Laudato si


 28/06/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Cartas circulares escritas pelos Papas chamam-se encíclicas. O Papa Francisco publicou “Laudato si” (Louvado seja) sobre o meio ambiente. O título remete-nos ao cântico de Francisco de Assis, em louvor a Deus pela criação. Ambos Franciscos aliam-se à defesa da vida humana e do planeta - a casa comum onde habitamos. A vida das pessoas e do planeta está mal tratada. Experimentamos em nós os efeitos dos maus tratos infringidos contra a natureza, tais como a extorsão dos recursos naturais sem a indispensável reposição, a devastação e exploração de imensos territórios florestais para fins financistas, queimadas irracionais e consequente desertificação de espaços que se tornam definitivamente improdutivos. Exauridos os bens naturais, limitados e finitos como a água doce, extingue-se a vida humana! A natureza não perdoa e se vinga de quem a destrói. O ser humano é algoz e vítima da selvageria que pratica.

A carta circular de Francisco objetiva a salvação da vida humana e do planeta. Sua tentativa pedagógica envolve-nos efetivamente na solidariedade humana. A Igreja não propõe uma solução científica e definitiva, pois este não é o seu campo específico. As situações concretas são diversas e também a procura de soluções. Cabe a todos e cada um de nós, membros da comunidade humana, a colaboração solidária em vista da preservação e dignificação da vida. Jesus veio para dar vida em abundância para todos (cf. Jo 10,10). Cabe-nos participar da busca de orientações e soluções apresentadas por cientistas e humanistas, respeitando suas diversas opiniões. Cabe-nos colaborar no que seja necessário e possível para preservar e promover a qualidade de vida das pessoas e a vida do planeta. Francisco diz: “é indispensável criar um sistema normativo incluindo limites invioláveis, que assegure a proteção dos ecossistemas (...). Há demasiados interesses particulares e, com muita facilidade, o interesse econômico chega a prevalecer sobre o bem comum e manipular a informação para não ver afetados os seus projetos”. Firme, Francisco não faz corpo mole diante do que é mau.

Trata-se de nos educar para usar e usufruir os recursos naturais sem exauri-los. Somos administradores, não donos absolutos dos bens naturais e finitos. Deus nos participa a missão de promover o bem comum cuidando da natureza e uns dos outros. Nossa felicidade é viver na comunhão de amor divino e humano. Filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos e irmãs em Cristo, administremos bem o que é bem da coletividade.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba




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