Colônia de novo?


 16/08/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Quais são as soluções para que o País volte a crescer? Economistas e cientistas políticos, por ângulos diversos, visualisam perspectivas de desenvolvimento presente e futuro. Para o povo desenvolver-se o País precisa de R$ 197 bilhões anuais, por anos seguidos, em investimento de infraestrutura. Dentre as medidas urgentes: romper com o aparelhamento do Estado; superar o “déficit” de infraestrutura e investir nos setores produtivos selando parcerias com a iniciativa privada; e criar condições de qualificação de mão de obra para poder competir com países emergentes.

Analistas econômicos e cientistas políticos afirmam que o aparelhamento do Estado legitima muitos entraves regulamentadores, propositalmente lentos na tramitação dos projetos; uma tributação absurda e impostos escorchantes que impedem a iniciativa privada de se estabelecer, crescer, gerar ocupação e renda para milhares de pessoas. A coroa portuguesa manteve sua excessiva burocracia para explorar a Colônia brasileira. Políticas de compensação reproduzem acomodação e dependência - são praticadas quando inexiste planejamento focado em prioridades. Além de improvisados, os programas assistencialistas impedem o crescimento do País e o desenvolvimento do povo pobre, tornando-o dependente.

Ora, ninguém se desenvolve sem competência profissional. Cresce quem investe, adquire experiência, mérito, crédito, oportunidades de inclusão com justiça social. Evitaremos ser Colônia qualificando profissionais com complexidade técnica e prática, indiscutíveis na modernidade produtiva e competitiva. O Estado onera a iniciativa privada com tributos estratosféricos, porém gasta mais do que arrecada e nunca oferece serviços públicos de necessidades básicas da educação e saúde. O Estado aparelhado criou salteadores. Regimes totalitários de direita ou de esquerda impõem-se e se mantêm no poder utilizando o pobre como álibi ideológico.

Como reverter os cenários tristes do atraso? Observando a pedagogia do Mestre Jesus, aprendemos a partilha do pão. Ele pede que o povo assente-se em grupos e repartam o que têm, uns com os outros. Ele oferece o Pão da Palavra, o Pão da Eucaristia, o pão de cada dia. Jesus reprovou os que estavam lá só para se aproveitar e ensinou o povo a gerar vida de comunhão, a incluir os outros, a partilhar o que se é e o que se tem. A falta de trabalho, por consequência, gera a falta de pão nas mesas. A falta de trabalho explica a falta de pão. A falta de vontade de trabalhar explica o oportunismo de quem já roubou e se deixar vai roubar ainda mais.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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