HIV/AIDS: reorientação


 29/11/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

O dia 1º de dezembro impulsiona-nos à campanha permanente de prevenção e de erradicação do vírus “HIV/AIDS”. Graças ao convênio celebrado com o Governo do Estado, a Arquidiocese da Paraíba mantem uma Casa de Convivência junto ao Hospital Padre Zé para cerca de 300 portadores que lá recebem tratamento e acompanhamento em sistema de rodízio. O convênio garante tratamentos realizados por profissionais e por voluntários capacitados. Contamos com sessões de assistência médico-hospitalar, orientação psicológica, espiritual, lúdica e laboral. Os espaços favorecem à convivência para adultos e crianças.

A Igreja sente-se corresponsável na missão de restaurar vidas ameaçadas, negadas, destruídas. Nossa missão consiste em testemunhar os valores da vida saudável, do convívio familiar e do trabalho que dignifica o ser humano. A missão cristã reorienta as pessoas portadoras do vírus que, ao saberem do fato, sentem o chão sair-lhes dos pés. Nossa ação pastoral trata-as como seres humanos necessitados de compreensão e acolhimento. Cabe-nos facilitar os recursos médicos e o respaldo indispensável para o resgate do sentido da vida. Observamos que os indicativos do projeto governamental de prevenção limitam-se a um uso mecânico de preservativos, porém não educam as pessoas à vida afetiva e sexual de forma integrada e sadia.

A vida está em construção contínua, alicerçada em valores éticos e morais, concretizados em responsabilidades e compromissos. Nesse contexto colaboramos para a formação ética e moral das pessoas, onde se situa a educação afetiva e sexual saudável. Não ignoramos o fato de que a sociedade de consumo vive a (pseudo) cultura do “liberou geral”, da promiscuidade, da iniciação sexual precoce, das formas de abuso e exploração sexual infanto-juvenil. As dimensões nobres e sublimes da afetividade e da sexualidade foram “genitalizadas” e a partir disso mercantilizadas. A dimensão lúdica das pessoas foi encampada pelo viés comercial. A banalização do sexo fez-nos perder o seu significado profundo, como a geração da vida e da família, a contribuição para o equilíbrio integral das pessoas que se amam, o desempenho harmonioso das atividades humanas. As expressões de afeto favorecem à comunhão entre pessoas que se amam e que aprendem a se desenvolver de forma integrada. O exercício da sexualidade requer afetividade. Esse binômio jamais se divorcia. Antes, deve se integrar porquanto a educação para o amor exige reciprocidade e não relacionamentos fortuitos e volúveis.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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