A viagem do Papa


 10/10/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

A viagem do Papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos, para além do caráter religioso, efetivou o relacionamento político, socioeconômico e cultural entre os povos dos dois países e dos seus respectivos chefes de Estado. O Papa também é o chefe do Estado Vaticano, além de líder espiritual cristão católico. Com suas palavras simples, acompanhadas de gestos incisivos, Francisco ofereceu sua colaboração sincera visando o reestabelecimento da paz espiritual e do desenvolvimento temporal do povo cubano e dos demais povos em situações de atraso.

Para a concretização da paz, de direito e de fato, é indispensável que todos se envolvam na missão do desenvolvimento integral dos respectivos países. Desenvolvimento só acontece com investimento em infraestrutura produtiva e capacitação para o trabalho competitivo. O fim do embargo dos EUA a Cuba serviu para essa finalidade. Os gestos de Francisco não se reduziram a um sonho pela paz. Ele pediu explicitamente a superação das ideologias e o acolhimento aos que buscam oportunidades de trabalho e progresso.

Por causa da ideologia do Comunismo, do Nazismo e de outros tantos “ismos”, muitos sonhos e muitas vidas foram cruelmente destruídas. O Papa afirmou em Cuba que “a verdadeira revolução passa pela ternura e pela alegria de servir ao outro”. Em seguida, ele pediu o fim da ditadura, das prisões, das torturas, pois são atitudes contrárias à lei natural, à lei divina, à doutrina cristã, à dignidade humana. Milhares de pessoas contrárias ao regime ditatorial de Fidel Castro foram eliminadas no “paredón”, símbolo infeliz de um país chamado de “Pérola das Antilhas”. Onde o regime comunista dominou, a população foi alijada do processo do desenvolvimento, diminuiu, empobreceu.

O Papa Francisco teve a coragem de dizer a verdade e a alegria do Evangelho de Jesus aos chefes de Estado dos EUA e Cuba, de forma polida, sem preconceito, sem se sentir condicionado para agradar poderosos desse mundo. Ele se sentiu livre para lembrar ao presidente Obama que os EUA têm a obrigação moral e cristã de abrigar os que precisam reconstruir as suas vidas - milhares de refugiados que deixaram suas terras para se defender dos grupos terroristas e dos regimes ditatoriais, das guerras, da perseguição política e religiosa; milhares de inocentes são vítimas das ditaduras e do terrorismo que, nas palavras do Papa, combate-se com equilíbrio, e não com as armas da violência.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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