Ecologia em questão


 27/06/2015 - Escrito para o Jornal da Paraíba

O Papa Francisco publicou recentemente a “Laudato si”: uma carta circular (na esfera eclesiástica chamada encíclica) demonstrando-se aliado na defesa da qualidade da vida humana e da vida do planeta. O Papa convoca todos para dar sua colaboração efetiva com o ecosistema, superando a destruição e/ou o comprometimento da vida do planeta. A natureza rebela-se contra quem interfere contra suas leis. Deus perdoa sempre. O homem talvez. A natureza nunca perdoa, pois as suas leis são inexoráveis. O homem interfere nas leis naturais quando pensa que é seu dono, que tem dinheiro e que, portanto, tudo pode para lucrar mais. O engano do homem está no seu egoísmo e na sua ganância. Deus, Pai criador, colocou os seres humanos no centro da natureza para dela se servirem, porém como administradores dos bens finitos. O grave erro está em usar, abusar, exaurir e, portanto, destruir os recursos naturais, limitados e finitos.

De uma ou outra forma a natureza exige a preservação ou reposição do que dela legitimamente usufruímos. Sabendo cuidar, usar e distribuir os bens finitos, eles chegam para quem deles precisar. Ninguém nega o fato das mudanças climáticas serem causadas por imensos desmatamentos, queimadas, inversão do “habitat”, exploração selvagem da biodiversidade, provocação de vários tipos de poluição, assoreamento de fontes d’água e de margens ribeirinhas... Há uma infinidade de fatores deletérios contra a natureza, geralmente provocados pela especulação financeira, gerada pela degradação e perda dos valores éticos e morais. Na esfera internacional as reações sociopolíticas sobre a degradação da qualidade da vida dos povos e do planeta são poucas, mas válidas. Trata-se de conhecer as experiências exitosas de “experts”, cientistas e humanistas, e enfrentar grandes desafios para “salvar a vida do ser humano, salvando a vida do planeta”.

Essa reação chama-se “ecologia integral” em função das questões humanitárias e sociais, tais como a necessidade de produzir alimentos, gerar ocupação e renda, usando os recursos naturais, sem exauri-los. Entende-se daí a necessidade de defender o meio ambiente para o desenvolvimento humano, indispensável. Somos administradores e não donos da criação. Para além dos nossos dias há gerações sucessivas. Como irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai, incumbe-nos trabalhar para preservar e qualificar a vida das pessoas, dos povos e do planeta. A degradação moral e ambiental torna-se um desafio a ser enfrentado com espírito de fé, amor e sacrifício. Em vista da salvação em Cristo, está em jogo a nossa sobrevivência e a das futuras gerações.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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