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Santificados em Cristo

O dom da santidade nos vem pela graça recebida a partir do Batismo. O Senhor nos constituiu seus filhos adotivos, somos filhos no Seu Filho: “aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Cor 1,2). Ser santo não significa seguir um corpo doutrinário rígido e de costumes estranhos. Não! A santidade é um dom maravilhoso que constantemente nos aproxima desse Pai Bondoso que é Deus. Ser santo é ser amigo, filho e protegido por Deus. 

A vocação cristã é sempre fruto de uma proposta amorosa que parte inicialmente do Senhor. Foi Ele quem nos chamou por primeiro, e só Ele que pode realizar as graças que necessitamos para corresponder a esse chamado de amor. Na cultura de morte e do indiferentismo de Deus que nos cerca, o Senhor lança sobre nossos ouvidos o convite para uma vida marcada pela doação total de si, longe dos cálculos e vantagens humanas. Nossa passagem por esta terra não pode ser vivida como pessoas que não conheceram a Deus, como se tudo o que vivemos estivesse doutrinado pelas necessidades ensimesmadas. Não nos enganemos com esse tipo de vida deplorável e fechado em si mesmo, o Deus amoroso que nos chamou a partir do Batismo oferece-nos um caminho superior e cheio de sentido. Os santificados em Cristo aceitam essa chamada exigente, e não hesitam em se ocupar desse caminho que deve ser trilhado na humildade e na docilidade. Afinal, seguimos uma Pessoa, e Ele passou pela via dolorosa da cruz e da alegria da ressurreição. 

A todo tempo escutamos que o mundo mudou. Fala-se em alto e péssimo tom que Deus não precisa ser mais contado na pauta ordinária dos homens e mulheres evoluídos. Acostumamos a ouvir que a Igreja é ultrapassada e mantenedora de costumes antiquíssimos. Mas na verdade, essas falas não passam de discursos equivocados e distraídos. Elas tentam esconder a ausência de sentido que habita no coração humano quando vive longe de Deus. Sim! Caminhamos cada vez mais para sociedades que professam um ateísmo prático. Contudo, a fé cristã anuncia a esperança de que Deus sempre terá paciência conosco e estará pronto a nos oferecer Sua vida como espaço de comunhão. Deus grita aos nossos ouvidos o Seu amor e o Seu desejo de santidade para todos os homens e mulheres. Que sejamos ouvintes assíduos dessa Voz que nos chama para o bem e para a verdade.


Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz, OFMCap
Arcebispo da Paraíba