Vencer a indiferença, conquistar a paz


 27/12/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Deus não é indiferente, importa-lhe a humanidade! Deus não a abandona! Essa é a síntese da mensagem do Papa Francisco para o início do novo ano, Jornada Mundial pela Paz, pedindo bênçãos abundantes, sob o signo da esperança, para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do mundo, dos chefes de Estado e Governo e responsáveis das religiões. De modo firme e confiadamente empenhados nos diferentes níveis. A paz é dom de Deus confiado a todos, chamados a realizá-la. Ao longo da mensagem de Francisco, são colocadas outras frases sintéticas que, por si, ajudam-nos a acolher o dom da paz e praticá-la como missão confiada por Deus. As frases de efeito importam em atividades, evidenciando sua prática efetiva, superando algumas formas de indiferença.

De fato, a paz é ameaçada pela “indiferença globalizada”. Necessitamos conservar as razões da esperança cristã, encontrada nas práticas de Jesus, no caminho do Evangelho. Para sair da indiferença e alcançar a misericórdia, passamos pela conversão do coração. Possamos fomentar uma cultura de solidariedade e de misericórdia para vencer a indiferença. A paz é fruto de uma cultura de solidariedade, misericórdia e compaixão. Que a paz desejada seja vivenciada e construída sob o signo do Jubileu da Misericórdia.

O individualista, de coração fechado, torna-se indiferente, desinteressado, incapaz de enxergar as necessidades dos outros, ou ver o que acontece ao seu redor. Esquiva-se para não ser abalroado por problemas alheios. Essa dimensão tornou-se global, gerando o fenômeno da globalização da indiferença para com Deus, da qual deriva a indiferença para com o próximo, um materialismo prático, combinados com o relativismo moderno. O verdadeiro humanismo abre-se a Deus e ao próximo, ao defender e promover a vida em abundância para todos (cf. Jo 10,10). As instituições políticas contaminadas com indiferença desvirtuam os direitos fundamentais da dignidade humana. Isso se alia ao desejo de lucro, poder, prazer. Isso ameaça e destrói a paz. Políticos cujo projeto é se manter no poder visam interesses pessoais, não o bem comum. Injustiças, divisões, violências, preconceitos, exclusões sociais surgem de sistemas de governo envolvidos com a corrupção. Quando o povo tem negados seus direitos fundamentais sente-se tentado a obtê-los pela força, sobretudo, serviços públicos de educação, saúde, capacitação para o trabalho, acesso à água, moradia, alimentos, enfim, à vida digna.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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