Cristãos formadores


 26/06/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

Cristãos, leigos e leigas, são incorporados a Cristo pelo Batismo e, assim, participam da sua missão profética, sacerdotal e régia. São constituídos como povo de Deus como concidadãos, seguindo seu caminho de santificação, no âmbito pessoal, familiar, social. São cooperadores na construção da Igreja, Corpo de Cristo, e da sociedade, em suas realidades temporais. A iniciativa dos cristãos, leigos e leigas, é particularmente exigida para impregnar as realidades sociais com o aporte dos valores humanitários e cristãos.

Nas diversas dimensões constitutivas da sociedade, os profissionais leigos, imbuídos do espírito do Evangelho de Jesus, contribuem na construção da ordem social equânime, justa, fraterna, solidária. Para isso é preciso uma formação específica, permanente. A formação para a concidadania deveria ser iniciada na família, continuada na educação formal e profissional, corroborada pelo Estado de direito que garanta as instituições e a ordem social.

Se a família for bem constituída como núcleo propulsor da formação humana e cristã, desabrochará as potencialidades nos filhos, em sua missão particular. A instituição familiar é uma pequena sociedade, da ordem natural querida por Deus. Essa constituição antecede ao Estado, cujo papel é defender e promover o bem comum da sociedade, das famílias, das próprias pessoas. Estados totalitários e ditatoriais jugulam a liberdade e tolhem os verdadeiros direitos das pessoas. Eles destroem as famílias, pela imposição da luta de classes, ideologias de gênero, discrepância entre direitos e deveres, confusão entre amor conjugal e amor livre, descomplexado, passional.

Desconstruída a referência da família, constituída de pai, mãe e filhos, propagam-se ideologias de moda egocentrista. O bem pessoal e o bem comum reduzem-se a um individualismo radical. Essa tendência confunde a mente das pessoas. Pai e mãe perdem o seu papel específico de formadores dos filhos que, pois, passam a dominá-los com chantagens, reproduzindo as tendências da moda. A maior e a melhor contribuição que os cristãos podem oferecer para a construção da sociedade inicia-se na família, na sua formação e na orientação e no acompanhamento dos filhos. Na instabilidade na qual nos encontramos, os cristãos leigos e leigas reivindiquem do próximo governo políticas públicas que defendam a vida e a família - a partir disso, políticas públicas qualificadas na esfera da educação, da saúde, da segurança, dos meios produtivos, como empreendedorismo, cooperativismo. Precisamos de políticas estruturais e de muito trabalho, não de ideologias ultrapassadas.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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