Vencer a indiferença


 03/01/2016 - Escrito para o Correio da Paraíba

Para vencer a indiferença e conquistar a paz o Papa Francisco serve-se da oração “pé no chão”: “De vez em quando é bom dar um passo atrás para ver as coisas à distância. O Reino não está só além de nossos esforços. Também está além da nossa visão. Na nossa vida só conseguimos realizar uma pequena parte desse empreendimento maravilhoso que é a obra de Deus. Nada do que fazemos é completo. O Reino está além de nós mesmos. Nenhuma afirmação diz tudo o que pode ser dito. Nenhuma oração expressa plenamente a nossa fé. Nenhuma crença traz a perfeição. Nenhuma visita pastoral traz consigo todas as soluções. Nenhum programa realiza plenamente a missão da Igreja. Nenhuma meta ou objetivo alcança a completude. Nós plantamos as sementes que um dia vão nascer. Nós regamos sementes já plantadas, sabendo que outros a protegerão. Colocamos as bases de algo que vai crescer. Colocamos o fermento que vai multiplicar as nossas capacidades. Nós não podemos fazer tudo, mas começar dá uma sensação de libertação. Dai-nos a força de fazer alguma coisa e de fazê-la bem. Pode permanecer incompleto, mas é um começo, o passo de uma jornada, uma oportunidade para que a graça de Deus entre e faça o resto. Pode ser que nunca vejamos a sua realização, mas esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador. Somos trabalhadores, não mestres de obra, servos, não messias. Somos profetas de um futuro que não nos pertence”.

Francisco apresenta remédios às doenças que nos destroem por dentro. Resumo os títulos conceituais do acróstico “misericórdia”. Permito-me traduzir os conceitos. Missionaridade, pastoralidade: atitude do pastor que vai ao encontro, servindo quem precisa e merece. Idoneidade e Sagacidade: credenciais de coragem e competência para enfrentar conflitos, buscando soluções. Espiritualidade e humanidade: confiança em Cristo que se faz servo da humanidade. Racionalidade e amabilidade: usar a cabeça e o coração, enfrentando conflitos com razão e fé. Inocuidade, determinação: imparcialidade nos juízos; atitudes movidas por princípios e valores, não por impulsos. Caridade e verdade: o amor alicerça-se na verdade. Honestidade, maturidade: direito tem quem direito anda. Respeito, humildade: diferenças são sadias, complementam-nos, obrigam-nos a reconhecer, não a eliminar os outros. Dadivoso, atento ao bem que se pode fazer. Impavidez e prontidão: firmeza nas decisões. Afabilidade, sobriedade: o exemplo e a fidelidade jamais passam.


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