Portas de Misericórdia


 23/01/2016 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A Porta Santa do Jubileu da Misericórdia aberta pelo Papa Francisco, na Basílica de São Pedro, representa simbolicamente a peregrinação de fiéis ao Coração de Cristo onde buscam e encontram a vida e a salvação. A Porta da Misericórdia abre-se aos pecadores que renunciam a tudo o que seja mal, a mentira, a inveja, o ódio, a vingança, a violência, o rancor, enfim, o que gera sofrimento para si e para o próximo. A Porta abre-se aos que abraçam a conversão a Cristo e aos valores do Evangelho. A Porta abre-se aos gestos de amor e disponibilidade, para servir aos semelhantes, especialmente aos mais necessitados.

Há vários gestos referindo às obras de misericórdia espirituais e corporais tais como: visitar e cuidar dos enfermos (Mt. 8,14); Ensinar a quem não sabe (Mt. 5, 38-48); Dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede (Mt. 25, 35.37.42-44); Dar bons conselhos a quem necessita (Mt. 13, 1-13); Corrigir aos que erram (Jo. 8, 1-11); Dar pousada aos necessitados (Lc. 2, 1-7); Perdoar as ofensas (Mt. 18, 21-22); Vestir os despidos (Mt. 25, 34.36.43); Consolar os tristes e aflitos (Mt. 11, 28-29); Socorrer quem está preso (Lc 16, 16-21); Suportar com paciência os defeitos dos outros (Lc 5, 1-11); Orar pelos vivos e mortos, sepultar os defuntos (Jo. 11, 1-45). Tratam-se de gestos praticados no dia a dia de nossos relacionamentos.

Passar pelas Portas da Misericórdia significa buscar a indulgência, o perdão, a restauração da própria vida e da vida de pessoas destruídas por dentro. Trata-se da conversão, do compromisso de transformação cristã. Há atitudes destrutivas que manipulam as pessoas como objetos de uso e abuso, como traição, calúnia, difamação, preconceito, agressão, exploração. A verdade liberta e se ela for lesada deve ser restaurada. O perdão corresponde à reconstrução de vidas destruídas. Para recuperar a confiança perdida, passa-se por dentro do arrependimento, da restituição do prejuízo e da honra, do comportamento sincero que demonstra a emenda de vida.

A Porta da Misericórdia do coração de Cristo abre-se a quem aceita superar as provações. Elas são amargas, mas nos purificam e nos preparam à iluminação interior no itinerário do longo aprendizado evolutivo. De fato, o nosso aprendizado é feito de purificação e de iluminação, remetendo-nos ao serviço do próximo. Para sair do egoísmo e aprender a servir com amor e desapego é preciso ir ao encontro dos outros. Perdoar é resgatar a dignidade do amor e de respeito, quando ferido ou perdido. Essa atitude é permanente, não se limitando a algum período. O Jubileu da Misericórdia é excelente ocasião para nos renovar na fé e no compromisso cristão.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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