PME: non possumus


 21/06/2015 - Escrito para o Correio da Paraíba

Na esfera do território nacional, os 5.570 municípios deverão aprovar seus Planos Municipais de Educação (PMEs) de acordo como o Plano Nacional de Educação (PNE 2015-2025), instituído pela Lei 13.005/2014. O PNE votado no Congresso Nacional e já sancionado pela Presidente da República em 2014 resulta de debates democráticos e participativos por parte de várias lideranças, interessadas na promoção da qualidade da Educação no País. A discussão dos PMEs deve seguir a orientação do PNE. Ora, a expressão “igualdade de gênero” foi retirada por ampla rejeição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Entretanto, grupos de pressão insistem em aprovar tal expressão nos PMEs. Por “igualdade de gênero” entende-se a construção plural do próprio sexo. Nega-se o caráter biológico, atribuindo a isso a pecha de fator cultural. Defendem que cada qual construa sua identidade. As propostas dos que defendem a igualdade de gênero nada mais são do que induções de crianças e de adolescentes às práticas que relativizam a diferença sexual natural. Com isso se desconstroi e se compromete a identidade masculina e feminina.

Com efeito, a ideologia de gênero subverte o fundamento da família que procede da união entre homem e mulher, tendo em vista a geração e a educação dos filhos. A ideologia de gênero pretende que a união entre pessoas do mesmo sexo iguale-se e seja reconhecida como “família”. A família é base fundamental e organizativa da sociedade humana! A ideologia de gênero pretende impor um sistema contrário à lei da natureza, negando ou reduzindo seu fundamento antropológico, humanístico. A dimensão humana está alicerçada na biologia e nas estruturas dos seres humanos. As dimensões científicas e antropológicas são irreformáveis e antecedem às questões culturais e religiosas.

Os representantes da Igreja Católica e demais Igrejas cristãs sentem-se na obrigação de defender a vida e promovê-la na família. Confessamos Cristo, revelador do Pai, que dá sentido à vida, à família e à sociedade humana. A maior missão que o Senhor outorga aos seus filhos e filhas é a graça de gerar uma vida, provinda da união do homem e da mulher que se amam e que formam uma família! Daí nasce o direito inalienável dos pais educarem e formarem seus próprios filhos. Os pais não aceitariam que na escola os seus filhos sofressem a imposição de práticas contrárias às leis da natureza e à educação que recebem em casa! Não aceitamos que se imponha nos PMEs práticas oriundas de ideologia duvidosa, cujas consequências seriam imprevisíveis.


Dom Aldo di Cillo Pagotto, sss
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