Natal: misericórdia


 20/12/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

A Igreja celebra o Natal do Senhor na perspectiva da Misericórdia. Que o mundo aceite a vinda de Jesus que vem reunir num só coração e num só espírito os filhos de Deus, antes dispersos ou divididos. Jesus, o bom pastor, incumbe os seus discípulos e a sua Igreja da missão que recebeu do Pai, de doar vida em abundância, onde esteja ameaçada, negada ou destruída (cf. Jo 10,10). Pessoas, famílias e povos inteiros destroem-se, por conflitos de interesses. Estruturas de violência surgem como expressões de rejeição e desejo incontrolável de vingança. Convivemos com contradições em pleno século XXI, não obstante tantos avanços científicos, tecnológicos, na era da informática. Esperávamos que tudo isso contribuísse para a superação da miséria, desigualdades sociais, discriminações, intolerâncias raciais, preconceitos religiosos, enfim, do atraso. Entanto, recrudescem as reações violentas, os ataques terroristas, a corrupção como forma de governar, ideologias fanáticas, etc. Isso tudo em função do dinheiro e do poder!

As oportunidades de desenvolvimento integral são negadas a povos inteiros. 1/3 da população mundial não possui qualificação adequada para garantir os serviços públicos de educação e de saúde. Não tem as condições necessárias para a produção e o acesso aos alimentos básicos. Esse cenário desolador faz-nos refletir. Onde estaria o espírito humanitário e cristão? Podemos chamar de estilo de civilização distanciada do Cristianismo original? Deparamo-nos num cenário semelhante ao da vinda de Jesus. “Não havia lugar onde Jesus pudesse nascer” (cf. Lc 2, 7). Veio para os seus, mesmo se os seus não o receberam. Jesus traz vida em abundancia, pressupondo a nossa aceitação e efetiva colaboração, numa atitude proativa, construtiva, permanente! A tentativa de superar conflitos, divisões e exclusões, torna-se tarefa concreta, desafiadora, contínua.

As atitudes e as atividades que valorizam e dignificam a vida comportam no desapego aos interesses escusos, mesquinhos. Jesus nos ensina a acolher o amor do Pai, deixando-nos amar e nos reconciliar com Ele. Essa atitude desarma nosso espírito possessivo, agressivo, ciumento, vaidoso. Somos impelidos a viver a vida de forma reconciliada, promovendo a comunhão de amor recíproco. O perdão comporta a restauração da verdade, a reparação do mal praticado, a restituição do que foi roubado, reconstituindo a comunhão comprometida. A verdade liberta e transforma as pessoas por dentro. A verdade reintegra-nos, fazendo-nos reencontrar o sentido da vida. Santo Natal a todos!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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