Dá pra sair dessa?


 15/08/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

Há exatos 10 anos (agosto de 2005) a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), preocupada com a situação do País, ante as reiteradas denúncias de corrupção nas diferentes instâncias do poder público, e face à indignação provocada na população, conclamava o povo brasileiro a participar na construção dos destinos da nação. A grande pergunta é se o povo tem vontade de se organizar ou se vai ter coragem de se mobilizar? Quem vai apresentar propostas alternativas para superar a corrupção? Como superar a questão da droga, da violência, do aumento do custo de vida, da perda de valores de referência? A sensação é de que “tá tudo dominado”. Como criar condições para o povo participar dos seus destinos políticos se a política e os políticos estão desacreditados? Quais são os espaços que ainda as lideranças podem ocupar se só existe oportunidade para os “movimentos populares” vinculados ao Estado aparelhado?

O uso de fontes escusas para o financiamento de campanhas eleitorais, o desvio de recursos públicos, a manipulação de empresas estatais em benefício de partidos, e tantas denúncias de corrupção vêm acontecendo de longa data. Atualmente emergem de forma escandalosa! Isso provoca em todos nós a indignação ética. Implanta-se no País a perversa cultura de corrupção, fortalecida pela impunidade, acobertada pela conivência, legitimada pela cumplicidade, incentivada por corporativismos, habituados a usar as estruturas do poder público em benefício de interesses particulares e grupais.

A corrupção pessoal deve ser investigada e punida com a devolução dos recursos desviados. A corrupção deve ser prevenida pela transparência na administração dos bens públicos. A erradiação da corrupção pressupõe a conversão pessoal pela solidez da consciência ética e moral. Entanto, por décadas a fio, a educação foi nivelada por baixo em nosso País. O fenômeno da corrupção criou formas inacreditáveis, tornando-se um estilo de governo. Resta-nos a coragem do testemunho ético e moral, na esfera pessoal e coletiva. Que ao tomar iniciativas respeitemos o rigor das leis pela ordem social e pelos parâmetros da justiça. Precisamos restaurar as bases sólidas da cidadania, educando-nos de forma vigilante e permanente. Como colaborar para a renovação do tecido social da nação, comprometida pela estruturação da corrupção? Jesus nos assegura: “se vocês permanecerem na minha Palavra, serão verdadeiramente meus discípulos, conhecerão a verdade e a verdade libertará” (Jo 8,32). Assim reza a Doutrina Social da Igreja, inspirada na verdade do Evangelho da salvação.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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