Testemunha e testemunho


 23/04/2017 - Escrito para o Correio da Paraíba

Em muitas situações, nas relações interpessoais e institucionais, algumas delas de caráter conflitivo, ouvem-se testemunhas, diante do conhecimento que têm da causa tratada. No campo do Direito e da Justiça, a figura da testemunha é imprescindível, por razões óbvias. Por natureza, presume-se que a testemunha seja fidedigna e, consequentemente, o seu testemunho seja verdadeiro. Jesus, em sua peregrinação missionária na Palestina, conheceu testemunhas autênticas e testemunhas mentirosas; no julgamento a que foi submetido em Jerusalém, por decisão das autoridades religiosas e políticas, encontrou testemunhas mentirosas cujos testemunhos eram falsos. Por ter sido um julgamento injusto, foi condenado com a pena máxima da crucificação.

Todavia, como se lê nos Evangelhos, o próprio Jesus, em sua missão e após sua Ressurreição, valoriza as testemunhas e o seu testemunho. Assim, antes de sua Ascensão ao céu, Jesus “deu instruções aos apóstolos” conforme narra São Lucas nos Atos dos Apóstolos: “Mas vão receber a força do Espírito Santo que descerá sobre vocês. E serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os extremos da terra” (At 1, 8). Nesse sentido, ao concluir o texto do seu Evangelho, João escreve: “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e as escreveu. E nós sabemos que o testemunho dele é verdadeiro” (Jo 21, 24).

Os apóstolos e discípulos “tornaram-se testemunhas da Ressurreição”. Essa condição de testemunhas é uma dignidade incomensurável e a responsabilidade é incomparável, frente a outras que assumiram no cumprimento da missão que Jesus lhes confiou. As mulheres foram as primeiras testemunhas e mensageiras da Ressurreição de Jesus. Em recente catequese na Praça de São Pedro, o Papa Francisco se refere a esse fato: “Antes de mais notemos que as primeiras testemunhas deste evento foram as mulheres. De manhã muito cedo, elas vão ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus e encontram o primeiro sinal: o túmulo vazio. Segue-se depois o encontro com um Mensageiro de Deus que anuncia: Jesus de Nazaré, o Crucificado, não está aqui, ressuscitou. As mulheres são levadas pelo amor e sabem acolher este anúncio com fé: acreditam e subitamente transmitem, não ficam com a mensagem para si. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche os corações, não a podem fechar dentro de si mesmas. Nos Evangelhos as mulheres têm um papel primeiro, fundamental. Aqui podemos colher um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um fato inventado, no contexto daquele tempo, não teria estado ligado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas narram simplesmente aquilo que aconteceu: são as mulheres as primeiras testemunhas. E isto é belo, é a missão das mulheres e das mães darem testemunho aos seus filhos e netos que Jesus está vivo e ressuscitou”.

De que maneira os discípulos e discípulas de Jesus, hoje, assumem também a condição de testemunhas e mensageiros da Ressurreição? O Papa responde: “também nós podemos reconhecer e encontrar o Ressuscitado: na Sagrada Escritura; na Eucaristia, onde Jesus se faz presente e nos faz entrar em comunhão com Ele; na caridade, quando os gestos de amor, bondade, misericórdia e perdão fazem resplandecer um raio da Ressurreição no mundo”.

Por ser verdadeiro, o testemunho dos cristãos, na condição de testemunhas da Ressurreição de Jesus, sempre haverá de falar ao coração das pessoas com a linguagem da alegria e da fidelidade.

Dom Genival Saraiva
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba





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