Vocação religiosa


 21/08/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

Além do chamado divino, via de regra, tocam a mente e falam ao coração dos vocacionados os carismas de famílias religiosas do ramo masculino e feminino, vividos por seus fundadores como São Francisco (Franciscanos), São Bento (Beneditinos), Santo Inácio de Loyola (Jesuítas), Santa Clara (Clarissas), Santa Escolástica (Beneditinas) e Santa Luísa de Marillac (Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo). Nessa vocação, portanto, está o germe do seguimento e da imitação da espiritualidade que é alimentada pelas diversas famílias religiosas. Na verdade, essa diversidade de carismas é um enriquecimento na vida da Igreja porque a espiritualidade que cada uma vivencia responde a aspirações individuais e a necessidades comunitárias.

A histórica presença da Vida Consagrada é identificada na vida conventual. A partir do Concílio Vaticano II é também identificada no meio do povo; são as Comunidades inseridas que fazem um grande bem aos fiéis. Em algumas instituições da Vida Consagrada, além daqueles membros que se consagram através dos votos de pobreza, castidade e obediência, há seguidores no segmento leigo que procuram viver essa espiritualidade na linha do testemunho, como “sal da terra e luz do mundo”.

Nos últimos tempos, homens e mulheres encontram outra forma de viver uma espiritualidade e de realizar o trabalho de evangelização - as Novas Comunidades. “O Concílio pedia uma Igreja inserida no mundo, capaz de atraí-lo para Cristo e de dar respostas aos desafios de seu tempo. O Papa João Paulo II, na memorável Vigília de Pentecostes de 1998, chamou os Movimentos Eclesiais e as Novas Comunidades de ‘providencial resposta do Espírito’. Isso porque, através das Novas Comunidades e Movimentos Eclesiais, leigos que se consagram a Deus a partir de um carisma e, sob o dom e a radicalidade desse carisma, vivem o seu Batismo de forma autêntica num mundo dilacerado pelo secularismo”.

Este ano, a comemoração do Dia dos Religiosos, Religiosas e Consagrados Seculares, no terceiro domingo de agosto, coincide com o encerramento do XVII Congresso Eucarístico, em Belém do Pará. Essa referência ao Congresso Eucarístico tem sua razão de ser, basta que se considere o seu tema - “Eucaristia e Partilha na Amazônia Missionária”; e o seu lema - “Eles o reconheceram no partir do Pão” (cf. Lc 24, 35). A evangelização na Amazônia registra uma acentuada presença da vida religiosa. “A evangelização na Amazônia é realidade concreta há 400 anos. Inicialmente infundida pelos Padres Jesuítas, posteriormente outras Ordens Religiosas e também os leigos foram assumindo a missão de transformar as comunidades amazônicas mais humanas, solidárias, testemunhas de partilha e alegria pelo anúncio do Reino de Deus”. Ainda hoje, continua estatisticamente elevada e muito ativa a participação da Vida Consagrada na Amazônia.

Ao celebrar, com especial carinho, a vocação religiosa, a Igreja no Brasil testemunha sua gratidão pela participação pastoral de inúmeros missionários e missionárias no processo de evangelização. Os membros, bem como os candidatos que alimentam a vocação à vida consagrada, necessitam de apoios e orações da comunidade.

Dom Genival Saraiva
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba


  •  Endereço: Palácio do Carmo - Praça Dom Adauto, s/n
    Centro - João Pessoa (PB)
  •  Fone:(83) 3133-1000
  •  E-mail: curia@arquidiocesepb.org.br
Twitter

© Mitra Arquidiocesana da Paraíba – Todos os direitos reservados