Rumos


 17/01/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

O sistema de governo adotado pelo Estado foi fatiar cargos públicos de relevância. A maior parte da crise sociopolítica e econômica brasileira deve-se ao fato de fatiar cargos a políticos que, naturalmente, compõem o sistema de governo. Muitos deles, desprovidos de competência técnica, representam a si mesmos, visando o bem do(s) partido(s), nem sempre o bem da coletividade. Como consequência, em meio à crise, o governo não consegue ajustar seus gastos. Para cobrir rombos, dificilmente contornáveis, recorre ao aumento de impostos.

Ainda que alguns corruptos estejam presos e/ou respondam a processos, por mérito da atuação exemplar do Ministério Público, por outro lado não conseguimos ver, com clareza, uma previsão orçamentária que garanta o projeto de Estado. Vê-se apenas um programa de governo já conhecido e desacreditado. O ajuste fiscal propalado não consegue concretizar-se. Permanece nos discursos bonitos. Quem planeja tem futuro. Quem improvisa fica com a sina do destino! Planejamento necessita de humanistas e técnicos experientes, salvaguardando o bem da coletividade, maior do que o bem particular de um político e do seu grupo.

O pensamento social da Igreja sugere que a autoridade política deva desenvolver-se dentro dos limites da ordem, garantindo certas condições para o exercício da liberdade dos cidadãos. Traduzindo: senso de responsabilidade e compromisso pelo bem comum. O bem da coletividade compreende o conjunto das condições da vida social que permitam às pessoas, famílias e instituições, atingir o seu aperfeiçoamento, do melhor modo possível.

O bem comum comporta o respeito e a promoção de direitos e deveres dos cidadãos. Como consequência comporta no desenvolvimento dos bens espirituais e temporais da cidade e da cidadania. Comporta ainda a colaboração de todos na construção coletiva de ambientes de segurança e paz social. Nesse sentido de promover a ordem e o progresso, cabe ao Estado defender e favorecer o bem comum da sociedade civil. Essas afirmações apontam para três dimensões interdependentes: humanitária, técnica e financeira. O que é bom e necessário para o capital humano, capital mais importante, seja planejado e construído com ciência e tecnologia, e garimpado e garantido por recursos financeiros. Resumindo: o País precisa de rumos. O País necessita urgentemente de boa avaliação, uma auditoria, seguida de uma boa consultoria técnica, e não de cabos de guerra, carregada de interesses e de disputas político-partidárias.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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