Não se fechar ao debate


 06/04/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Gestores, parlamentares, juristas e formadores de opinião encontram-se diante de situações insustentáveis de violência generalizada. A função das autoridades é buscar soluções práticas e emergenciais de médio e longo prazo. Situações de violência envolvem-se num cipoal de complexidades. Há profundas divergências de opiniões por parte dos diversos segmentos da sociedade brasileira, criminalistas, cientistas político-sociais, psicólogos, membros de comissões de Direitos Humanos, etc. No centro dos debates pergunta-se pelas diferentes causas que geram a violência e a criminalidade juvenil. Entre outras causas está a crise de valores éticos e morais. Não há solução ideal, definitiva. Nesse contexto situa-se o debate sobre a redução da maioridade penal. A tentativa é reagir ante o avanço da violência e a vida da população em risco.

Devemos enfrentar as estruturas perversas que geram violência e banalizam a vida humana. Não existem soluções imediatistas nem sociedade perfeita. O nosso povo necessita de se reeducar para conviver em sociedade. Buscamos o aperfeiçoamento dos referenciais sociopolíticos, econômicos e culturais mais próximos à inserção social da população, evitando reproduzir interesses da sociedade de consumo. A causa geradora das diversas formas de violência reside na ausência de valores humanos e cristãos. Não há solução simplista ante a avalanche de insegurança a qual todos nós estamos expostos. Tentativas de soluções concordam com a eventual redução da maioridade penal, se for acompanhada de mecanismos que, por sua vez, exigem infraestruturas adequadas, no sentido da reeducação de infratores e sua reinserção social. As reformas sociais urgentes começam pela educação profissional de qualidade, oferta de oportunidades de inserção de adolescentes e jovens, produção e pela equitativa distribuição de riquezas.

A sociedade espera pela integração e inteligência dos órgãos de Segurança Pública e Desenvolvimento Social, a troca de experiências exitosas que em locais como Bogotá, na Colômbia, estão dando certo. Não podemos nos fechar ao debate ante a sociedade esgotada, sem conseguir suportar a criminalidade e a banalização da vida, chegando ao estágio de anomalia e caos. É o que se vê nas legítimas e pacíficas manifestações reivindicando direitos sociais, onde apareceram mascarados, baderneiros, patrocinados para invadir, destruir o patrimônio público e privado, seguidas de intimidações, mortes, pânico. Provocações criminosas não podem continuar.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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