José, homem justo


 19/03/2016 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Dentre tantos personagens bíblicos encontra-se José, casto esposo de Maria, a mãe de Jesus Cristo, de quem Ele tomou carne e sangue. José é pai de Jesus por adoção (cf. Lc. 1,27.31.35. Mt. 1, 19-25). Celebramos o seu dia aos 19 de março, vinculado aos 25 de março, data convencional que celebra a encarnação de Jesus, o Verbo divino que assume a natureza humana. José é o modelo de um pai de família, qualificado como humilde carpinteiro, discretamente presente na vida e na missão do filho de Deus feito homem na terra. Trabalhador honesto, defensor da vida de Jesus e de Maria, teve que se refugiar no Egito desde o nascimento de Jesus, porquanto Herodes tinha mandado matar todos os meninos abaixo de dois anos por saber que havia nascido outro rei, em Belém de Judá (cf. Mt. 2,6-8. 16. 20-23).

Voltando à região da Galileia, por lá José se estabeleceu com a família. O Evangelho quase não se refere à figura de José, senão à sua discreta presença e atuação vigorosa como varão fiel e justo. Ao notar os sinais evidentes da gravidez de Maria, José se retira. Sua atitude não significou omissão, fuga ou covardia. José se retirou para evidenciar o mistério da Encarnação do Verbo, por obra e graça do Espírito Santo (Mt. 1,19s). A obra da geração de Jesus no ventre sacrossanto de Maria não contou com a colaboração humana de José. A obra era do Pai gerando o seu Filho unigênito. Gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.

A discreta retirada de José indica a confiança e perseverança da feliz expectativa pela hora de Deus. José não estaria invulnerável ante tantos comentários críticos. Retirou-se, esperando pela hora da manifestação do mistério do amor maior que o amor humano. O silêncio faz parte do discernimento orante, da perspicácia singela, do preparo indispensável para empreendimentos que sobrepassam os nossos cálculos, ou que superam as nossas forças.

Não é nada fácil esperar contra toda esperança humana. A fé se faz acompanhar de obras, planejadas e executadas com constante paciência. Por vezes os resultados humanos não são os mais esperados. Aos olhos de Deus, entanto, adquirem o quilate da fidelidade, não de um simples sucesso humano. Se a obra é do Senhor, não temos que meter a mão de forma precipitada, estragando tudo. Nossas tendências, igualmente errôneas, são, primeiro, de fazer as coisas sem pensar, colocando a carroça na frente dos burros. Segundo, esperar passivamente, sem tomar qualquer atitude, entanto indispensável para abertura de oportunidades. José fez o que devia, sem se deixar abater pelas provas às quais foi submetido, colaborando na obra de Deus.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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