anos, ele transborda alegria em falar dos seus 50 anos de dedicação à Igreja da Paraíba na missão do diaconato permanente.

Aos 13 anos de idade decidiu ingressar no Seminário Salesiano da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Queria entender o divino, queria compreender alguns mistérios da vida. Aos 20 anos, curioso e estudioso, decidiu pedir ao seu Prior um tempo: um período sabático de um ano, uma experiência fora dos muros do seminário, pois só assim, poderia entender se realmente queria seguir a vocação sacerdotal. “Pedi essa experiência para conhecer a realidade do mundo, pois um dos meus grandes desejos era estar em missão na África, era estar em missão em outros países, e eu acreditava que só assim iria decidir se queria ser padre ou não”, explica o diácono.

Decidiu nesse ano sabático ingressar no exército. Foi transferido para Fernando de Noronha (PE) e, tempos depois, foi alocado na cidade de João Pessoa. “Eu não conhecia nada aqui, era muito envergonhado e já estava percebendo toda a responsabilidade de servir ao exército do meu país”, relata. Em uma noite de festa na praça que ficava em frente ao seu dormitório, ele saiu para passear e lá conheceu sua esposa, Rosa Maria. No outro dia enquanto acompanhava com o olhar a procissão de São José que passava próximo ao quartel, ela o avistou e foi conversar com ele. Descobriram que eram conterrâneos e logo se apaixonaram.

Em janeiro de 1954, ele seguia para Natal com o objetivo de pedir ao seu Prior mais um ano sabático, mas recebeu a negativa e o ultimato de, caso não se apresentasse até o dia 5 de fevereiro a sua vaga seria preenchida. Decidiu então noivar e casar e, três anos depois, participou de um curso para Professor de Ensino Religioso, por indicação do Arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires. Após finalizar o curso, Dom José o chamou para uma conversa. “Ele foi logo me dizendo que estava abrindo no seminário vagas para ordenar diáconos permanentes, que eram homens casados que serviriam na Igreja e que eu era seu primeiro candidato a participar dessa turma”, lembra o diácono. “Eram 16 colegas, todos homens acima dos 50 anos e só tinha eu jovem, com 27. Muitos não queriam minha participação, mas Dom José confiava e acreditava em mim”, recorda saudoso.

Manoel Xavier de Araujo é um dos primeiros diáconos ordenados do Brasil e o primeiro do Estado da Paraíba. Foi considerado por Dom José Maria Pires o diácono missionário, que tinha a missão de preparar áreas pastorais para se tornarem paróquias. Rangel, Cristo, Várzea Nova, todas essas áreas foram preparadas pela coragem, pela fé e pelo amor que tinha ao serviço diaconal. “Em Aparecida, no bairro do Cristo, eu cobria uma área de 26 comunidades, conhecendo a vida e a fé de cada um, porque eu acredito que é preciso ter humildade para esse trabalho que requer amor e carinho por cada pessoa que você conhece”, afirma Manoel.

 

“Enquanto tiver voz e energia, servirei ao Senhor”




O Diácono Manoel Xavier celebrou 50 anos de Ordenação Diaconal no dia 11 de janeiro de 2020, na Paróquia São Francisco das Chagas, que fica no Bairro do Rangel em João Pessoa, onde realizou sua primeira missão como diácono. Ele recorda de todos que o auxiliaram nessa caminhada, como amigos queridos de todas as áreas pastorais e paróquias por onde passou, além dos frades franciscanos que o apoiaram em sua caminhada pastoral. “Precisamos ser gratos àqueles que nos deram a mão, precisamos também ser perseverantes, pois é a perseverança o centro de nossa caminhada na fé. Enquanto eu tiver voz e energia, estou oferecendo meu serviço as obras do Senhor”, concluiu.