Jornalismo e missão


 04/10/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Os meios de comunicação desempenham a importante missão de informar o público, auxiliando-o a formar opinião. Tal missão não comporta neutralidade, mesmo que alguém se declare isento ou neutro. Ao emitir determinada opinião sobre fatos, esses são captados e interpretados em diferentes óticas. Tal processo corresponde à formação de opinião, em forma plural. A legítima pluralidade desmonta a tentativa de uniformizar uma opinião como se fosse única. Unanimidade jamais se reduz à uniformidade, que pode significar manipulação. Opinião pública não se reduz à opinião publicada, “a mando de”. Entre a informação e a omissão proposital sobre algum fato formam-se opiniões plurais, ou mesmo unilaterais. Formação da opinião pública não se reduz à opinião publicada, vinculada aos interesses de pessoas e de grupos, embora isso ocorra inevitavelmente. Os meios de comunicação equivalem ao “quarto poder” constituído.

O poder defende interesses e as agências de notícias defendem seus interesses, por si legítimos, não obstante se vinculem aos poderes políticos e ao poder financeiro. Ao defender seus legítimos interesses, a promoção do bem comum é um nobre exemplo do bom jornalismo. Meios informativos existem para ajudar as pessoas a se desenvolverem e crescerem na cidadania. Para além da imprensa clássica, vivemos na era da Internet e redes sociais, situando-nos num novo patamar de civilização, bem diferente de poucos anos atrás. Os fatos cotidianos comentados pelas redes sociais são lidos e interpretados em visões subjetivas. Não raro, a visão subjetiva prende-se a uma imagem produzida para provocar impacto. A reprodução das visões restritas às futilidades, às exterioridades, provoca consequências imprevisíveis. Os bons jornalistas procuram ajudar na formação de opiniões plurais legítimas, mas jamais se prendem aos jogos de interesses ambíguos, feitos com a intenção de condicionar e provocar falsas interpretações.

A Constituição Federal garante a liberdade de expressão. Essa não se confunde com arbitrariedade de expressão. Aprendi que existe um triângulo referente à intenção do bom jornalista, em sua missão de informar e formar opinião. Primeiro: noticiar o fato real, não imaginário. Daí o texto falado ou escrito. Segundo: situar o fato no contexto de demais fatos que possam ajudar a ilustrar o fato. Terceiro: no texto e no contexto do fato, ou seja, das premissas anteriores, relê-se a realidade, ou se reinterpreta a realidade que muda constantemente. A realidade muda e a vida das pessoas também. Diante da realidade “mutantis”, o bom jornalismo ajude-nos a reorientar atitudes assertivas.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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