Família e polêmicas


 17/10/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Sínodo dos Bispos celebrado em Roma (04 a 25/10), presidido pelo Papa Francisco, aborda “A Vocação e a Missão da Família no mundo contemporâneo”. Estão presentes 270 bispos e 90 especialistas, entre observadores, casais e representantes de igrejas cristãs. O Cardeal Peter Erdo, relator geral, ao introduzir as temáticas específicas, citou algumas de teor polêmico, tais como a comunhão aos divorciados e recasados, uniões civis, uniões homossexuais, controle de natalidade, assistência às famílias em crise, aborto e eutanásia.

Em todas as temáticas a Igreja deve manifestar o olhar do coração de Cristo e não de um sociólogo ou jornalista. Considere-se que, hoje, há percepções plurais sobre as formas institucionais da vida, distantes da doutrina cristã. Há percepções diferentes nas áreas antropológicas, sociológicas e psicológicas. Há casais que convivem de forma estável e que não contraem o Matrimônio no religioso ou no civil. Muitos não se dispõem a assumir compromissos definitivos ou a responsabilidade inerente ao Matrimônio conforme apregoa a Igreja. As instituições são questionadas e a família vive a crise de instabilidade, incluindo a indissolubilidade matrimonial. A alta taxa de divórcios e de uniões livres é fato comum. Entanto, a Igreja procura a pedagogia evangelizadora, acompanhando jovens e casais que vivem em situações particulares.

Divorciados e recasados podem se integrar na vida da comunidade eclesial de várias formas, diferente da admissão à Eucaristia. Quem coabita e vive em situações especiais pode e deve ser acompanhado na fé e incentivados à prática das boas obras. A misericórdia do Evangelho não nega a indissolubilidade do Matrimônio, como nos ensina Jesus. A fidelidade à verdade consiste em manifestar a misericórdia de Deus. O perdão ao pecador vincula-se à conversão. O fracasso de um Matrimônio considera que ambas as partes têm responsabilidade, mas nem sempre uma culpa idêntica. Porém, a convivência em novo relacionamento não se equipara ao sacramento do Matrimônio. Esse fator impede o acesso à Eucaristia. A comunidade eclesial acolhe os filhos que se tornam vítimas de situações desencontradas e encoraja os esposos a perseverar na fé e na vida cristã. A Igreja deve manter centros de escuta que orientem as pessoas, quer na preparação para o Matrimônio, quer nas situações de crise. O Evangelho segue o caminho do perdão e reconciliação de casais separados, divorciados, recasados ou que vivem sós. Quanto às uniões homossexuais não há fundamento que o equipare à família. A Igreja não aceita a discriminação e a agressão às pessoas de condição homossexual.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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