Advento e vigilância


 06/12/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Advento tem como raiz advir. O que está por vir na minha vida, na vida da nossa família e da sociedade? Meu estado de espírito deve (deveria) estar preparado para enfrentar desafios e contradições do dia a dia. Nem sempre consigo perceber os sinais dos tempos e lhes dar um significado. Minhas atitudes e omissões trazem consequências. Deus fala aos seus filhos pelos sinais dos tempos. Quem conseguir discerni-los aprenderá boas lições. Por falta de percepção, equivoco-me e cometo erros. Nem sempre consigo enxergar a realidade. Para ser sincero, tenho medo e não quero enxergá-la. Então busco subterfúgios, tentando fugir das responsabilidades. Tiro o corpo e deixo que alguém assuma os compromissos deixados de mão.

Fuga é a incapacidade de ver o que está ocorrendo ao meu redor. Essa é a sensação provocada a partir da situação desastrosa na qual nosso País foi projetado. Em parte isso se deve à omissão, à conivência com a corrupção, à falsa esperança de que alguém dará um jeito. Alienação. Mesmo me achando honesto, a minha acomodação permite o avanço das formas de corrupção e violência que ora dominam os espíritos e toma conta dos ambientes. Percebe-se que muitos políticos interessam-se mais por se manter no poder do que se ocupar com as precisões da coletividade.

Não nos planejamos para enfrentar a crise sociopolítica e econômica que se abate sobre o País. Recessão, desemprego, paralisação da produção e consumo. O recrudescimento da corrupção e, consequentemente, da criminalidade deve-se à perda de valores éticos e morais. Permaneceremos na incerteza da educação, no descaso e desmantelo com a saúde e a segurança pública? A complexidade da mudança de época contrasta com a mentalidade passiva e fragmentada da população. Reclamamos “das coisas como estão”. Entanto, sentimo-nos impotentes, incapazes de enfrentar desgraças adiadas, mas inevitáveis. A busca por soluções passa por investimentos prioritários e concomitantes da ética na família, nos relacionamentos humanos, na política, na infraestrutura produtiva para garantir o desenvolvimento integral da nação.

No Advento, em seu caráter religioso, preparamo-nos para restaurar a vida, à luz dos valores do Evangelho de Jesus. Peçamos luzes e coragem ao Senhor para redesenhar o País que Deus quer que nós construamos, não o País que oportunistas destruíram locupletando-se com o erário. Os sinais dos tempos pedem desinstalação e compromisso. Advento! Quem puder assumir a missão, peça luzes e se coloque a serviço do próximo!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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