“Tá bão assim”


 25/01/2014 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Não se combate a miséria impossibilitando o trabalho de quem gera ocupação e renda aos que dele mais precisam: os pobres! A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) publicou estudos recentes sobre a redução do crescimento da economia no Continente. Os indicadores de geração de emprego são positivos. Entanto, o percentual de pobres diminuiu apenas de 29,6% em 2011 para 28,2% da população. A Cepal afirma que, sem projetos de inclusão social, a pobreza perdurará. Os programas de transferência de renda nos países da AL são insuficientes para enfrentar e superar, de forma estrutural, as deficiências graves como a qualidade da educação, as questões básicas de saúde pública, recursos hídricos e energéticos sustentáveis. O Brasil desenvolve vários programas de distribuição de renda, mas o País deve desenvolver políticas estruturais garantindo o desenvolvimento das suas potencialidades produtivas.

O programa Bolsa Família e variantes congêneres, voltados para a erradicação da miséria e da fome, devem alçar novos rumos, como a superação do analfabetismo funcional, das doenças crônicas, da carência de água potável e saneamento básico, da violência generalizada, e assim por diante. Não basta transferir renda. É preciso elaborar projetos políticos de inclusão, através da educação e da capacitação de mão-de-obra qualificada, gerando condições de serviços qualificados. O empreendedorismo e o cooperativismo são referências essenciais para gerar redes produtivas.

Essa mudança de mentalidade e cultura torna-se possível mediante um pacto federativo, contando com parcerias da iniciativa privada. É lamentável a incompetência e o oportunismo de determinados grupos dirigentes de governos vinculados à ideologia utópica de um estado onipresente e provedor financeiro plenipotenciário. O sonho da esquerda sempre foi esse, totalmente frustrado. A esperança para quem ainda acredita ser possível a estratégia do investimento na geração de ocupação e renda para os setores sociais mais pobres é o surgimento de novas lideranças.

O que se deve visar? Oportunidades sociais e econômicas para os alijados do processo do desenvolvimento laboral. Nesse sentido o Banco Mundial propôs ao Brasil, no período de 2012-2015, um programa de financiamento ao Governo Federal e aos estaduais de US$ 5,8 bilhões, bem como de US$ 2 bilhões em empréstimos para o setor privado. Pergunta-se: o povo se interessa por isso ou prefere depender dos programas de distribuição de renda, reproduzindo a acomodação e a dependência? Quando o povo vai querer pegar a vara, aprender a pescar, em vez de receber peixe? 


† Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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