A alegria do amor


 24/04/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

Em sua Exortação “A alegria do amor”, o Papa Francisco aborda as situações e estilos de vida familiar, não raro envolta em sérios conflitos de graves complexidades. A Exortação estabelece os princípios éticos e os valores morais, sempre defendidos e promovidos pelo Evangelho e pela Tradição e Magistério da Igreja. Tem-se em vista a necessidade da formação humanitária e cristã da família, para que esta prevaleça sobre a crise de valores que se enfrenta na sociedade. Francisco apela para a educação (ou reeducação) para o amor fiel, capaz de fortalecer os vínculos conjugais e o convívio harmonioso dos pais com os filhos.

A Exortação esmera-se em apontar os valores sagrados vividos no matrimônio, trazendo alegria e paz no exercício do amor, liberto do egoísmo individualista. Há situações profundamente contraditórias e dolorosas de casais que fracassaram no casamento, por série de fatores. Entre outros: a ausência dos valores humanos e cristãos, o desconhecimento dos referenciais sobre o matrimônio e a família, a imaturidade, o despreparo, o erro de pessoa, enfim, fatores que inevitavelmente levam às consequências desastrosas, de difíceis soluções.

Cabe aos principais responsáveis pela ação evangelizadora e pastoral da Igreja, ou seja, ao clero e aos(às) leigos(as) cristãos(ãs), irem ao encontro das pessoas que necessitam de esclarecimento e orientação espiritual em relação ao matrimônio e à família. Francisco insiste nessa dimensão formativa, preocupado com as pessoas feridas. Em sua Exortação, o Papa sugere que a Igreja preste-se a ser como um “hospital e campanha” que acolhe feridos na guerra. O Papa pede aos pastores “que acolham, acompanhem, usem de misericórdia” em relação às pessoas feridas, afastadas da vida da comunidade cristã.

Há muitos casais de segunda união que formaram outras famílias. Embora não vivam de acordo com as normas eclesiásticas referentes ao Sacramento do Matrimônio, necessitam de orientação sobre os valores espirituais. Há muitas famílias cujo matrimônio fracassou. Entanto, elas pedem ajuda à Igreja, ante as consequências das frustrações, a chaga dolorosa de famílias desfeitas. Muitas buscam novas oportunidades, tentando refazer a sua própria vida e o futuro dos filhos. O pedido de Francisco leva a Igreja a sair da sua zona de conforto! O Papa sugere que demos o testemunho da “alegria do amor”, vivido na família. Sua intenção visa à superação de inúmeras situações espinhosas, dificilmente contornáveis. É fácil julgar, condenar, excluir. Melhor acolher, incluir, acompanhar, ter misericórdia.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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