Corrupção é meio de vida


 31/01/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

O Papa Francisco resume o que todos sabem: “Corrupção é pecado. Tornou-se sistema, um meio de vida. O corrupto esconde aquilo que considera o seu verdadeiro tesouro, aquilo que o torna escravo, mas disfarça o seu vício com a boa educação, arranjando sempre uma forma de salvar as boas aparências”. A corrupção torna-se um estilo de vida de governar, um sistema de governo! A corrupção é a causa do atraso das nações propositalmente empobrecidas. A ausência de infraestrutura produtiva deve-se à negação de condições de inclusão com justiça social. O atraso é efeito da corrupção, devido à opção por políticas de compensação. Não se percebe que nosso País siga um projeto estrutural, planejado, garantido financeiramente para se expandir, considerando o aumento de demandas nas dimensões da educação, saúde, setor produtivo, indústria, comércio, mobilidade humana, moradia, segurança, etc.

Na falta de clareza objetiva de metas, planejadas num projeto de estado, facilmente a corrupção toma de conta, através de políticas compensatórias, improvisadas, mescladas de compaixão pelos pobres. Na verdade são políticas que os mantêm empauperados, dependentes. A decadência do País contrasta com a passividade do povo brasileiro. A corrupção deve-se à ausência de valores éticos e do conhecimento científico e tecnológico na ampla esfera da educação. Algumas escolas e universidades particulares sobrevivem graças à iniciativa privada, não obstante encampadas por grupos financeiros. Proliferaram faculdades, tipo “pagou passou”. Entanto, a missão das escolas técnicas e universidades é suscitar vocações, interagir com potencialidades regionais e locais, acompanhar estudantes no processo de ensino, aprendizado, habilidades profissionalizantes.

Na modernidade, as pesquisas de campo têm em vista a transformação qualificada da realidade. O País atrasa-se por falta de investimentos há quatro décadas. Política e políticos envelhecidos na corrupção conseguiram manter o atraso, salvando aparências de um país desenvolvido. Os programas sociais de governo não visam a inclusão com a profissionalização das camadas mais precisadas da população. Os que são empobrecidos, propositalmente, jamais se libertarão enquanto sustentados pela mentalidade da dependência. Diz o Papa: “o corrupto não se arrepende e finge ser cristão. Lamenta a pouca segurança nas ruas, mas, depois, engana o Estado, evadindo impostos (...), corrupto não conhece humildade, não sente a necessidade de ajuda e leva uma vida dupla”.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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