CNBB e a realidade sociopolítica


 15/11/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Os Bispos do Brasil reconhecem que a crise política e econômica agrava-se e toma conta do Brasil. As atividades produtivas do País estão paralisadas e sem rumo. Há grande frustração, incerteza, desconfiança das autoridades e instituições republicanas. Dá-se a impressão de que essas não são capazes de superar os conflitos de interesses. A Igreja deve cooperar com a sociedade na construção do bem comum. Comprometidos com a defesa dos valores humanos e com a vivência democrática, os Bispos conclamam a população a exigir a governabilidade do País. Isso implica no funcionamento dos três poderes que são distintos e harmônicos; recuperar o crescimento sustentável; diminuir as desigualdades; exigir profundas transformações na saúde e na educação; ampliar a infraestrutura; cuidar das populações mais vulneráveis que mais sofrem com desmandos e intransigências dos que deveriam dar o exemplo.

Cabe à sociedade civil, isto é, a nós cidadãos(ãs), exigir que os governantes do Executivo, Legislativo e Judiciário recusem os mecanismos políticos que disfarçam uma solução, mas aprofundam a exclusão social e alimentam a violência. As conquistas sociais devem ser garantidas em vista da construção da sociedade justa e solidária. A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e no diálogo que resulte num compromisso comum entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a Sociedade.

O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético e moral de favorecer a busca de caminhos que recoloquem o País na normalidade. É inadmissível alimentar a crise econômica com uma crise política irresponsável e inconsequente. A corrupção tornou-se praga da sociedade e pecado grave que brada aos céus (Papa Francisco, in Rosto da Misericórdia, n. 19). Acometendo as instituições públicas e a iniciativa privada, a corrupção requer a atitude forte e decidida de combate aos mecanismos que a fortalecem. Que os órgãos públicos contraponham-se eficazmente à corrupção e à sua impunidade. Que o Estado cumpra com rigor e imparcialidade a sua função de punir igualmente tanto os corruptos como os corruptores, de acordo com os ditames da lei e as exigências de justiça. Deus nos dê força e sabedoria de seu Espírito, para viver o nosso ideal de construtores do bem comum, base da nova sociedade que almejamos para nós e para as futuras gerações (vide íntegra site: www.cnbb.org.br).


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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