Economia de comunhão


 05/03/2016 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Nosso País cai no descrédito pela pífia capacidade produtiva e competitiva no mercado interno e externo. Nosso povo é alijado do processo do desenvolvimento desacreditado da política e dos políticos, envolvidos em escândalos financeiros, ora como fautores, ora como cúmplices de empresários oportunistas desonestos. A corrupção nega os valores éticos e morais, embora viva de discursos bonitos. A “Operação Lava-jato mostra a face dessa gente a toda hora. A ausência de valores de referência reflete-se no desencanto pela vida. A decadência do País passa por fases de incerteza quanto ao presente e ao futuro, sem planejamento, sem previsão, sem segurança orçamentária. A economia está contingenciada. A federação sequer repassa os recursos indispensáveis para Estados e Municípios saldarem a folha de funcionários e servidores. Para além da disseminação da droga, da violência, da carestia, do desemprego em massa, o País paralisado espera por um libertador messiânico que não virá. Milagre demora bem mais.

Nossa Constituição cidadã de 1988 define vários princípios básicos que são parâmetros de comportamento ético e moral, a ser seguido pelos governantes e pela população. Os princípios básicos da ética estão presentes na Constituição, entanto não seguida por conta do Estado aparelhado pela ideologia do atraso. Um forte grupo de pressão política e econômica pretenderia fazer deste País uma província “bolivariana”. Traduzindo: um socialismo irreal, sonhado como modelo utópico, que, porém, não logrou êxito em lugar algum do mundo, tal como na Rússia, no Leste Europeu, mais recentemente na Venezuela, na Argentina, na Bolívia. Nossa Constituição cidadã defende e garante a liberdade, promove a família em base à solidariedade, motiva a subsidiariedade, respeita o direito de propriedade, incentiva a iniciativa privada, almeja condições dignas de trabalho, tal que se assegure no País a inclusão com justiça social. Entanto, o povo sofre com as consequências do modelo socioeconômico desastroso. O que fazer?

Chiara Lubich, humanista cristã, propõe a economia de comunhão: investir no capital humano, pela capacitação científica e tecnológica, porquanto os operadores e a empresa, por menor que seja, devem lucrar, bancando com o ônus e com o bônus. O humanismo cristão defende o direito de propriedade e a iniciativa privada. O regime de comunhão participativo planeja metas, avalia os resultados, inclui com justiça social. Regimes totalitários e populistas impõem impostos escorchantes e os empregam em programas sociais paternalistas. O populismo repassa, sem promover capacitação e inclusão.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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