Regime republicano?


 14/11/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A superação da crise que assola o País exige a recusa sistemática de toda e qualquer corrupção pelo incremento do desenvolvimento sustentável e no diálogo entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e as instituições da sociedade organizada. Sem isso estaremos distanciando-nos do compromisso pela construção do bem comum, fundamento do princípio republicano. A crise sociopolítica e econômica agrava-se e toma conta do Brasil. As atividades produtivas do País paralisam-se. O poder de governabilidade do País está sem rumo. Para retomar o bom funcionamento dos três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário, além do Ministério Público, distintos, mas, harmonizados entre si, é urgente reestabelecer o crescimento sustentável, contando com a iniciativa privada, criando oportunidades, diminuindo desigualdades. O povo espera e deseja as transformações prioritárias na esfera da saúde e da educação. Para que o povo desenvolva-se e o País cresça, é indispensável ampliar a infraestrutura de produção com qualificação de mão-de-obra, incluir as populações vulneráveis, penalizadas com o mau exemplo da corrupção e dos desmandos daqueles que deveriam dar o exemplo.

A restauração da confiança da população em relação às instituições políticas depende da definição de um projeto emergencial para tirar o Brasil do buraco. Isso depende da renúncia de pessoas que brigam por um projeto pessoal, na intenção de se manterem no poder a qualquer preço. A atual legislação eleitoral republicana permite partidarismos e, pior, permite práticas de corrupção que ficam blindadas e os corruptos impunes. A proliferação de partidos criados por puro oportunismo e, daí, a criação de outros tantos ministérios para acomodar amiguinhos do rei, esgotam o erário de forma perdulária. Não há orçamento que resista ao escárnio dos insensíveis ao sofrimento da população empobrecida, alijada do processo do desenvolvimento. Assim é a República do Brasil, condicionada ao atavismo histórico do subdesenvolvimento. Note-se que a nossa Constituição Federal de 1988 baseia-se nos princípios e nos valores parlamentaristas, democraticosa, incomparavelmente mais participativos do que o Presidencialismo.

O povo brasileiro quer a Nação de volta, livre de oportunistas, interessados única e exclusivamente para extorquir benefícios particulares, à custa do surrupiamento do erário. Esses não estão nem aí para as verdadeiras demandas da população desassistida, continuamente enganada com discursos bonitos e muita diversão: “panis et circensis”.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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