CF 2016


 06/02/2016 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Durante a Quaresma a Igreja no Brasil intensifica a Campanha da Fraternidade (CF), com o objetivo de incentivar os empreendimentos de caráter humanitário e cristão, levando o povo a construir o bem comum. No Evangelho, Jesus demonstra atitudes concretas voltadas à solução de conflitos de interesses. O que Ele mesmo vive, tenta fazer com que nós vivamos também: o amor ao Pai e ao próximo. Daí decorre a vida fraterna, solidária, serviçal. O processo gradativo da evangelização importa na responsabilidade de todos, unindo seus esforços em função da promoção da dignidade da vida humana.

A CF 2016 traz a vasta temática da água. Sugestivamente cita o profeta Amós 5, 24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, e traz como lema: “casa comum, nossa responsabilidade”. A segurança hídrica vincula-se a políticas públicas voltadas à saúde e à educação da população. Se quisermos qualidade de vida é preciso reeducar-nos para obtê-la, garantindo os recursos hídricos. Importa no saneamento básico, na preservação dos mananciais, evitando o assoreamento, a poluição dos rios e dos oceanos, o gerenciamento da distribuição da água para uso humano, animal, produção agrícola, etc. A água possui um valor incalculável pelos benefícios que traz, contudo esse bem é finito e escasso. A vida no planeta está ameaçada por falta d’água tratada. Não podemos desperdiçá-la.

O programa “Viva Água”, plano emergencial de enfrentamento à estiagem, do Governo do Estado da Paraíba, em curso, prevê práticas que solucionam efetivamente o grave problema da falta d’água e estabelece ações preventivas de convivência no semiárido. Nossa população precisa envolver-se nessa política hídrica estrutural, política de preservação e cuidado sustentável. Note-se que a temática da CF 2016 abrange a Quaresma porque, na esfera espiritual, cuidar dos recursos da natureza significa favorecer à vida saudável, à vida em abundância (Jo 10, 10). Isso importa em evitar doenças endêmicas que se proliferam pela escassez de água e de alimento. Jesus vinculou as obras de misericórdia às práticas da vida qualificada: dar de beber e de comer a quem tem sede e fome. Não obstante a recessão socioeconômica pela qual passamos, o projeto Viva Água garante as etapas de investimentos em obras orçadas em R$ 133 milhões, em diversos sistemas de abastecimento, sobretudo em localidades de carência absoluta. Incluídas barragens subterrâneas e de terra, trincheiras, poços artesianos, etc. Concomitantemente, o saneamento básico.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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