Misericórdia


 12/12/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Papa Francisco promulgou o Ano Santo da Misericórdia. A razão é que na sociedade de consumo vivemos contaminados por muitas formas de ódio, preconceitos, racismos, rejeições, formas de violência e exclusão. As atitudes de fé e de amor fazem a diferença em situações complexas onde a vida é ameaçada e negada de forma acintosa. Há muita dor nos corações de pessoas, famílias e povos inteiros. Somente no amor misericordioso do Pai das luzes conseguimos reencontrar o sentido da vida! Mesmo que tentemos perdoar e esquecer, as nossas paixões desordenadas incitam-nos a usar as armas do inimigo. Essa fragilidade humana projeta-se entre raças e povos que se dividem e se separam, armando-se uns contra os outros. Jesus veio trazer a união entre os filhos e as filhas de Deus, dispersos e divididos entre si. Jesus ilumina todo ser humano que vem a esse mundo, arrancando-os do poder das trevas, reconduzindo-nos no caminho da luz do Pai. Não se restaura a verdade utilizando as mesmas armas do inimigo. Deus tem saídas inesperadas para restaurar a verdade que se manifestará, por mais que demore.

A misericórdia é iniciativa do Pai que nos faz aprender as lições de purificação interior, de evolução do ódio e ressentimento para o perdão, do egoísmo e do fechamento em si para o amor serviçal aos semelhantes. Nas formas de serviço fraterno e solidário, o Pai manifesta-nos o amor misericordioso. Em cada situação, em cada momento, haverá sempre alguém mais precisado do que nós mesmos. Há sempre um modo de acolher, de oferecer guarida, de ajudar as pessoas a reencontrar o sentido da vida. As obras de misericórdia corporais e espirituais integram-se. A caridade perdoa uma multidão de pecados e nos corrige dos nossos erros e equívocos.

Você manifesta a reconciliação que o Pai dá-lhe e espera que você faça o mesmo oferecendo o seu perdão a quem o ofendeu e prejudicou, fazendo visitas e cuidando de enfermos, ensinando a quem não sabe, dando de comer e beber aos famintos e sedentos, também de justiça. Pedir e oferecer bom conselho a quem necessita significa também a correção a quem erra. Não raro, o errado sou eu, não os outros!

Acolha a quem de você necessitar, vista quem está nu, também de valores éticos e morais. Console quem anda triste e socorra quem está preso, ainda que seja de suas próprias prisões. Suporte com paciência os defeitos dos outros, ore pelos vivos e defuntos. A experiência humanitária e cristã conta com a força e a coragem divinas, sem as quais não conseguimos fazer nada disso. Interprete a prática das obras de misericórdia em cada situação e circunstância. Há sempre como estar perto e ajudar quem sofre na solidão se renunciarmos ao nosso egoísmo.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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