CF: integrar fé e vida


 27/02/2016 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A espiritualidade cristã vivida na Campanha da Fraternidade visa integrar a fé com a vida. A CF2016 envolve-nos na construção da qualidade de vida, convictos de que participamos da comunidade humana. Somos da mesma família, entanto nossa casa está descuidada. Daí o tema “Casa comum, nossa responsabilidade”. O acesso à água tratada e ao saneamento básico significa conquistar as condições para todos se desenvolverem como civilizados.

O Instituto “Trata Brasil” apresenta dados: somente 39% do esgoto são tratados no território nacional e nas 100 maiores cidades brasileiras a média não chega a 41%. Apenas 10 das grandes cidades conseguem tratar mais de 80% do seu esgoto. Na Região Norte, menos de 15% do esgoto são tratados, contra 43,9% no Sul e no Sudeste - regiões que apresentam os melhores números. Isso explica a facilidade com que o mosquito da dengue proliferou e hoje, interagindo com outras espécies, modificou sua genética, espalhando a epidemia da chikungunya, zika e doenças endêmicas piores.

Nas grandes, médias ou pequenas cidades raramente os governos investem na seleção e na reciclagem do lixo. Continuam sendo focos de várias doenças, incluindo os catadores que poderiam ser mais valorizados. O Governo Federal afirma a inclusão de 30 milhões de pobres. Na realidade o nível de aprendizado e habilidades escolares e profissionais é de fazer vergonha. O Texto Base da CF 2016 traz dados resultantes de pesquisas, aliás ilustradas ao vivo, no dia a dia do combate ao mosquito. Mais de 51% da população brasileira não têm acesso à água tratada e esgotamento sanitário. Mais de 100 milhões de pessoas moram em espaços sem água potável nem tratamento de esgoto. Sem agredir ninguém, nosso povo necessita de orientações para prevenir doenças evitáveis.

O “Trata Brasil” estipula R$ 303 bilhões nos próximos 20 anos para universalizar o acesso à água e ao esgotamento sanitário. Se incluirmos os serviços de manejo de resíduos e de drenagem de águas pluviais urbanas, o custo será de R$ 508 bilhões. Sugestão às lideranças: apresentar aos candidatos às próximas eleições municipais as reivindicações da vida digna, contemplando acesso à água e devido tratamento sanitário. Há mais de 30 anos a Pastoral da Criança vive práticas exitosas (acesse www:pastoraldacrianca.org.br). A CF2016 trata de temas abrangentes relativos à educação e saúde pública, tornando-se um roteiro de reflexões e atividades práticas na missão de inclusão com justiça social. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da fome.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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