Pais, filhos, família


 14/08/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

No calendário vocacional do mês de agosto, ao celebrar o segundo Domingo, a Igreja no Brasil procura dar ao Dia dos Pais uma significação que vai além de uma comemoração que apenas contemple lazer, confraternização, beijos, abraços, almoços, bolos, presentes. Embora legítima, essa forma de expressão de reconhecimento não deixa de ser limitada; em alguns casos, pode se tornar vazia de sentido, se lhe falta a face da verdade da convivência no dia a dia. A paternidade e a maternidade constituem uma vocação universal por ser inerente à condição humana. Mesmo assim, pessoas abdicam dessa vocação por muitas razões, entre as quais está o Reino de Deus, como ensina Jesus.

Falar de paternidade e de maternidade significa falar de filiação, é óbvio. No Dia dos Pais, antes mesmo de os filhos comemorarem-no, cabe aos próprios pais tomarem consciência de sua vocação e da forma como a vivenciam, porque vocação diz respeito ao plano de Deus. A vocação tem a linguagem da realização pessoal. Não teria sentido uma vocação, enquanto projeto e experiência de vida, se ela não tornasse a pessoa feliz. É muito oportuno que cada pai veja-se sob esse aspecto, a fim de que sua vocação seja confirmada pelos fatos. Se for o caso, o modo de ser pai deve ser repensado, diante do que está sendo a face de sua vida e sua vocação. Se isso acontece, provavelmente, não está sendo considerado este outro elemento que, necessariamente, está associado a qualquer vocação - o serviço; no caso da paternidade - o serviço à vida. O filho é a primeira pessoa a quem o pai deve servir. Esse serviço começa desde o momento da concepção, mediante os devidos cuidados com sua gestação no ventre materno, e se prolonga, no tempo, até o último instante da respiração do filho neste mundo. Por experiência, todos sabem que contratempos da vida chegam a distanciar pais e mães de seus filhos mas, na verdade, não os distanciam de seu coração.

Por sua vez, os filhos vivem o Dia dos Pais com a linguagem do sentimento, da afetividade, da emoção. Com efeito, comumente, a leitura mais imediata de uma pessoa, diante de algo que toca o seu coração, é feita pela ótica da emoção; no entanto, esta não pode nortear posicionamentos definidores de vida porque esse é o papel da razão, da inteligência, faculdade com a qual Deus distinguiu o ser humano, dentre as demais criaturas. De conformidade com sua idade, é necessário que, na comemoração desse dia, os filhos usem a inteligência que Deus lhes deu e, assim, identifiquem a razão da felicidade e do bem-estar no relacionamento paterno ou o porquê da distância e da separação. De fato, o Dia dos Pais, de um lado, sensibiliza o coração dos filhos, e, de outro, deve interpelar a sua mente, no contexto de um relacionamento concreto.

Em razão da sensibilidade pastoral da Igreja, a comemoração do Dia dos Pais ocorre no início da realização da Semana Nacional da Família, estendendo-se, este ano, do dia 14 ao dia 21 de agosto. Essa Semana será comemorada à luz do tema “Misericórdia na Família: Dom e Missão”, tendo como inspiração e apelo o Jubileu da Misericórdia. É uma oportunidade para que a família reencontre-se com sua vocação. A Pastoral Familiar de cada Paróquia chega às famílias com muitas iniciativas, como o livreto a “Hora da Família” que “quer nos envolver nesse clima da misericórdia divina, com vistas à missão”.

Dom Genival Saraiva
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba


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