Homo pode ser padre?


 24/10/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Papa Francisco pediu perdão em nome da Igreja pelos escândalos praticados por padres. O Papa referiu-se ao fato recente - um padre que trabalhava em alta esfera eclesiástica no Vaticano ter assumido a convivência com um companheiro. Pergunta: homossexual pode ser padre? Quem já é padre e “se assume” pode exercer o ministério? E nos caso de desvio de comportamento afetivo-sexual, como pedofilia, efebofilia?

A Igreja declara que a ordenação sacerdotal é conferida somente a heterossexuais, portanto, com sua identidade afetiva e sexual definida. O padre participa do único sacerdócio de Jesus Cristo. Deve ser conferido a heterossexuais, porquanto o padre representa Cristo, o esposo da Igreja. O padre consagra-se como esposo, pai e pastor. Tal característica exige masculinidade definida. Sacerdócio é vocação e missão. Não é um direito. As dimensões essenciais à vida sacerdotal são trabalhadas durante o tempo de formação no Seminário. Antes da admissão ao Seminário e às ordens sagradas, depuram-se as verdadeiras motivações, por critérios de seleção e de acompanhamento. Porém, alguém pode camuflar comportamentos ambíguos. Devemos distinguir atos e atitudes homossexuais. Atos sugerem práticas e atitudes que importam numa atividade homossexual. Tendências são impulsos homossexuais, em tese, administráveis.

Em ambos os casos a Igreja desaconselha que se insista em prosseguir na direção ao sacerdócio, cujo estilo de vida é incompatível com a homossexualidade. Documentos da Igreja determinam o impedimento da ordenação sacerdotal, caso as certas tendências forem confirmadas a tempo. Não raro, após a ordenação sacerdotal, revelam-se atitudes que causam dissabores incalculáveis à vida e à missão da Igreja. João Paulo II e Bento XVI lamentaram danos irreparáveis que comprometeram a credibilidade da Igreja em vários países. Bento XVI afirma: “a homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal. Do contrário, o celibato não teria nenhum sentido como renúncia. Seria um grande perigo se o celibato tornasse-se uma ocasião para introduzir no sacerdócio pessoas que, de qualquer modo, não gostariam de se casar, porque também a sua postura perante o homem e a mulher está modificada ou desconcertada de alguma forma”.

A Igreja deve respeito às pessoas de condição homossexual. Se tais pessoas tentam a vida sacerdotal a todo custo, cometem-se equívocos, pois dificilmente conseguiriam assumir o celibato, nem mesmo se reprimindo. Há padres que perderam o estado sacerdotal por incorrer em abusos contra menores. Extravasaram suas repressões de forma doentia...


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