Humanismo cristão


 06/03/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

As causas da crise econômica e política originam-se na negação dos princípios éticos e dos valores morais. A reversão da crise requer o redesenho da economia em função do bem da coletividade, alicerçada em políticas estruturais. Há milhares de pais de família e jovens desempregados. Em todos os setores produtivos haveria serviços, mediante qualificação profissional. Para que o País possa competir no mercado interno e externo é preciso produzir com qualidade. Chiara Lubich, humanista cristã, propõe a economia de comunhão, isto é, da capacitação das pessoas, da qualificação técnica da empresa e dos operadores e a partilha do ônus e bônus entre ambos.

A partir da valorização e investimento no capital humano e no capital tecnológico, tanto as pessoas crescem quanto a empresa. Pequenas, médias e grandes empresas conseguem crescer a partir de oportunidades dadas às pessoas, exigindo seu mérito e compromisso. O humanismo cristão propõe a comunhão de bens contando com a iniciativa privada. Entanto, o modelo socioeconômico adotado no nosso País apresenta características populistas e autoritárias. Impostos escorchantes deprimem ou alijam a iniciativa privada, sem a qual o Estado não consegue jamais se desenvolver. O Estado vive de impostos, mas não é um proprietário absoluto. Deve revertê-los em bens para a coletividade, especialmente voltados aos bens essenciais da população e obras estruturais.

Hoje, desemprego em massa; unidades de saúde pública sem condições de atendimento à população empobrecida; aprendizado defasado, em comparação ao dos países desenvolvidos. Sem repasses federais, governos estaduais e municipais não têm de onde tirar recursos sequer para pagar a folha de funcionários. Nosso País, tão rico, foi saqueado por apropriação indébita de oportunistas. Em estado pré-falimentar, o modelo populista não investe em infraestrutura para o País produzir. Tudo foi empregado em programas sociais que ajudaram milhões de brasileiros a saírem da miséria, porém não foram incluídos nas atividades econômicas que hoje exigem qualificação profissional. Setores produtivos necessitam de mão-de-obra, sem poder contratá-la. Governos populistas e totalitários não investem em obras estruturais porque não aceitam parcerias com a iniciativa privada, considerada pela ideologia do atraso como vilã. Reservas trilionárias do País serviriam para isso. A corrupção é a causa do atraso das nações propositalmente empobrecidas. O País precisa de lideranças honestas e competentes. Será preciso formá-las.


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