CF: ao menos o básico


 28/02/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

A Campanha da Fraternidade de 2016 (CF) traz como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”, que vincula a espiritualidade cristã à saúde pública. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da fome. O acesso à água para uso humano exige a contraproposta do saneamento básico, evidentemente! Doenças endêmicas e epidêmicas provêm da falta de água de boa qualidade e da ausência de tratamento de esgoto. É vergonhoso reconhecer: 51% da população brasileira não têm acesso às redes de coleta de esgoto. Mais de 100 milhões de pessoas moram em espaços privados de acesso à água potável e não possuem garantias de tratamento de água e esgoto. Os lixões das cidades de grande, médio ou pequeno porte constituem-se em focos de doenças.

Há mais de 30 anos o mosquito transmissor da dengue, interagindo com outras espécies, encontrou “habitat” propício a sua modificação genética, reproduzindo novos vírus. Basta qualquer local insalubre para se reproduzir. A tal da zika é uma a mais. Outras virão como pestes da antiguidade a contaminar populações. Não se trata apenas da incapacidade do governo de planejar projetos estruturais, incluindo a saúde pública. Trata-se também de educar ou de reeducar a população no cumprimento de suas obrigações de higiene pessoal, familiar e de prevenção de doenças nos locais onde facilmente proliferam as doenças. O jejum, a esmola e a oração, próprios da Quaresma, voltam-se, no presente ano, à prevenção de males e à profilaxia de doenças endêmicas, como forma de verdadeira caridade cristã.

Como o pecado e todo mal devam ser evitados, assim também a displicência, a preguiça de higienizar e prevenir doenças. Deus não quer a morte do pecador, e sim que ele tenha vida em abundância (Jo 10,10). Nossa sugestão é que, no presente ano de eleições municipais, possamos apresentar de forma clara e objetiva aos candidatos as medidas urgentes a serem tomadas na esfera da educação e da saúde pública, adaptada às realidades locais. Concretamente, em cada região municipal, que a população urbana e rural tenha ao menos o básico para conviver em espaços dignos. Queremos que o povo tenha saúde e educação de qualidade, que tenha garantias de desenvolvimento, incluído socialmente. A democracia representativa e participativa exige parceria e envolvimento da população nos seus próprios destinos. Saibamos reivindicar junto aos políticos. Envolvamo-nos na construção da cidadania com essa mesma convicção!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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