A Palavra e o silêncio


 13/09/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Conforme o divino Mestre Jesus orou, ensinou-nos a orar “no Espírito e na Verdade” (cf. Jo 4, 23). Os cristãos aprendem a orar, compreendendo que a iniciativa da oração provém do Espírito Santo, vindo em socorro de nossa fraqueza, com desejos inefáveis (cf Rom. 8, 26-27). Os cristãos aprendem a orar com a Palavra de Deus. Jesus Cristo é a encarnação da Palavra que habita em meio a nós (Jo 1, 14). Pelo seu Espírito ensina-nos toda a verdade (Jo 14, 26). Acolher a Palavra, no Espírito e na Verdade, requer de nós um sentimento de amor receptivo, silencioso, contemplativo.

Aprendemos a orar disciplinando nossa agitação interior, reorientando-nos à escuta do que o Senhor quer nos dizer. É preciso acolher a Palavra como se recepciona alguém muito amado, esperado, bem-vindo. Quem ainda não se habituou ao exercício da serenidade pode estranhar, confundindo silêncio com tristeza ou chateação. O Espírito vem em socorro de nossa fragilidade. “Como eu não sei rezar só queria mostrar meu olhar” (Canção de Aparecida).

Olhar nos olhos é acolher. Sua Palavra são conselhos, orientações, preceitos preciosos que fundamentam nossa fé e esperança, traços do caminho sólido para nossa vida. No roteiro construtivo da vida, encontraremos cruzes. As provações, desilusões, tentações fazem parte. Nessas horas recorramos de forma especial ao Senhor que nos guiará no caminho da salvação.

Nas fases de prosperidade, recorramos à sua Palavra com sentimentos de adoração, louvor, ação de graças, intercedendo pelos que sofrem, para que superem as provações no caminho do aprendizado evolutivo. Quando “oramos bem”? Quando sofremos, ou alguém nos faz sofrer, ou fazemos com que outros sofram por nossa causa. Jesus ensinou a orar pelos inimigos, sendo que o pior deles é o nosso egoísmo, ou seja, a incapacidade de amar. Distorcemos completamente a oração quando damos asas à imaginação de algum mal. Isso nos desorienta. Oração não caça culpados nem maquina vinganças. A busca de si mesmo nos leva à manipulação da oração, confundindo-a com magia, qual estratégia para conseguir algum interesse pessoal, da divindade de plantão. A oração seja simples, confiante, perseverante, isenta de complicações e exterioridades inventadas por alguém. Jesus é simples, claro, direto, objetivo ao orar e ao nos ensinar a orar no Espírito e na Verdade que é Ele mesmo presente.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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