Natal: dom misericordioso


 19/12/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A fé cristã afirma que o verdadeiro sentido do Natal de Jesus encontra-se na encarnação do Filho de Deus, vindo ao mundo para que todo ser humano seja salvo por Ele. Jesus assume a nossa humanidade para purificá-la de todo mal, ocasionado pelo pecado. Nossa natureza apresenta sérias contradições entre o sentir, o pensar, o querer, o agir. São grandes as chances da nossa natureza humana equivocar-se e errar. Nós nos frustramos por não conseguir praticar o bem que queremos e não fazer o que deveríamos fazer. Enfim, experimentamos as consequências de uma divisão profunda em nosso ser. Jesus vem ao mundo para nos libertar dessa contradição. Ao tempo em que nos purifica do pecado e de todo mal, participa-nos a sua natureza divina. Deixe amar-se por ele! Jesus é o dom misericordioso do Pai que nos doa o seu Filho, no qual todos nos identificamos como seus filhos também. Deus é amor. Quem ama permanece em Deus que é o amor que nos amou por primeiro. Quem não ama permanece na morte. É difícil compreender que Deus é amor se eu não consigo amar. Muitos nunca tiveram uma família ajustada, nunca frequentaram a escola nem tiveram oportunidades de conviver em ambientes sadios. Outros não conseguem abrir-se ao amor sincero, porquanto não entendem que Deus é amor, pois na humanidade há muita intriga, ódio, violência, vingança.

No Natal de Jesus, os cristãos que crêem de forma concreta são convidados a testemunhar o valor do perdão, da misericórdia, do acolhimento, do diálogo, do anúncio da fé, do exemplo da esperança. Acolher Jesus significa deixar-se amar e perdoar por Ele que é o dom da misericórdia do Pai. Jesus não veio para julgar ou para condenar, senão veio para que mundo seja salvo por Ele. Por falta de testemunho dos valores humanitários e cristãos, muitos males multiplicam-se. Somos surpreendidos pelos condicionamentos e fragilidades da nossa natureza. Além dessas limitações, coexistem em nós tendências, ambiguidades, inseguranças. Evoluímos em termos de invenções, cientificidade, tecnologia, aperfeiçoadas cada vez mais. Entanto não demonstramos suficiente capacidade proveniente dos valores da fé, da esperança e do amor, para superar inúmeros conflitos, na esfera pessoal, familiar e social. A vida tem valor infinito. Não há preço que se pague pela vida. Entanto, saúde é vida, assim como a educação e todas as necessidades básicas, tal que todos tenham vida em abundância. Cristo veio para salvar vidas, cujo valor é infinito. A qualificação da vida requer investimentos substanciais para que se superem intolerâncias, racismos, desigualdades, discriminações, ideologias travestidos de religião. Santo Natal!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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