Reivindicação ou baderna?


 16/03/2014 - Escrito para o Correio da Paraíba

Muitos de nós participamos das manifestações populares pelas ruas das cidades de todo o País, reivindicando melhores condições para a mobilidade humana e qualidade de vida, em junho de 2013. O clamor pela “saúde e educação padrão copa do mundo” foi esvaziado, em parte pela presença de ativistas pagos, infiltrados, programados para destruir o patrimônio público e espalhar o pânico. Isso comprometeu as manifestações legítimas, pacíficas, ordeiras. Em grande parte isso se deveu à omissão da autoridade, acuada, medrosa, despreparada ante as provocações propositais de conflitos. É um dever inalienável da autoridade chamar o feito à ordem. Medidas preventivas e repressivas à criminalidade, previstas no Código Penal Brasileiro (em fase de reforma), devem ser colocadas em prática. O lamentável episódio da morte de um pai de família, exímio profissional da Band, deveu-se à gente infiltrada, patrocinada para badernar.

A imprensa chamou a atenção do Governo e da população para o risco de vida que qualquer um de nós corre quando vândalos, bem pagos para badernar e destruir, infiltram-se em manifestações populares. Essa moda pegou. Em vez das formas legítimas e civilizadas de reivindicar direitos, grupos de pressão impõem o vandalismo, ao exemplo de “black blocs”, rolesinhos, MST e demais grupos que afirmam ser ligados a ONGs. Essa gente do quebra-quebra acha-se acima da lei, ademais de botar a culpa no “sistema”. Espantosamente, partidos políticos e setores do Governo chegam a apoiar e financiar gente baderneira. O mau exemplo fica sem apuração, julgamento e justa punição.

A impunidade ameaça nosso presente e futuro. Desse jeito até a Copa do Mundo parece comprometida. Em João Pessoa, o MST invadiu o Centro Administrativo do Governo do Estado, avariando o cercado e outras instalações, exigindo atendimento imediato aos seus intentos - da mesma forma como invadiu o STF e o Palácio do Planalto, provocando quebra-quebra. Entanto, o secretário geral os levou à presidente Dilma, prestigiando suas manifestações, em evidente atitude demagógica de apoio, acusando as forças de segurança de uso de truculência, desmoralizando-as. Audiência e voto são prioridades inegociáveis nesse País, prescindindo de valores éticos.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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