Espera alegre


 11/12/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

A liturgia vive o mistério de Cristo nas celebrações da Igreja. Nessas celebrações, além da sua expressão racional, sentimentos humanos, como alegria e tristeza, têm o seu lugar na oração dos fiéis. Por isso, na liturgia, há celebrações de ação de graça e celebrações fúnebres. A alegria, por exemplo, também é identificada nas celebrações do Ano Litúrgico, em momentos especiais do período da Quaresma e do Advento - domingos Laetare e Gaudete. Essas palavras latinas “significam basicamente a mesma coisa, ou seja, significam ‘Alegria’. É como se disséssemos na Língua Portuguesa ‘Alegra-te e Rejubila-te’, que querem dizer a mesma coisa sendo uma palavra sinônima da outra. Outra semelhança entre Domingo Laetare e Domingo Gaudete é que ambos se referem a um termo tradicional dado ao penúltimo domingo da Quaresma e do Advento, que popularmente é conhecido como o Domingo da Alegria. Esse domingo consiste em uma pausa prevista dentro do rito litúrgico, para lembrar que a Alegria está chegando, ou seja, uma grande festa está por vir. É importante entendermos que no Ciclo do Natal e no Ciclo da Páscoa existe um tempo de preparação que antecede essas grandes festas do calendário litúrgico de nossa Igreja. O tempo de preparação para o Natal é o Advento que são quatro domingos, sendo o 3º Domingo do Advento o Domingo Gaudete. O tempo de preparação para a Páscoa é a Quaresma que são cinco domingos, sendo no 4º Domingo o Domingo Laetare. Nesses domingos temos a presença da cor litúrgica ‘rosa’ exatamente para lembrar que é um domingo diferente. Neste domingo é importante que a Igreja esteja com a ornamentação diferenciada, pois afinal a Alegria Maior aproxima-se que é o Natal ou a Páscoa”.

Essa é a Antífona da Entrada da Missa do 3º Domingo do Advento: “De novo eu vos digo: alegrai-vos”. O sentido da alegria desse domingo é a “a proximidade da chegada do Senhor”. O sentimento de alegria está presente em textos da liturgia, como a oração da coleta: “Ó Deus de bondade (...) dai chegarmos às alegrias da Salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia”. No texto do Profeta Isaías, na 1ª Leitura, constam expressões nessa mesma linha: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. (...) Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto”.

Espera alegre é um estado de espírito que as pessoas experimentam quando aguardam a chegada de alguém da família ou do círculo de amizade para participar de um momento importante de sua vida. Por certo, isso já está acontecendo na vida de alguém, ante a confirmação da visita de outrem nesse período de Natal e Ano Novo. No sentido litúrgico do Advento, espera alegre é a certeza da proximidade do Senhor na forma como é celebrado o nascimento de Jesus, o Emanuel - o Deus conosco, como escreve o profeta Isaías. As expressões sociais de alegria natalina - presépios, luzes, músicas, confraternizações, visitas, doações e tantas outras - têm seu valor por tocarem o coração das pessoas. Outras formas de espera alegre falam mais intensamente às pessoas porque podem aprofundar a espiritualidade, como as celebrações penitenciais, promover a evangelização, como a Novena de Natal, e compartilhar vivências, como as orações em família.

O Natal de 2016, em meio a muitas perplexidades no plano social, econômico e político, é portador de esperança e vida para a população brasileira porque “Cristo nasceu para nós”.

Dom Genival Saraiva
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba


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