O Reino de Cristo


 21/11/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Jesus afirma que “é rei, porém o seu reino não é deste mundo”. Ele veio para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a sua voz. “Jesus é o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo. 18, 33; 14, 5). Jesus jamais aceitou disputar um poder político, buscando interesses pessoais. Jesus não pregou política partidária nem desejou o poder. Jesus promoveu os sinais de conversão e deu exemplos de compromisso com o amor serviçal aos semelhantes. Jesus jamais se serviria da fé para se exibir, com a intenção de auferir lucros. Não obstante a pureza clarividente de suas intenções, os chefes religiosos e políticos enquadraram-no nos labirintos da lei, decretando sua morte de cruz. Foi tido como celerado partidário e sectário dissidente das antigas tradições. Tão velho quanto o mundo, o esquema da corrupção funciona com dois pesos e duas medidas. Aos inimigos à lei instruída por juízes aparelhados, forrados de grana alta.

No Credo do Povo de Deus, o Papa Paulo VI afirma que a Igreja não identifica nem confunde o reino de Cristo com um regime político ou algum projeto partidário. “Nós, cristãos, professamos que o Reino de Deus, iniciado na Igreja de Cristo, aqui na Terra, não é deste mundo, cuja figura passa. O seu crescimento próprio não pode se confundir com o progresso da civilização, mas consiste em conhecer cada vez mais profundamente as insondáveis riquezas de Cristo, em esperar mais corajosamente os bens eternos, em responder cada vez mais ardentemente ao amor de Deus e em difundir cada vez mais amplamente a graça e a santidade entre os homens. É esse mesmo amor que leva a Igreja a se preocupar constantemente com o bem temporal dos homens, com as suas necessidades, com as suas alegrias e esperanças, com os seus sofrimentos e seus esforços”. Com efeito, o reino de Deus não se reduz a projetos sócio-políticos legítimos e necessários para a organização social em contínua construção.

Jesus multiplicou os pães para saciar a fome de uma imensa multidão que o seguia. Jesus se subtrai à busca dos que queriam proclamá-lo rei. Essa era a intenção equivocada que, entanto, até hoje, domina a cabeça de muita gente. A ideia fixa era a libertação de Israel que, pois, sobrepor-se-ia aos demais, impondo-se com um regime político forte, derrotando o domínio dos romanos. Jesus sequer cogitou em ser um rei desse tipo. Por várias vezes Jesus repreendeu seus discípulos que o projetavam como um grande libertador do jugo político e da pressão religiosa exercida pelos doutores da lei (Mc. 9, 30-40). Essa ideia teocrática é totalmente falsa e dá ensejo à sustentação de grupos religiosos fanáticos, radicais. Que Jesus nos ensine a amar e servir com alegria!


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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