É Natal!


 25/12/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

O Profeta Isaías anunciara: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe vai pôr o nome de Emanuel” (Is 7, 14). Ao seu tempo, o Evangelista Lucas escreveu: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus (Lc 1, 30-31). Pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). Pergunta São Cirilo de Alexandria (séc. V): “Estarão porventura em desacordo essas palavras do anjo e do profeta? De modo algum. Pois o profeta de Deus, discorrendo no Espírito sobre os mistérios, predisse que Deus se tornaria um de nós, e lhe deu um nome segundo a sua natureza e a economia da encarnação. Já o santo anjo impôs-lhe um nome considerando sua obra e missão: ele salvará o seu povo. Por isso é chamado salvador”.

O Natal é a realização do plano de Deus em relação à humanidade. O Emanuel, assim chamado por Isaías, humaniza-se; é Jesus, o Salvador, como escreve o Evangelista Mateus. Por isso, a doutrina católica ensina que se trata da mesma pessoa que tem natureza divina e natureza humana. Essa união é chamada “união hipostática”, isto é “as duas naturezas unem-se numa só pessoa”. Ao assumir a natureza humana, Jesus não deixou de ser Deus. Por ser Deus, não deixou de se tornar semelhante aos seres humanos em tudo, à exceção do pecado, conforme o ensinamento da Carta aos Hebreus (cf. Hb 4, 15).

A celebração do Natal, a cada ano, é uma feliz oportunidade para que cada pessoa tome consciência de sua dignidade. São Leão Magno, Papa, trata dessa dignidade: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus”. Essa dignidade precisa ser assumida por cada pessoa e ser reconhecida e respeitada por todos. Na realidade, muitas pessoas são as primeiras a não reconhecer o seu próprio valor, a não reivindicar os seus direitos, a não se opor a propostas que ferem a sua dignidade. Muito comum, lamentavelmente, é a situação de aviltamento da dignidade humana, perpetrada de muitas maneiras no relacionamento humano. Uma forma agressiva é o aborto, por ser a primeira violência a que foi submetido um ser em gestação que não teve a oportunidade de ter o seu natal. Há outras formas de natureza social - condições precárias de moradia, saúde, educação, trabalho e tantas outras, por serem incompatíveis com a dignidade humana. Portanto, as pessoas podem ser feridas na sua dignidade, quando individualmente consideradas e em razão de sua condição social. Onde se encontre qualquer pessoa - criança, jovem ou adulta, numa escola, num hospital ou num presídio, deve ser tratada com dignidade. O Natal fala à humanidade, antes de tudo, pelo seu sentido divino e espiritual. Por isso, a ação pastoral do tempo do Advento prepara os fiéis e a liturgia da Igreja os envolve na celebração do mistério do nascimento do Emanuel, o Messias Salvador.

O Natal de Jesus contém sempre um apelo humanizante. Nesse tempo, identificam-se gestos caridosos, exprimem-se sentimentos solidários, pronunciam-se palavras fraternas. O Natal cria estímulos dessa natureza que falam muito ao coração de uma criança e de uma pessoa idosa. Assim, a melhor sintonia com o Natal é vivê-lo no plano espiritual e a solidariedade é a expressão mais concreta da fraternidade humana. Sem dúvida, isso diz muito mais do que o formal desejo de “Feliz Natal!”.

Dom Genival Saraiva
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba


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