Tráfico de pessoas


 10/03/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A Campanha da Fraternidade de 2014 aborda a temática da “Fraternidade e Tráfico Humano” - uma dolorosa realidade da escravatura na sociedade de consumo, dita moderna. A ilusão da felicidade colocada no dinheiro influencia e condiciona os nossos campos de interesse. Muita gente é direcionada a idolatrar as coisas e a usar as pessoas como se fossem objetos descartáveis. A sociedade de consumo faz com que a vida funcione assim. Grupos financistas comercializam a vida reduzindo pessoas a insumos mercantis altamente lucrativos. Cada vez mais, as pessoas e famílias confundem a dignidade dos seres humanos com padrões de felicidade, independente dos valores éticos e morais. O atraso do nosso povo deve-se em grande parte à exploração do trabalho. Infringido a indígenas, seguindo-se a afro-descendentes, embora abolida, a exploração da mão-de-obra barata continuou. Sem acesso às oportunidades de estudo e qualificação do trabalho, é inexorável a série de conflitos sociais. Propositalmente postos à margem do desenvolvimento, ademais dos percalços e contradições socioeconômicas do nosso País, as formas de exploração trazem formas de violência como consequência.

Hoje, milhares de pessoas são submetidas às modalidades perversas do tráfico humano: exploração sexual de mulheres, de adolescentes e crianças. Essas correm risco de terem seus órgãos extraídos para serem “negociados”. A sociedade de consumo cria versões atualizadas de várias formas de escravidão do trabalho e de outras ignomínias que bradam aos céus por justiça. O que repulsa o coração de Deus causa indignação ética, cívica e cristã no nosso coração. Daí o lema da CF: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gal. 5,1). Baseada em práticas já existentes, nossa sugestão é a de que os governos municipais promovam fóruns permanentes, envolvendo os órgãos públicos e as instituições da sociedade, em função de políticas públicas de combate ao crime e de abertura de oportunidades de estudo, de capacitação para o trabalho qualificado, desenvolvidos em função de crianças, adolescentes e jovens.

É imprescindível envolver as famílias na dinâmica do combate e erradicação de formas evitáveis de tráfico humano, sobretudo a exploração sexual e a iniciação no submundo das drogas e do crime organizado. Cá pra nós, o programa “Mais Médicos”, embora aprovado por acordos internacionais, teve reajuste de conduta recente. Seria uma modalidade de trabalho escravo manter doutores(as) por apenas R$ 2 mil e enviar o restante dos R$ 10 mil mensais acertados para o regime autoritário dos irmãos Castro?


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