Francisco em Cuba e nos EUA


 11/10/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Em sua viagem a Cuba e aos Estados Unidos, os gestos do Papa Francisco, mais do que suas palavras, traduzem a intenção de uma sincera colaboração na construção da paz espiritual e do progresso temporal dos povos. Essa intenção efetiva-se mediante a superação de velhas ideologias que destruíram muitos sonhos e muitas vidas.

Em Cuba, o Papa desmascarou a falsidade da revolução. De forma explícita, ele pediu o fim da ditadura, das prisões e das torturas arbitrárias, condenadas como atitudes contrárias à dignidade humana e à doutrina cristã. Milhares de cubanos opositores do regime foram executados. Outros milhares foram alijados do processo do desenvolvimento. Francisco afirma que “a verdadeira revolução passa pela ternura e pela alegria de servir ao outro”. Oprimido pelo regime comunista, o povo cubano empobreceu. Os bens primários de consumo sempre foram subsidiados pela antiga URSS. Ao Papa João Paulo II deveu-se em grande parte a queda do regime comunista opressor. Deve-se ao Papa Francisco a coragem de se encontrar com os chefes de Estado de Cuba e dos EUA, suplicando a superação de conflitos que pareciam intransponíveis há mais de meio século.

Com o fim do embargo econômico dos EUA a Cuba, eis que se concretizam as novas oportunidades de recíproca solidariedade. Francisco reconheceu os EUA como país que se tornou um “coração de mãe”, abrigando migrantes de todas as partes do mundo, atraídos pelas oportunidades que jamais teriam em seus países. Diz o Papa que os EUA têm a obrigação ética, moral e cristã de abrigar novas esperanças dos que reconstroem suas vidas, sem a ideologia do ódio, da perseguição, do fanatismo político-religioso de grupos terroristas ou ditatoriais. Francisco afirma que o terrorismo deve ser combatido com equilíbrio, não com as armas da violência inimiga, pois inocentes não podem ser vítimas dessas reações. O mesmo raciocínio vale para combater a violência, cujo denominador é o narcotráfico. A reflexão aplica-se ao aparelhamento do estado e à prática da corrupção como sistema de governar. A corrupção destrói a construção de um povo livre, consciente e responsável pelo seu destino, pois impede que os investimentos destinem-se ao desenvolvimento do povo e do país. Corrupto rouba. Impune, vai roubar mais ainda. Ideólogos da esquerda calhorda, carcomida pela corrupção, ainda crêem na utopia do socialismo fracassado, excomungando os EUA com impropérios desatualizados e desacreditados.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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